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Precariedade do Terminal 1 agrava sofrimento de usuários de transporte coletivo de Manaus

Sem data definida para a desativação nem reformas à vista, o Terminal 1, na Constantino Nery, segue em condições precárias. Banheiros danificados, pichações, falta de segurança, entre outros, são um dos problemas do local

Pichações, falta de segurança, mau cheiro, lixeiras, banheiros e pistas danificadas são alguns dos problemas do T1

Pichações, falta de segurança, mau cheiro, lixeiras, banheiros e pistas danificadas são alguns dos problemas do T1 (Euzivaldo Queiroz )

Se já não bastassem as péssimas condições do transporte público em Manaus, os usuários do terminal de ônibus 1 (T1), na avenida Constantino Nery, Centro, Zona Sul, têm que conviver com outros problemas encontrados no local: a precariedade das instalações, reflexo do abandono. Banheiros danificados, pichações, falta de segurança, mau cheiro e ainda “banhos” da água suja, que escorre dos banheiros em cima dos ônibus que passam no terminal, respigando nos passageiros que estão aguardando transporte. Este é o retrato do T1, ainda sem prazo definido para ser desativado pela prefeitura.

“Aqui não tem nenhuma condição para os passageiros ficarem. Imagina para a gente que trabalha aqui e precisa ficar o dia inteiro. Não tem segurança e agora que colocaram esse bebedouro. Antes não tinha nem água para beber”, afirmou Belter Sasair, 46, funcionário do Sindicato das Empresas de Transporte do Amzonas (Sinetram).

A falta de segurança foi o motivo que levou o posto do Sinetram a fechar as portas na última segunda-feira, depois que quatro funcionários foram assaltados.

Impasse

De acordo com o vendedor ambulante Adilson dos Santos, 47, que atua no T1, a cada dia que passa fica mais difícil trabalhar no local. Segundo ele, a prefeitura já realizou uma reunião com os camelôs para anunciar a desativação do terminal, o que ainda não aconteceu. “Eles (prefeitura) reuniram com a gente em setembro e falaram que iam desativar o T1 em dezembro. Depois falaram que seria dentro de três meses. Depois deram uma data, dia 10 de março, que já passou, e até agora nada”, reclamou. Atualmente 127 vendedores ambulantes e camelôs atuam dentro do T1.

“Ruim com ele, pior sem”. É assim que o agente de bagagem, Willian Carlos, 26, define a situação do terminal e a desativação dele. “Como vamos ficar? Vou ter que pagar outra passagem? Meu ônibus vai parar onde?”, questionou, sobre a falta de informação.

Quem também não sabe para onde ir é Rodrigo Vidal, 52, que trabalha no terminal há dez anos como vendedor ambulante. “O terminal vai ser desativado, não nos dão uma data certa e nem falam para onde vamos, se para outro terminal ou para rua, ninguém sabe”, desabafou.

Acessibilidade

O universitário Francisco Cacilon, 36, é cadeirante e utiliza o terminal todos os dias para ir à aula. Ele conta que fica exposto ao risco de ser atropelado por um ônibus a qualquer momento, pois a única rampa de acesso para deficientes não tem espaço para a cadeira passar. “Eu fico no meio fio, todos os dias, na pista mesmo. Os ônibus passam muito próximos a mim. É perigoso, eu sei, mas o que eu posso fazer? Tem rampa mas não dá para passar a cadeira”, reclamou.