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População cobra mais segurança e atrativos nas praças de Manaus

Falar desses espaços, alguns dos quais revitalizados recentemente pelo poder público, faz população reclamar da perda da tranquilidade e também da falta de atrativos para estimular a frequência

Na Praça da Saudade, iluminação eficiente é um dos itens sempre reclamados pela população frequentadora

Na Praça da Saudade, iluminação eficiente é um dos itens sempre reclamados pela população frequentadora (Márcio Silva )

Já há algum tempo que a aposentada Maria Ilsa Pereira Moreira, 66, moradora do Parque Dez, Zona Centro-Sul, deixou de frequentar as praças da cidade, principalmente pela falta de segurança nesses locais. Mas questões como conservação do ambiente, limpeza, alimentação e atrativos culturais também são analisados hoje pelo cidadão e pesam na hora de escolher um local para o seu entretenimento e de sua família. “A praça é um lugar importante de lazer que nunca sai de moda, mas hoje tem que ter tudo isso, além da segurança, para fazer com que as pessoas possam frequentar mais, estar com a sua família e amigos, desfrutando de um ambiente com tranqüilidade”, resumiu, enfatizando que toda cidade também fica mais bonita quando possui praças bem conservadas.

Esse também é o pensamento da aposentada Ermelinda Faria dos Santos, 75. Morando no conjunto Campos Elíseos, no bairro do Planalto, Zona Centro-Oeste, há mais de 30 anos, ela lembra com saudade dos momentos vividos nas praças da cidade. “Eu morava no Centro e ia sempre à praça da Polícia (Heliodoro Balbi, localizada na avenida 7 de Setembro). As moças desfilavam seus vestidos novos para os rapazes que ficavam nas calçadas. Tinha música, comidas gostosas, pessoas caminhando, era muito bom. Hoje, para você ir à praça, só é possível fazer isso à noite, porque de dia é muito quente. Mas não tem segurança. Os locais onde ainda se consegue ir com tranquilidade são o Largo de São Sebastião e a Ponta Negra”, comentou.

VOCAÇÃO

O arquiteto e urbanista amazonense Antônio Carlos Rodrigues Silva, doutor em História do Urbanismo pela Universidade do Porto, de Portugal, explicou que a relação de uma comunidade com as praças é muito forte e que estas sempre foram locais procurados pela população, devido à tradição cultural que elas representam, e por se tratar de um lazer barato. Cada espaço tem uma espécie de “vocação” que não depende do poder público, mas sim do ambiente em que está inserida, das pessoas que frequentam e das transformações sociais e urbanísticas daquele local.

Ele citou como exemplo a praça do conjunto Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, que tinha uma forte vocação para a venda de alimentos, e ao passar por uma revitalização, privilegiou essa função com a implantação de vários boxes de restaurantes e lanchonetes.

Antônio Carlos também lembrou que Manaus sofreu mudanças bruscas nas últimas décadas e essas alterações influenciaram os cenários e elementos urbanos. “As cidades não são mais as mesmas de 30 anos atrás. O mundo vai mudando e os cenários urbanos vão sendo alterados e ganham usos diferenciados. As praças estão inseridas nessas mudanças. Não adianta resgatar o espaço e colocar equipamentos na praça, se o entorno não funcionar. As pessoas não vão sair de casa só para ir à praça, é preciso ter elementos que sejam atrativos a esse público”, disse.

Em relação às praças do Centro histórico, ele lembrou o caso da praça da Matriz. “Esse espaço possuía um aviaquário, que se perdeu com o tempo, e o local foi invadido por camelôs. Embora tenha continuado sendo praça, no sentido de espaço, passou a ter outro uso, de passagem e de compras”, explicou. “Existem praças no centro histórico de Belém (PA) que foram preservadas e contam com fiscalização rigorosa. Lá, se desenvolvem atividades diversas, inclusive comerciais, mas de forma sistemática, organizada. Quando isso não acontece, quando não há nenhum tipo de controle ou de fiscalização, a praça passa a ter uma função inversa, sendo usada para clandestinidades, prostituição, afastando as pessoas do local”, acrescentou.