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Moradores de áreas rurais relatam a doce vida no campo

Localizada no rio Cuieiras, afluente do Negro, comunidade Três Unidos abriga um povo que só vem a Manaus por obrigação

Com serviços básicos, como energia elétrica, tv, saúde e educação, moradores da comunidade Três Unidos descartam a possibilidade de migrar para Manaus

Com serviços básicos, como energia elétrica, tv, saúde e educação, moradores da comunidade Três Unidos descartam a possibilidade de migrar para Manaus (J. Renato Queiroz)

A busca de um novo emprego, melhores salários, estudos e qualidade de vida, sempre fez com que a população brasileira, nos últimos 50 anos, deixasse a vida no campo e migrasse para as capitais em busca da mudança de novos ares, porém os que permanecem nas áreas rurais não se sentem atraídos pela agitação da capital. Só ficou nessas regiões quem efetivamente quis.

Essas pessoas costumam destacar que o silêncio e a tranquilidade do dia a dia nos beiradões da Amazônia em nada lembram a agitação de Manaus onde o trânsito, o barulho e a correria faz com que a população deixe passar despercebido os simples prazeres e mesmo morando tão perto de toda essa agitação as populações que residem na área rural não pensam em trocar essa paz .

Segundo o agente de saúde Valdemir da Silva, 54, que mora na comunidade Três Unidos, a 60 quilômetros de Manaus, mesmo morando há 1 hora e meia da cidade a vida na capital não lhe atrai. Como principal motivo para essa distância está a crescente violência na cidade. “Não consigo me acostumar com os assaltos, mortes, barulho. Na nossa comunidade o silêncio é a melhor coisa”, disse Valdemir da Silva.

O agente de saúde, quando precisa vir a Manaus não fica na casa dos parentes que moram na cidade para não alongar a estadia, pois quanto menos tempo precisar passar na cidade, para ele é melhor. “Só vou a cidade quando preciso comprar algo ou participar de alguma atividade do trabalho. Fora isso evito”, acrescentou o agente de saúde.

Essa decisão de se manter longe da capital mesmo morando tão próximo é compartilhada por outras pessoas da comunidade Três Unidos. De acordo com a dona de casa Dircianita Paulino, 43, que é mãe de sete filhos, durante muitos anos ela cultivou o sonho de mudar para Manaus e oferecer melhores condições de vida para os filhos, mas esse não era o sonho do marido por isso continuou na comunidade e hoje, não consegue imaginar a vida em outro lugar.

Diferente de Dircianita Paulino, os três filhos mais velhos decidiram buscar novas oportunidades e mudaram-se para Manaus. O objetivo deles era cursar faculdade depois de concluir o ensino médio.

A estudante de Ciências Contábeis, Graziela Paulino dos Santos, 18, que hoje, mora na Vila Olímpica de Manaus, na Zona Centro Oeste, diz que apesar de sentir muita falta de casa e dos pais, na cidade ela pode usar internet, celular e ter energia elétrica durante todo o dia. “Adoro a tranquilidade da comunidade por não precisar andar de ônibus e ter tudo próximo, mas sei que em Manaus as oportunidades são maiores”, diz a estudante.

Analisando essa preferência à luz do fenômeno do exôdo rural, a professora de sociologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Márcia Oliveira, é enfática: “Isso é bastante positivo para as cidades também pois elas não sofrem com o crescimento desordenado”, disse a professora.