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Centro Histórico: Mentira é usada para manipular camelôs

Grupo de camelôs interditou avenida em protesto contra a prefeitura sobre retirada das ruas do Centro e inventa que o auxílio de R$ 1 mil terá de ser devolvido

Manifestantes só aceitam sair das ruas quando estiverem prontos os Centros de Comércio Popular

Manifestantes só aceitam sair das ruas quando estiverem prontos os Centros de Comércio Popular (Euzivaldo Queiroz )

Um grupo de aproximadamente cem camelôs, de um universo de 637, promete resistir à ação da Prefeitura de Manaus de transferir a categoria para camelódromos provisórios, no Centro. Eles fecharam parcialmente a avenida Eduardo Ribeiro, na manhã desta terça-feira (18), em protesto contra o projeto de galerias populares provisórias e afirmaram que não deixarão os locais onde estão instalados.

O grupo é formado por camelôs que atuam na praça da Matriz e avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro. As bancas permaneceram fechadas até o fim do protesto. “Vou me acorrentar na banca e quero ver quem é que me tira”, disse Maria Miranda, 45, que há 23 anos é camelô na avenida Eduardo Ribeiro.

Enquanto o grupo se posicionou contra a saída, mais de 500 outros camelôs aceitaram a transferência. “É o melhor para cidade. Podia ser na Copa ou em outro evento, mas isso ia acontecer um dia. O projeto que prefeitura tem vai organizar não só o Centro, mas os camelôs e transformar a gente em microempresários”, disse o camelô Raimundo Maciel, 45.

O grupo promete fazer dois novos protestos, sendo o primeiro amanhã e o outro no sábado. Eles querem permanecer no Centro até que os Centros de Comércio Popular (CCP) definitivos sejam concluídos. Eles montaram uma comissão com 20 representantes e que irá a sede da prefeitura, na Compensa, Zona Oeste, logo após o protesto de quinta-feira.

O grupo não aceita a transferência para galerias provisórias nas avenidas Epaminondas, Floriano Peixoto e rua Miranda Leão, porque alega que os locais não têm estrutura adequada e que eles terão prejuízos. O município pretende realocar os camelôs no próximo domingo.

Opinião pública

Durante o protesto, a população que passou pelo local defendeu que é preciso organizar o Centro e isso só será alcançado começando pela transferência dos vendedores. “Manaus é uma metrópole e não pode mais ser tratada como uma província. A situação dos camelôs tinha que ser tratada como está sendo agora. São trabalhadores, mas precisam entender que obstruem calçadas do centro histórico, ocupam um lugar público como se fossem donos e prejudicam o deslocamento da população. Eles são cidadãos como eu e precisam ajudar a cidade a melhorar. Hoje não dá para andar no centro com tanta banca de camelô”, desabafou a professora Isis Coelho, 33.

Lugar definitivo

Segundo o porta voz dos que são contrários a transferência Osmar Abreu Lima, os camelôs que serão retirados da praça da Matriz e avenidas Eduardo Ribeiro e 7 de Setembro querem ser distribuídos em outras ruas onde os demais camelôs só sairão quando os CCPs forem finalizados. No entanto, a proposta foi recusada pelo município.

“A maioria dos camelôs é a favor da transferência para galerias porque ainda não caiu a ficha deles. Eles vão ter muito prejuízo indo para as galerias porque o maior movimento está na rua”, disse.

‘Lideranças’ mentem sobre bolsa da prefeitura

Os camelôs que estavam a frente do protesto desta terça-feira divulgaram para os demais que o auxílio no valor de R$ 1 mil mensal a quem participar de cursos de capacitação é um empréstimo que terá juros na cobrança.

A informação revoltou ainda mais quem estava no protesto. Porém, a prefeitura esclareceu ontem, que “o valor em nenhuma hipótese terá que ser devolvido”, uma vez que se trata de uma a bolsa gratuita concedida aos camelôs que aderirem ao projeto de realocação para galerias populares.

Os camelôs que aderirem ao projeto ainda têm opção do financiamento no valor de R$ 10 mil, com carência de sete anos e meio pra começar a pagar, para quem quer iniciar um negócio próprio longe do logradouro público.

De acordo com a prefeitura, a única condição para recebimento da bolsa é a participação em cursos de capacitação em empreendedorismo e em relações humanas e comerciais, que estarão disponíveis até a alocação definitiva dessas pessoas nos Centros de Comércio Popular.

Sobre os questionamentos que as galerias provisórias não têm estrutura para comportar os camelôs, a prefeitura respondeu que os locais equipados com banheiros, segurança e toda infraestrutura necessária para recebê-los com comodidade.