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Nova era do tráfico: Venda de drogas é dominada por facções megaestruturadas em Manaus

A afirmação é da delegada adjunta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Débora Mafra, ao relatar que muitas mortes acontecem dentro das próprias organizações criminosas durante a conquista de território

João Branco

João Pinto Carioca, o ‘João Branco’, montou um império do tráfico no bairro Mauazinho e hoje é um dos comandantes da FDN, mesmo foragido do Compaj (ACRITICA/AC)

De 722 homicídios cometidos em 2013, em Manaus, mais de 90% foram motivados pela disputa ou acerto de contas, no tráfico de drogas. A afirmação é da delegada adjunta da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Débora Mafra, ao relatar que muitas mortes acontecem dentro das próprias organizações criminosas durante a conquista de território.

Nos últimos dez anos, segundos dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), o índice de homicídios mais que dobrou em Manaus e a “guerra” por território se intensificou com o surgimento das facções criminosas “Família do Norte” (FDN) e “Primeiro Comando da Capital” (PCC), que hoje dominam o tráfico.

A chegada das facções remonta ao início dos anos 2000, quando presos de alta periculosidade foram transferidos a presídios federais e por lá pegaram treinamentos com o PCC e do Comando Vermelho. Até então, predominava em Manaus o tráfico familiar.

DÉCADAS DE 70, 80 E 90

Durante os vários anos em que trabalhou na Delegacia de Entorpecentes (Depre), o delegado Divanilson Cavalcanti, hoje adjunto da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), mapeou o tráfico de drogas em Manaus. Segundo ele, nos anos de 1970 até o final da década de 90, o comércio de drogas era realizado por membros da mesma família.

Pais, irmãos, tios e primos tinham funções distintas e recrutavam “soldados” para o tráfico. “Eles dominavam pequenas áreas e o consumo de drogas era menor”, destacou o delegado, lembrando nomes como “Mariona”, que comandou o tráfico na área da Panair, bairro Educandos, na década de 80, e de Luís Alberto Coelho, o “Bebeto da 14”, chefe do tráfico no bairro Praça 14, nos anos 90 e 2000.

Neste período, os traficantes passaram a estabelecer regras e normas em suas áreas. João Pinto Carioca, o “João Branco”, antes de se tornar um dos chefes da FDN, comandava o tráfico no bairro Mauazinho, no início da década de 2000. A polícia encontrava dificuldades para prendê-lo por conta do difícil acesso às ruas e, assim, ele montou seu império com o apoio dos próprios moradores, que recebiam ajuda do traficante no pagamento de contas e na compra de alimentos e produtos para o dia a dia.

‘Zé Roberto da Compensa’ até hoje comanda o tráfico na Zona Oeste

A história se repetiu, na Compensa, com José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”. Outro chefe da FDN, que continua dando ordens mesmo preso no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), de onde João Branco está foragido.

Mortes na disputa por territórios

Atualmente a Família do Norte (FDN) é a maior facção criminosa do Amazonas, com ramificações em todas as zonas da cidade, municípios da Região Metropolitana e região de fronteira. A FDN tem ligação com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, por meio do narcotraficante Luis Fernando da Costa, o “Fernandinho Beira-Mar”. Em 2009, ainda com o nome de Primeiro Comando do Norte (PCN), a FDN fez frente às ações repressoras das polícias Civil e Militar, além de frear o domínio do PCC.

Os traficantes José Roberto Fernandes o “Zé Roberto da Compensa”, o irmão dele Cloves Fernandes; João Pinto Carioca, o “João Branco”, e Gelson Carnaúba compraram armas de grosso calibre e tomaram áreas então comandadas pelo PCC.

Investigações da Depre dão conta de que os presos amazonenses que cumpriram pena no presídio federal de Campo Grande (MT) receberam de Fernandinho Beira-Mar instruções de como se organizar para combater a polícia e os rivais.

Começou, então, uma série de homicídios, entre 2008 e 2010. Os traficantes da FDN passam a executar os rivais do PCC e tomar as “bocas”. Quem não aderia ao grupo era executado, geralmente com requintes de crueldade para servir de alerta. Vários traficantes foram mortos e seus corpos desovados na área do Tarumã, Zona Oeste.

Traficantes disputam zonas


Conforme dados da Delegacia Especializada na Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre), Manaus está mapeada pelas facções, mas a disputa por territórios continua.

Na Zona Leste, os bairros do Coroado e Ouro Verde são comandados pelo traficante Ronarion Moreira Negreiros, preso no dia 24 de março como suspeito na morte do delegado Oscar Cardoso. Ele também coordena outros bairros.

A área do Novo Aleixo é comandada por Leonardo da Costa Andrade, o “Macaco”, que responde diretamente a Ronarion. Os irmãos Lenon Oliveira do Carmo, o “Bileno”, e Gileno Oliveira do Carmo, dominam o bairro Colônia Antônio Aleixo.

Na Zona Sul, os bairros Cachoeirinha, Raiz, Petrópolis, Japiim e Morro da Liberdade são comandadas por André Alves dos Santos, o “André Arapapá”. Área histórica do tráfico antes da chegada do Prosamim, a rua 13 de Maio, no bairro Colônia Oliveira Machado, está sob domínio de um traficante identificado pela polícia apenas por “Paulinho”.

Fábio Diego Mattos, o “Piu Piu”; Alessandro Barbosa da Fonseca, o “Alê”; Walderlan Arsênio de Melo, o “Wal”; Diegão, Joleardson, o “Giba”; e Dermilson Júlio Ferreira da Silva, o “Sassá”, também dominam áreas na Zona Sul.

A Zona Oeste tem como chefe do tráfico o “Zé Roberto da Compensa”, o irmão dele, Clóves Fernandes Barbosa, o “Clovinho”, “Maná” e “Igor”. Este último, irmão do Zé Roberto, casado com a Branca, filha da Mariona, da Panair. A Zona Norte é comandada por João Pinto Carioca, o “João Branco”, Deive, o “Gaúcho”, dentre outros.

O PCC atua no bairro Praça 14 e nos presídios de Manaus. Entre seus xarifes estão Andrei Chaves de Moura, o “Mourão” ou “Velho”, Ramson Albuqueque de Oliveira, o “Gogonha”, Rubens Júnior, o “Rubão”, Igor Trindade, Gilson Lúcio Lima Trindade, o “Pato”, e José Maria Cortaro.