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Bairro Aparecida mantém tradições durante 100 anos de existência em Manaus

Mesmo com todas as transformações sofridas durante a trajetória do bairro, considerado um dos mais populares da cidade, moradores preservam e destacam os pontos positivos do local

Bairro é margeado pela orla do rio Negro. A localização teve influência em primeiro nome, Cornetas, dado por conta do contigente do Exército que existia na área

Bairro é margeado pela orla do rio Negro. A localização teve influência em primeiro nome, Cornetas, dado por conta do contigente do Exército que existia na área (Euzivaldo Queiroz)

O bairro Aparecida, na Zona Sul, mudou consideravelmente desde que foi fundado há 133 anos. Recebeu várias denominações, tais como, Cornetas, Cajazeiras e dos Tocos, até ser batizado com o nome o nome atual por volta de 1946, com a chegada dos padres redentoristas, mas ainda mantém o aspecto acolhedor imutável, segundo afirmam os atuais moradores. É comum ouvir que a fundação do bairro se confunde com a história da cidade. Porém, é ainda mais comum ver antigos moradores falarem com orgulho do lugar onde nasceram, envelheceram e ainda aproveitam o que a Aparecida tem a oferecer.

A aposentada Valdenora Borges tem 71 anos de idade, todos vividos na Aparecida. Ela é uma das pessoas que integram o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou o bairro Aparecida como o que de possui a maior população de idosos da capital. “Nora”, como é chamada, ressaltou que o bairro sempre foi generoso com os novos moradores e com aqueles que saíram, mas retornaram anos depois.

Ela fala com saudades das brincadeiras de criança e do tempo em que todos se conheciam e podiam ficar até o horário que queriam na frente das residências. “Mudou muita cosia no bairro, mas ainda tenho orgulho de morar aqui. Daqui só saio para o cemitério. Antigamente a gente ia caminhado para a praça da Saudade e ficava até às 22h. Hoje isso não é mais possível pela falta de segurança. Outra coisa ruim, que veio com o tempo, é que os novos moradores não respeitam os antigos”, disse.

O morador Marcelo Barbosa, 44, nasceu e morou na Aparecida até os 15 anos. Ele passou 25 anos morando em outro bairro, mas há quatro decidiu retornar para suas raízes. “Me sinto bem morando aqui. Mesmo tendo morado fora alguns anos nunca me desliguei do bairro. Também tenho orgulho, mas lamento por voltar e ver que agora existe o tráfico de drogas, falta segurança e muitos vizinhos não se conhecem mais”, disse.

Outro exemplo de pessoas que revelam que a Aparecida é dos bairros da capital com moradores que nasceram e não abrem mão do lugar, é o motorista Sérgio Paixão, 37. Ele viveu toda a vida no bairro e não pensa em mudar. Paixão reconhece os pontos positivos da Aparecida, mas é enfático ao criticar a insegurança, o desrespeito à ordem pública e a vizinhança, “problemas causados, em grande parte, por quem não nasceu na área”, afirma.

Segundo ele, não há como evitar o processo de transformação no bairro, uma vez que, se trata de uma ação natural do tempo, mas é possível impedir que a comunidade se deteriore com a presença de droga e crimes. “Aparecia é um bairro bom, mas coisas acontecem e pioram porque quem tem a obrigação de fiscalizar e punir não faz nada. Até para guardar vaga de estacionamento na frente da casa vira uma confusão, mas se as pessoas respeitassem o espaço do outro isso não aconteceria”, enfatizou.

Saudosismo: bom filho à casa torna

Muitas pessoas não moram na Aparecida, mas trabalham ou estudam no bairro e mantêm mais que um laço, mas uma história com o lugar. O mesmo se aplica a quem passou pelo bairro. O bioquímico Denis Alvaci Conceição, 44, (foto abaixo) por exemplo, é um das muitas pessoas com um caso de amor com o bairro.

Ele se formou na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em 1998. No entanto, passados 16 anos sempre que passa pelo bairro faz questão de parar e visitar o prédio da FCF e o bairro onde passou muito tempo. Na tarde do último sábado, Denis foi ao Centro com a esposa e aproveitou para mostrar Aparecida e o local onde estudou para a filha dele, a pequena Amanda Gabriela, de apenas cinco anos.

“Sou da cidade de Aparecida, em São Paulo, e tenho uma história bonita com o bairro Aparecida, em Manaus, que me faz lembrar muito da minha cidade natal. As casas são juntinhas e o povo bem humorado como onde nasci. O bairro é muito acolhedor e quem passa por aqui não tem como não voltar um dia”, destacou.