Tenentes-coronéis da Polícia Militar ameaçam representar na procuradoria do Ministério Público Estadual (MPE) contra a promoção da oficial Ana Margareth Gonçalves do posto de tenente-coronel para coronel. Eles alegam que a promoção, ocorrida na quarta-feira, ocorreu em desobediência a uma ordem judicial que determina que a promoção para coronel só pode acontecer depois que oficial tenha, no mínimo 48 meses como tenente-coronel, o que Ana Margareth não tem. A promoção teria desagradado o comandante Almir David, que chegou a colocar o cargo à disposição do governador Omar Aziz.
O comandante negou disse que a promoção da tenente-coronel foi indicação dele pelos bons serviços prestados e pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado na sexta-feira. Ele ressaltou que a tenente-coronel já tinha tempo de serviço e estava aguardando para ir para a reserva.
O comandante disse que as promoções são decididas pelo governador e que há expectativa dos militares, mas que o governador não é obrigado fazê-las. Atualmente, o Comando da Polícia Militar possui 13 vagas para coronéis disponíveis. Ao todo são 20, mas os que completam 30 anos de serviço vão para a reserva e há dois anos não acontecem promoções.
Almir David explicou que há necessidade do preenchimento dessas vagas, pois são os coronéis que ocupam os cargos de comando. Atualmente há 61 tenentes-coronéis aguardando promoção, mas enquanto as promoções não vêm esses cargos estão sendo ocupados por tenentes-coronéis e majores. “O governador vai fazer a promoção e vai ser retroativa sem nenhum prejuízo ao oficial”, disse Almir David.
Os demais tenentes-coronéis discordam do comandante da PM. Segundo eles, há outros que há dois anos estão na fila para serem promovidos. Com a promoção da tenente-coronel Ana Margareth, o clima na caserna ficou tenso.
Uma outra situação que tem causado desconforto é o critério adotado para as promoções. Para entrar na lista de promoção, o oficial passa por uma avaliação por uma comissão de promoção que analisa a antiguidade e ficha funcional, feitos e punições. Quem possui condenação pela Justiça fica fora, como aconteceu com os tenentes-coroneis Felipe Arce e James Frota.