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Casal distribui livros e brinquedos em quiosque de área pública para disfarçar suposta invasão

O casal, que está há dois meses no quiosque, localizado da praça do Igarapé do Franco, na Zona Oeste de Manaus. tenta justificar a invasão como um ato de preservação da área pública e incentivo à cultura e ao bem estar social

A dona de casa Leila Pessoa, exibindo a pequena biblioteca que está à disposição dos frequentadores, diz que a missão dela e do marido, Josias Rodrigues, é limpar o lago e posteriormente deixar o local, ocupado há dois meses

A dona de casa Leila Pessoa, exibindo a pequena biblioteca que está à disposição dos frequentadores, diz que a missão dela e do marido, Josias Rodrigues, é limpar o lago e posteriormente deixar o local, ocupado há dois meses (Euzivaldo Queiroz)

Há dois meses o bacharel em Filosofia, eletricista, motorista e pedreiro Josias Rodrigues da Silva, 43, e a esposa dele Leila Pessoa de Souza, 42, se apossaram de um quiosque da praça do Igarapé do Franco, na estrada Padre Agostinho Caballero Martin, Compensa, Zona Oeste.

O casal tenta justificar a invasão como um ato de preservação da área pública e incentivo à cultura e ao bem estar social. Para todos os efeitos, o pequeno coreto, apenas coberto, de aproximadamente 16 metros quadrados, não é a residência do casal e sim uma biblioteca livre, embora o pequeno acervo passe quase despercebido diante dos demais objetos.

“Ele viu que aqui estava tudo abandonado, sendo destruído e resolveu montar essa biblioteca livre, com livros de filosofia, religião e revistas comuns, doados por pessoas que freqüentam o passeio. Agora ele está trabalhando, mas nós dois cuidamos de toda essa área, inclusive já colocamos duas lixeiras”, disse Leila.

Fiscais do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) estiveram no local, mas, segundo a própria moradora, nenhuma providência foi tomada. “Não estamos fazendo nada de errado. Os moradores dessa região querem que a gente continue aqui porque nós cuidamos da praça. A missão do meu marido é limpar o lago (Lago do Franco). Quando ele terminar a gente pretende ir para outra cidade”, disse Leila.

Contradições

Ela garante que o casal tem residência própria no bairro Vila da Prata, Zona Oeste, na rua Ajuricaba 31-A. Mesmo que a reportagem tenha verificado no local a presença de móveis, cadeira, geladeira, rede de dormir e cama, Leila garante que são raras as vezes em que dormem no quiosque montado num dos cantos da praça pública. Antes, tinham uma barraca de lona mas, segundo a dona de casa, a mesma foi roubada e a alternativa foi ocupar o coreto.

Com brinquedos doados ou coletados no lixo o casal montou um parquinho infantil, mas um motivo encontrado por eles para permanecerem “tomando de conta” de um espaço público. “Os pais trazem suas crianças com seus brinquedos mas elas adoram mesmo é brincar no parquinho que nós montamos”, conclui Leila.

Moradores criticam a iniciativa

Os moradores das proximidades não aprovam a idéia de uma família morar na pracinha do Lago do Franco. Para a auxiliar administrativo Ariane Lima Barbosa, 35, não bastasse a praça estar com muitas lâmpadas queimadas, é no mínimo estranho ver um quiosque virar residência. “É uma cena muito estranha, até porque não sabemos de onde eles vieram e quem são. Eles podem até estarem precisando de moradia, mas esse não é o lugar. Eu sempre trago minha filha para passear de bicicleta e fico meio desconfiada”, relata Ariane.

O auxiliar de cozinha Antônio Wallace Ribeiro, 40, foi enfático em sua opinião. “Compromete o cenário. Aqui não é lugar para morar”, disse Ribeiro.

A vendedora Rosemari dos Santos, 27, tem motivos bem mais convincentes para discordar da invasão feita pelo casal Josias Rodrigues e Leila Pessoa. “No aspecto ambiental, é muito ruim. Já soube que eles chegam a tomar banho nessa água poluída do Lago do Franco”, critica Rosemari.