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Vila da Felicidade completa 50 anos entre a alegria e a apreensão em Manaus

Moradores do vilarejo localizado à beira do Rio Negro, no bairro Mauazinho, Zona Leste, temem serem expulsos de suas casas por conta da construção de um porto

A Vila da Felicidade fica localizada próximo ao porto da Ceasa, no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus

A Vila da Felicidade fica localizada próximo ao porto da Ceasa, no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus (Evandro Seixas)

Há 50 anos, um pequeno grupo de pessoas, principalmente pescadores que trabalhavam próximo ao porto da Ceasa, se reuniram para formar um pequeno vilarejo dentro do bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus. Entre o porto, o Rio Negro, o Distrito Industrial e a mata virgem, nasceu a Vila da Felicidade.

Porém, as alegrias vieram apenas depois. Os primeiros comunitários moraram durante anos em casas feitas de papelão e lona. Foi necessário tempo para que eles passassem para moradias melhores e garantissem estruturas básicas de saneamento como rede de esgoto e postos de saúde.

Conhecido como Cacá da Ceasa ou Carauari, o pescador Raimundo Souza Dias, 61, é um dos moradores mais antigos do vilarejo. “Eu morava em um flutuante quando soube desse lugar e vim para cá com a minha esposa. Não tinha nada aqui. Era só uma estradinha e o terreno onde as pessoas começavam a erguer suas casas”, lembra.

A esposa de Cacá, Marlene Correia da Silva, 49, também recorda que o crescimento da vila, que hoje conta com duas mil famílias, pode ser medido pelo número de comércios na área. “O lugar foi crescendo e cada um começou a abrir algum tipo de mercadinho. Quase toda casa vende alguma coisa”, conta.

Acidente

Um fato marcou a história do vilarejo. Segundo o morador e dono do restaurante Moronguetá, localizado na vila, João Prestes, 56, um acidente envolvendo a Petrobrás mudou a vida dos moradores. “Foi em 1999. Uma tubulação que pertencia à estatal rompeu causando derramamento de óleo nos três lagos que rodeiam a vila. Uma ação foi movida contra a empresa para ressarcimento dos prejuízos”, relata o morador.

De acordo com João, a empresa foi obrigada a investir no vilarejo. “Com um investimento de R$ 600 mil eles ergueram o posto de saúde, construíram um poço artesiano e fizeram o centro social que funciona para a capacitação e para esportes”, detalha.

Apesar dos investimentos, a vila não é feliz por completo. Embora tenha vantagens em relação a outros bairros como segurança e proximidade entre os moradores, itens como a falta de saneamento básico, incomodam as famílias do local.

Outra pendência que afeta as famílias da vila é a insegurança em relação à construção do Porto de Siderama, na área do Distrito Industrial, que obrigaria as famílias a se retirar do local. Uma ação corre na justiça para garantir a permanência dos moradores.