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Com uma dívida que ultrapassa R$ 12 milhões, Hospital Santa Casa deve reabrir em Manaus

Grupo de ex-funcionário e amigos recebe autonomia para agir em prol da reabertura do local que já foi referência em saúde na cidade

Chaves da Santa Casa recebidas ontem por grupo que pretende administrá-la

Chaves da Santa Casa recebidas ontem por grupo que pretende administrá-la (Euzivaldo Queiroz)

A Associação dos funcionários, ex-funcionários e amigos da Santa Casa de Misericórdia, localizada na rua 10 de Julho, Centro, recebeu, nesta quarta-feira (22), das mãos da atual diretora da instituição, Ana Celma Pinheiro, a chave da casa para, então, iniciarem os trabalhos para a abertura do laboratório médico do local.

Segundo a presidente da associação, Walderez Ferreira, ex-assistente administrativo da Santa Casa, o grupo formado por 15 pessoas, luta, há 2 anos para conseguir o direito de cuidar do local. “Já batemos em vários gabinetes, de porta em porta, pra conseguir o direito de, pelo menos, entrar na instituição pra fazer a limpeza. Só agora conseguimos a documentação legalizada, através de cartório, para formalizar os pedidos” declarou Walderez, que trabalhou na instituição por 17 anos.

O segundo secretário da Associação, Ronaldo Balieiro, conta que, até junho, o ambulatório deverá abrir para funcionamento. “Prioridade é reabrir o ambulatório até o meio desse ano. Vamos precisar de, pelo menos, 20 funcionários para funcionar inicialmente, funcionários estes que são os amigos da Santa Casa, ex-funcionários, pessoas que serão contratadas posteriormente e voluntários” informou.

“O ambulatório deve funcionar, nos primeiros meses, como uma prestação de serviços terceirizados. Assim que possível, vamos alugar as salas para empresas hospitalares particulares para realização de exames e até pequenas cirurgias. O objetivo é para conseguirmos verba para a reforma do restante do prédio”, explicou Balieiro.

O valor acumulado da dívida da Santa Casa, segundo informações da atual diretora da instituição, Ana Celma Pinheiro, ultrapassa os R$ 12 milhões. “Temos aí uma dívida de 2 milhões em contas atrasadas, como água, luz e outras, mais 10 milhões e pouco de pagamento de funcionários que ainda não foi dado a baixa na carteira de trabalho, e mais dois milhões de dívidas em móveis”.

Ronaldo Balieiro acrescenta ainda que, a associação já está juntando os valores das dívidas e que, já nos próximos dias devem procurar as empresas para tentar negociar a baixa dos juros. “Só de água a Santa Casa deve R$ 400 mil. De luz, são R$ 700 mil”.

Vista a prédio centenário causa comoção em grupo

A Santa Casa de Misericórdia foi construída no século 19 para atender a população mais necessitada e tornou-se referência, pois além de receber toda a população manauara, recebia também populações indígenas.

A entidade filantrópica construída há mais de 100 anos tem, além do valor assistencial, um valor histórico e arquitetônico: o prédio é tombado pelo patrimônio histórico. O local foi fechado em 2004 para não perder a parceria do Governo do Estado e não conseguir mais quitar as dívidas.

Segundo Ronaldo Balieiro, o fechamento aconteceu em junho de 2004, mas em outubro do mesmo ano, por reivindicação dos funcionários, a Santa Casa abriu as portas para a continuação parcial das atividades. “A casa ‘agonizou’ por três meses, até que, em janeiro de 2005 parou de funcionar totalmente”.

Há quase 10 anos sem reparos, o prédio encontra-se em estado de abandono. O mau cheiro de dentro da Santa Casa causa a tristeza no olhar dos funcionários ainda vinculados. Um grupo de amigas que trabalhava no setor de despache de exames chorou ao encontrar a antiga sala de trabalho com papeis rasgados e jogados no chão.

“Dá vontade de chorar de ver isso aqui assim. Eu vi isso novo, funcionando, dava gosto de ver. Eu fui enfermeira aqui por quase 30 anos, não admito esse descaso, esse abandono”, disse ex-funcionária que pediu para não ter o nome revelado. Na sala de enfermaria é possível ver a quantidade de materiais hospitalares descartáveis e remédios, que nem foram usados, jogados por toda a parte. São centenas de seringas, toucas, luvas e batas que terão de ir para o lixo.