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Rodoviários voltam a ameaçar população com greve de ônibus em Manaus

Para o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges, assim como para o prefeito Arthur Neto, a greve dos rodoviários tem motivações políticas, pois havia uma negociação em andamento para os funcionários

Após terceira tentativa de negociação, ficou decidido que a greve dos rodoviários devem entrar pela tarde

Trabalhadores e estudantes foram para os pontos de ônibus sem a certeza de que o sistema de transporte estava funcionando normalmente, o que ficou garantido após acordo mediado pelo MPT (Luiz Vasconcelos)

Para os usuários do transporte, a manhã desta quarta-feira (16) foi de expectativa. Sem saber se os ônibus das empresas Global Green e São Pedro, que atendem as Zonas Oeste, Centro-Oeste, Norte e Leste, estavam circulando, a população foi para o ponto sem a certeza de ter ou não transporte para ir ao trabalho ou escola.

Segundo a auxiliar de escritório Maria Eliza Pinheiro, 31, foi preciso acordar mais cedo ontem porque não tinha certeza se o ônibus da linha 676 iria ou não passar. “A população é pega de surpresa sempre, isso é um desrespeito com o trabalhador”, disse.

Maria contou que, no dia da greve, chegou 30 minutos atrasada no trabalho porque precisou pegar um ônibus que passasse no terminal para então seguir de mototáxi até o trabalho. “Fiquei esperando, e como não passou, peguei um que fazia metade do percurso, mas cheguei no trabalho cansada”, disse.

Para Maria, a situação é difícil porque os rodoviários têm direito de cobrar melhorias de trabalho, mas os únicos prejudicados são as pessoas que precisam do ônibus e deixam de fazer suas atividades por falta de transporte.

O serviço foi normalizado depois que o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 11º Região considerou a paralisação ilegal e determinou que cobradores e motoristas voltassem ao trabalho. Se isso não acontecesse, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Manaus, Givancir Oliveira, poderia ser preso e multado em R$ 50 mil a cada hora da greve.

Em junho, a desembargadora do trabalho Solange Maria Santiago Morais concedeu liminar impedindo nova paralisação do transporte coletivo sob pena de multa de R$ 100 mil, sendo R$ 50 mil por hora de paralisação e R$ 50 mil por perturbação nas garagens, o documento também determinou que os grevistas mantivessem distância de 50 metros da porta das garagens, ordem que não foi cumprido, segundo o assessor juridico do Sindicato das Empresas de Passageiros de Manaus (Sinetram) Fernando Borges. Segundo ele, o Sinetram tem um video em que aparece o presidente do sindicato dos rodoviários, Givancir Oliveira, na garagem da Global Green conversando com os funcionários e perguntando se todos estavam de acordo com a greve. O vídeo mostra ainda Givancir dizendo para os rodoviários registrarem a entrada no trabalho e irem para casa, que depois a situação seria resolvida.

Borges, assim como o prefeito Arthur Neto, acredita que a greve dos rodoviários tem motivações políticas, pois havia uma negociação em andamento para o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários.

Greve não está descartada

Depois de pegar de surpresa 350 mil pessoas que utilizam as linhas de ônibus da empresa de transporte público Global Green e São Pedro, na terça-feira, o serviço foi normalizado, porém, o presidente do Sindicato dos Rodoviários Givancir Oliveira informou que uma greve geral da categoria nos próximos dias não está descartada enquanto não houver acordo sobre o dissídio coletivo.

De acordo com Givancir Oliveira, a categoria está aguardando o parecer da procuradora chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT) Alzira Melo Costa para assinar o dissídio. “Nós queremos que a justiça determine o que é justo, pois não fazemos mais acordo com o Sinetram e, se isso não acontecer, a categoria vai paralizar”, disse.

MPT, sindicato e patrões costuram novo acordo

Suspensão de descontos irregulares no salário dos trabalhadores, instalação de insulfilm nos vidros frontais dos veículos e uso de paralisação e greve por parte dos rodoviários como último recurso de luta contra a negação de seus direitos. As três questões estão entre os pontos contidos no acordo firmado entre rodoviários, prefeitura e a empresa Global numa reunião de mais de cinco horas, ontem à tarde, no Ministério Público do Trabalho (MPT). A empresa é responsável pelos trabalhadores e veículos que atendem a zona da cidade onde há a maior concentração de usuários do transporte público: a Leste.

De acordo com a procuradora-chefe do MPT, Alzira Melo Costa, o acordo serviu para criar condições para que a população não venha novamente a ser prejudicada no seu direito de ir e vir. Além disso, o acordo também prevê respeito ao direito dos trabalhadores. A intenção é evitar que o problema tenha conotação eleitoral. “Eu não posso garantir que não haverá mais paralisação. Mas os trabalhadores assinaram um acordo conosco para que este seja o último instrumento. Antes, virão ao MPT para tentar evitar problemas. Temos que ter cuidados para que o serviço inadequado de transporte e o desrespeito ao direito dos trabalhadores não tenham consequências nas eleições”.

A procuradora afirmou que não identificou nenhuma condução política na questão e por isso não irá acionar o Ministério Público Eleitoral. Da reunião participaram representantes do Sindicato dos Rodoviários, da SMTU, do Sinetram, uma comissão de trabalhadores da Global e diretores da empresa.

Colaborou: Rosiene Carvalho