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Corte de árvores causa polêmica e divide opiniões em Manaus

A derrubada de três espécies de Flamboyant, no conjunto Eldorado, na avenida Rio Negro, Zona Centro-Sul, reacendeu discussão sobre arborização na capital

Os flamboyants eram de grande porte e as copas atingiam o teto dos blocos. O maior problema, contudo, eram as raízes infiltradas na rede de esgotos

Os flamboyants eram de grande porte e as copas atingiam o teto dos blocos. O maior problema, contudo, eram as raízes infiltradas na rede de esgotos (Márcio Silva)

A derrubada de três Flamboyants, entre os blocos 9 e 12, do conjunto Eldorado, na avenida Rio Negro, Zona Centro-Sul, causou polêmica ontem nas redes sociais e entre os moradores. A capital do Amazonas tem um dos piores índices de arborização entre as 15 capitais com mais de 1 milhão de habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Eldorado é um dos conjuntos de maior circulação de pessoas, sobretudo nos finais de semanas por conta da praça onde há vários bares. A paisagem do local é contrastada pelas árvores frondosas e por construções antigas e mal conservadas.

A discussão sobre todo esse cenário urbano aqueceu os comentários, nesta quinta-feira (17), nas redes sociais após fotos de pedaços do tronco de árvore derrubadas irem parar na Internet. O caso, segundo os moradores dos blocos, demorou um dia inteiro. Ontem à tarde, os pedaços de tronco não estavam mais no chão, mas havia muito entulho deixado após o serviço, que foi autorizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmas).

Fotos das árvores derrubadas foram públicadas no perfil da moradora Jaqueline Figueiredo. Ela lamentou os cortes e vários comentários sinalizavam que a paisagem ficaria pior no local. Outros frequentadores do local ponderavam sobre o calor que tende a aumentar nos próximos meses e que as árvores proporcionariam uma melhor sensação térmica. “Duas árvores. Bom pra quem quiser aproveitar e fazer uns banquinhos. Triste num domingo de sol, sem uma brisa”, publicou Jaqueline.

Em outras publicações, os comentários alertavam que se houve a derrubada de apenas três árvores e outras foram mantidas, é porque os cortes poderiam ter sido necessários para evitar prejuízos aos moradores. A estudante Edselma Guida, 19, moradora do primeiro andar do Bloco 12, não concordou com os cortes. “Já estavam tanto tempo aí. Por que cortar? Não fizeram mal nenhum. Deixava logo”, disse. Ela contou que crianças e mães costumavam passear à tarde para se refrescarem à sombra dos Flamboyant.

Outra moradora do terceiro andar, que preferiu não se identificar, agradecia a prefeitura pelo serviço. Segundo ela, os galhos cobriam os telhados dos blocos. À noite, ratos e gatos caminhavam nas telhas incomodando os moradores. Ela reclamou também dos cupins e dos problemas que as raízes das árvores provocavam no esgoto.

Raízes se infiltraram nos esgotos e nas calçadas

A secretária Municipal de Meio Ambiente (Semmas), Katia Schweickardt, afirmou que o corte das três árvores foi autorizado pela pasta a partir do pedido dos moradores do local. Eles alegavam que elas estavam provocando danos sérios aos prédios do conjunto.

Segundo a titular da Semmas, técnicos da pasta foram analisar a denúncia e constataram danos causados pelas raízes das três árvores que ficavam entre os blocos 9 e 12 ao sistema de esgotamento sanitário e calçadas, além de serem vetores de proliferação de cupins que estavam invadindo apartamentos dos blocos. De acordo com a secretaria, o laudo foi feito por um engenheiro civil, em vistoria técnica no local.

As árvores do conjunto Eldorado são de uma espécie exótica que não é da região e que, segundo a secretária, devem ter sido plantadas há anos pelos próprios moradores. No entanto, ela alertou que para promover a arborização não basta apenas plantar, é preciso saber o quê e em qual área. Kátia destacou que Manaus é uma das poucas cidades do País a ter um plano diretor de arborização.

“É comum esse tipo de manifestação todas as vezes que há corte de árvores em áreas urbanas. Mas poucas pessoas se comprometem seriamente com a questão. Nesse caso, havia a necessidade (...) A arborização tem como principal finalidade proporcionar bem-estar e conforto térmico, mas quando feita de forma inadequada pode vir a se tornar um problema, com riscos de danos, como foi neste caso”, declarou.

Ela afirmou que a Semmas tem um programa que promove esclarecimento aos moradores de vários bairros da cidade sobre a forma correta de arborizar seus quintais.