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Pedestres e motoristas criticam faixas de segurança de Manaus

Pintadas em locais inapropriados, como curvas e ladeiras, elas hoje mais causam dúvidas do que ajudam os pedestres nas ruas da cidade

Na avenida Noel Nutels, na Cidade Nova, faixa de pedestre foi pintada no meio de uma ladeira. Motoristas precisam pisar firme no freio para parar e pedestres apressar o passo para atravessar a via

Na avenida Noel Nutels, na Cidade Nova, faixa de pedestre foi pintada no meio de uma ladeira. Motoristas precisam pisar firme no freio para parar e pedestres apressar o passo para atravessar a via (Euzivaldo Queiroz)

Elas estão espalhadas por toda parte. Curvas, ladeiras, cruzamentos com direitas livres, rotatórias, embaixo de viadutos. As faixas de pedestre, essenciais para ordenar o trânsito na cidade, listram o asfalto de toda a capital amazonense em pontos inusitados, que além de não proporcionarem segurança, causam medo à população.

Para pedestres e motoristas ouvidos por A CRÍTICA, o número de faixas em algumas ruas de Manaus é excessivo e o critério para o posicionamento delas nas pistas, inexistente.

Na esquina da avenida Autaz Mirim com a Alameda Cosme ferreira, na Zona Leste, por exemplo, a faixa fica em uma curva, impossibilitando que o motorista visualize o pedestre que tenta atravessar a rua. Do ponto de vista do pedestre, há pouco tempo para a travessia, uma vez que os carros trafegam em alta velocidade pelas duas ruas e não há semáforo para interromper o tráfego. Ao pedestre, resta correr.

Para o ajudante de caminhão, Francinei Martins dos Santos, 37, a travessia nesse ponto é muito perigosa. Ele contou que há alguns meses uma mulher e uma criança foram atropeladas nessa faixa, ao tentar cruzar a rua. “Acidentes como esse acontecem porque, além de estar na curva, a faixa é apagada, então, o motorista não vê. Se eu precisar atravessar ali, vou precisar correr”, admitiu.

Na opinião do autônomo Moizeniel da Silva, 42, a faixa deveria estar localizada em outro ponto da avenida Autaz Mirim. “Se o pedestre pudesse atravessar em um ponto mais afastado da curva, onde fosse possível ao motorista enxergar e ter tempo para frear o carro e dar passagem, muitos acidentes poderiam ser evitados e nós não teríamos tanto medo de atravessar a rua”, sugeriu.

Medo

Em outro ponto, na avenida Noel Nutels, na Cidade Nova, Zona Norte, a travessia também é uma “aventura” tanto para quem está na calçada como para quem está dentro dos carros. Em frente ao colégio da Polícia Militar, a faixa fica no meio de uma ladeira e a placa que indica a passagem de pedestres está fixada na mesma direção da faixa e não com antecedência, além de estar encoberta por um poste de iluminação.

A estudante Janaina Araujo, 19, disse que em dias de semana, demora até 15 minutos para atravessar a pista. Para ela, a faixa só pode permanecer ali se houver um semáforo. “Eu morro de medo de atravessar aqui. Se a gente pede a passagem com a mão, eles não estão nem aí porque a tinta vermelha que indica passagem obrigatória está apagada. E se a gente colocar o pé na frente para demonstrar que quer atravessar, só falta ser atropelada”, queixou-se.

Inexplicáveis

O técnico eletrônico, Daniel Dávila, 29, cobrou urgência nas soluções. “Faixa na ladeira é um absurdo. Nunca vi isso em lugar nenhum. Parece que a pintura foi feita ali pra matar as pessoas, porque é isso que pode acontecer. É urgente que se revejam esses posicionamentos. A intenção é boa, mas falta estudo técnico”, desabafou.

Além do posicionamento o número de faixas na cidade e a distribuição pelas ruas e avenidas também foi motivo de dúvidas. O consultor Francinaldo Silva,46, disse reconhecer a importância das faixas de travessia mas disse não entender a quantidade. “São muitas faixas. Sei que é importante, mas também atrapalha o trânsito. Dirigimos toda hora freando, apreensivos. Será que todas são necessárias? E porque algumas ruas têm muitas e outras, nenhuma?”, questionou.

Volume determina a escolha

O diretor de engenharia da Manaustrans, Domingos Sampaio, informou que as faixas são colocadas de acordo com o volume de pessoas que trafegam em determinada área e onde o instituto julga que a via oferece perigo ao pedestre. Segundo ele, mais faixas também tem sido inseridas em função do recapeamento do asfalto.

Ainda de acordo com o diretor, as vias não deveriam oferecer perigo aos cidadãos porque estão devidamente sinalizadas. “Sabemos, entretanto, que há motoristas e pedestres imprudentes que não obedecem a sinalização. Por esse motivo trabalhamos na orientação dos condutores e promovemos campanhas de educação no trânsito”.

InusitadosExistem faixas inusitadas em quase todas as partes de Manaus. Em frente à feira do Coroado, na Zona Leste, o pedestre consegue atravessar apenas até a metade da via, porque os semáforos estão sincronizados para que uma faixa de carros pare e a outra prossiga. Para chegar a o outro lado o pedestre precisa correr ou ficar no meio da rua, entre os carros.

Na rotatória do Coroado, em baixo do viaduto Gilberto Mestrinho, também na Zona Leste, nas proximidades da avenida Ephigênio Salles, a faixa está dentro da rotatória, complicando o fluxo de veículos na região e passagem da população. Ainda há faixas que estão embaixo de passarelas.