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Ronaldo Tiradentes e funcionário são indiciados por extorsão

PC conclui inquérito sobre a produção de um vídeo que tenta associar o nome de membros da família Calderaro com a prostituição infantil e decide indiciar por extorsão o principal suspeito de ser o autor da gravação, o proprietário da Rede Tiradentes

Proprietário da Rede Tiradentes de Comunicação, Ronaldo Tirandentes prestou depoimento na segunda-feira para a delegada de Polícia Civil Cristina Portugal

Proprietário da Rede Tiradentes de Comunicação, Ronaldo Tirandentes prestou depoimento na segunda-feira para a delegada de Polícia Civil Cristina Portugal (Divulgação/Facebook)

O proprietário da Rede Tiradentes, Ronaldo Tiradentes, e o repórter Marcos Pontes foram indiciados, na segunda-feira, por extorsão, calúnia e difamação pela titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado, delegada Maria Cristina Portugal.

Após investigação que iniciou em junho de 2013, Cristina Portugal concluiu haver indícios suficientes de que Ronaldo e Pontes são os autores de um vídeo - com perguntas e respostas combinadas - que tenta vincular os nomes de membros da família Calderaro e de políticos a casos de prostituição infantil e orgias.

No inquérito, que tramita em segredo de justiça, Ronaldo Tiradentes foi indiciado por extorsão ao presidente do sistema A CRÍTICA de Rádio e Televisão, Dissica Tomaz Calderaro.

Marcos Pontes também foi indiciado por extorsão a Dissica Calderaro, e ainda por calúnia e difamação contra a titular da Delegacia Especializada na Proteção a Criança e ao Adolescente (Depca), delegada Linda Gláucia Moraes.

O processo tramita na 7ª Vara Criminal de Manaus. Se o Ministério Público apresentar ação penal contra Ronaldo Tiradentes e Marcos Pontes, e houver condenação, eles poderão cumprir penas que podem chegar a 13 anos de detenção e multas.

Para a Polícia Civil, o objetivo do proprietário da Rede Tiradentes com o vídeo era impedir que o jornal A CRÍTICA desse publicidade à operação “Estocolmo”, e desqualificar o trabalho da delegada Linda Gláucia.

A CRÍTICA apurou que outras pessoas envolvidas na produção do vídeo devem ser indiciadas. Segundo a polícia, a extorsão também foi praticada contra outras vítimas.

No vídeo, uma conhecida estelionatária, Renata de Oliveira Guerreiro, faz acusações contra Dissica e políticos com mandato em todos os níveis do poder público. Nas imagens, que serviram de base para a investigação da polícia, é possível identificar Marcos Pontes e o cinegrafista da Rede Tiradentes.

Coordenada por Linda Gláucia, a operação “Estocolmo”, deflagrada em 2012, desarticulou uma suposta rede de prostituição sexual infanto-juvenil com atuação em Manaus e que os clientes seriam empresários e políticos amazonenses.

A CRÍTICA foi o primeiro e único órgão de imprensa de Manaus a dar todos os detalhes da operação “Estocolmo”. O jornal também publicou os nomes dos 20 implicados nos crimes apontados pela polícia, quando a denúncia contra eles foi aceita pela Justiça, no dia 28 de janeiro deste ano.

Entre os réus da ação penal estão o deputado estadual Fausto Souza (PSD), o cônsul honorário da Holanda, Vitório Nyenhuis, o empresário Waldery Areosa Ferreira, ex-proprietário do Centro Universitário do Norte (Uninorte) e Waldery Areosa Júnior.

Ronaldo Tiradentes e Marcos Pontes prestaram depoimento segunda-feira. Desde então, o empresário posta na Internet textos tentando desqualificar a investigação conduzida por Cristina Portugal. O delegado-geral da Polícia Civil, Josué Rocha, defendeu a delegada.

MP decidirá se entra com ação penal

O inquérito que aponta Ronaldo Tiradentes e Marcos Pontes como autores do vídeo tramita, sob segredo de Justiça, na 7ª Vara Criminal de Manaus, no Fórum Ministro Henoch Reis.

A titular da 7ª Vara Criminal de Manaus é a juíza Careen Aguiar Fernandes. Após a conclusão do inquérito, a magistrada enviará os autos ao Ministério Público, que é o órgão que tem a prerrogativa de apresentar a ação penal.

O representante do Ministério Público que atua na 7ª Vara Criminal de Manaus é o promotor Jeferson Neves de Carvalho, da 4ª Promotoria.

Após receber os autos do processo da juíza, Jeferson Neves terá que decidir se a investigação produzida pela delegada Cristina Portugal é suficiente para ingressar com uma ação penal contra Ronaldo Tiradentes e Marcos Pontes.

Delegada é agredida

Desqualificando o indiciamento dele e de Marcos Pontes, em seu programa de rádio, na manhã de ontem, Ronaldo Tiradentes atacou as delegadas Cristina Portugal e Linda Gláucia.

Cristina Portugal foi tachada pelo empresário de burra, idiota e incompetente. “Nunca vi um negócio tão idiota, tão burro, tão não sei o quê mais, de uma delegada incompetente, que transformou em bandidos, em réus num inquérito, jornalistas”, afirmou Ronaldo Tiradentes.

O empresário afirmou que Linda Gláucia prevaricou ao tomar conhecimento das denúncias no vídeo forjado envolvendo os irmãos Dissica e Umberto Calderaro e não tomar providências.

Em tom de ameaça, Ronaldo Tiradentes também avisou Cristina Portugal de que gravou todas as perguntas que ela dirigiu a ele durante o depoimento, na segunda-feira. “Quero dizer para ela (Cristina Portugal) que toda a audiência nossa foi gravada. Nós gravamos”, disse o empresário.

Para o dono da Rede Tiradentes, o caso não vai prosperar no Judiciário, e o indiciamento dele e de Marcos Pontes virará piada. “Qual é o lucro, a vantagem que eu estou obtendo em fazer uma reportagem, um levantamento jornalístico de um assunto que envolve rede de prostituição infantil e pedofilia de pessoas ligadas a um grupo de jornalismo?”, indagou Tiradentes.