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Becos e vielas escondem trechos importantes de Manaus

Ao largo de grandes e agitadas avenidas existem becos e vielas que dão acesso a uma Manaus pouco vista pelos habitantes. Moradores criam espécie de afeto aos locais

 Rua Madre Catarina tem uma vila formada a partir de casas dadas a familiares de freiras da ordem das Adoradoras do Sangue de Cristo, em São Geraldo

Rua Madre Catarina tem uma vila formada a partir de casas dadas a familiares de freiras da ordem das Adoradoras do Sangue de Cristo, em São Geraldo (J. Renato Queiroz)

Alguns becos e vielas podem até nem serem percebidos, principalmente se ficam às margens de pistas de velocidade, mas escondem um trecho importante da história de Manaus. Não propriamente as vias, mas quem habita ou habitou esses espaços, aparentemente humildes. Há quem prefira se “esconder” nesses logradouros muito mais por puro apego que por segurança. Para essas famílias, parece que o tempo não passa. Cercados pela implacável poluição urbana, eles resistem e continuam mantendo o estilo pacato e solidário, perdido há décadas pela maioria das comunidades de toda cidade grande.

Alguém que não seja da área, será que conhece a Vila Santíssimo? Não é por acaso que as três únicas ruas da vila têm nome de freiras (Catarina, Bernarda e Vianei). Todos os moradores são parentes das irmãs do Convento das Adoradoras do Sangue de Cristo, que fica por trás do colégio Preciosíssimo Sangue, na avenida Constantino Nery, bairro São Geraldo, Zona Centro-Sul. Há 24 anos, as irmãs doaram grande parte do lote aos parentes que não tinham terreno próprio. As 26 casas ficam a 500 metros da pista, cercadas por floresta fechada, riacho e muito canto de passarinho.

A pedagoga Luciane Rocha Paes, 24, sobrinha de uma das freiras, nasceu na vila e não troca o lugar por nenhum outro, mesmo que não tenha um comércio sequer. “Aqui é como se fosse um pedacinho do céu. As pessoas ainda se importam com os problemas dos vizinhos. Lá fora é um mundo muito cruel”, relata a feliz moradora.

Maximina de Andrade, 52, irmã de uma freira do convento, embora reclame do isolamento e da inevitável violência que acaba “respingando” na vila, contabiliza mais ganhos do que perdas. “A gente convive com a natureza. É tranquilo demais. Pra não ser perfeito tem alguns malandros que roubam as coisas lá fora e se escondem nesse mato”, desabafa dona Maximina.

Entre as avenidas Mario Ypiranga Monteiro e Umberto Calderaro Filho, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, os moradores não se importam com a fama das grandes vias.

O casal Sueli Aparecida, 56, e Cristóvão Ferreira, 58, como a maioria dos vizinhos, moram há 20 anos na rua Ribeiro de Matos, onde têm um dos poucos mercadinhos da área, uma espécie de point da comunidade. Até o distribuidor de mercadorias já chega brincando com todos, inclusive com o “pé de pano”, um resultado de poodle com vira-lata, que recepciona animadamente qualquer chegante.

O professor Marivaldo Pimentel, 52, morador da Rua da Paz, confirma o que todos dizem. “Ainda conseguimos manter o sentimento familiar de antigamente. Os prédios podem até ter mudado, mas as pessoas continuam as mesmas”, afirma Pimentel.

Espaço dos saudosistas

O Aristocrático é um dos primeiros conjuntos habitacionais considerados chiques de Manaus. Encravado entre as avenidas Constantino Nery e Jacira Reis, na Zona Centro-Sul, é um dos exemplos de espaço cativo de famosos e saudosistas manauaras. “Desde que cheguei aqui os moradores são quase todos os mesmos. Só tem umas cinco casas que não são ocupadas pelos primeiros donos”, revela o engenheiro Rui Soares, 62, morador há 26 anos. O conjunto tem cerca de 80 casas e a maioria ocupada por gente famosa. O conjunto já abrigou o primeiro amazonense general de brigada: Thaumaturgo Sotero Vaz, ex-chefe do Comando Militar da Amazônia (CMA). Antes da avenida Jacira Reis, só tinha entrada pela avenida Constantino Nery. Mesmo assim, o Aristocrático continua um condomínio de cordialidade e o companheirismo sem nunca perder a classe.