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Flanelinhas cobram taxa exorbitante e ilegal de motoristas da Ponta Negra

Eles desafiam a presença da Polícia Militar, Guarda Municipal, atrapalham o trabalho dos agentes de trânsito e expõem os condutores ao constrangimento

Após a revitalização da Ponta Negra, o número de frequentadores aumentou, assim como o de flanelinhas nas ruas

Após a revitalização da Ponta Negra, o número de frequentadores aumentou, assim como o de flanelinhas nas ruas (Evandro Seixas)

A segunda etapa do Complexo Turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste, foi tomada pela ação sem controle de flanelinhas, aos finais de semana, que cobram ilegalmente R$ 10 antecipado do condutor que tenta estacionar em local público.

Eles desafiam a presença da Polícia Militar, Guarda Municipal, atrapalham o trabalho dos agentes de trânsito que tentam ordenar o fluxo e expõem os condutores ao constrangimento com a cobrança, que pode ser considerada extorsão.

Eles lotearam o recuo público para estacionamento na margem direita da avenida Coronel Teixeira, próximo às quadras da segunda etapa do complexo. A cada duas árvores, há um flanelinha. O espaço foi dividido entre eles e se qualquer outra pessoa “invadir a área alheia” gera discussão acalorada.

Famílias inteiras que chegam de carro à Ponta Negra são imediatamente abordada, na maioria das vezes, antes mesmo de descer do veículo. “Não dá para aceitar que num espaço tão bonito como a Ponta Negra tenha esse tipo de coisa. Quero ver se a prefeitura não vai fazer nada quando os turistas da Copa do Mundo forem à Ponta Negra assistir o povo daqui ser cobrado por flanelinha onde não deveria”, destacou a universitária Aline Cristina Souza, 26.

Os flanelinhas agem em Manaus sem controle nenhum, na certeza da impunidade. Enquanto em cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro a Justiça, Ministério Público, polícias Civil e Militar, além de órgãos de trânsito realizam operações de combate à ação ilegal de flanelinhas, entendendo que as ruas são bens públicos e não podem ser “loteadas” com o agravante do crime de extorsão, Manaus ainda não tem nenhuma ação nesse sentido, coletiva ou individual.

Reféns

Em Belo Horizonte, o Código de Posturas da cidade proíbe a “atividade de flanelinha”. Em Manaus, no entanto, a população está refém da cobrança irregular, enquanto o poder público tem conhecimento do problema, mas não toma providência efetiva ou mesmo paliativa para acabar com a prática.

O complexo da Ponta Negra que, antes da inauguração, atraía milhares de pessoas somente nos finais de semana, teve o número de visitantes duplicado com a inauguração da nova área. A cobrança era vista com maior frequência nas demais regiões de Manaus, principalmente, no Centro, e migrou para o complexo. No Centro, quase não existe rua que não tenha a presença dos chamados “guardadores de carros” como os flanelinhas preferem ser chamados. “Ninguém merece. A gente paga tanto imposto e não pode parar na rua que tem flanelinha se achando o dono do quarteirão”, disse a administradora Patrícia Almeida, 33.

Competência do Manaustrans

A Ponta Negra é administrada pelo Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), observando as atribuições de cada órgão municipal. Conforme o instituto, a responsabilidade sobre o trânsito, consequentemente sobre os flanelinhas, é do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans).

O diretor-presidente do Manaustrans, Paulo Henrique Martins, disse que a cobrança de estacionamento na Ponta Negra é ilegal e não pode ser feita. Ele informou que os agentes de trânsito, agem no Centro, por exemplo, na operação “Vaga Legal”, retirando cones, cadeiras e baldes deixados pelos flanelinhas para guardar vaga de estacionamento.

Em alguns casos, o Manaustrans precisa pedir apoio da Polícia Militar. O órgão prometeu intensificar a fiscalização na Ponta Negra e orientou os condutores que se sentirem constrangidos ou entenderem que estão sendo extorquidos a acionar a PM e levar o caso à delegacia.

Aglavam não os representa

O diretor-presidente do Manaustrans, Paulo Henrique Martins, teve uma reunião com representantes da Associação dos Guardadores e Lavadores Autônomos de Veículos Automotores do Estado do Amazonas (Aglavam), na última quinta-feira, na qual também tratou sobre a ação de flanelinhas na Ponta Negra. A associação deixou claro que os flanelinhas da Ponta Negra não fazem parte da entidade.

Com relação ao Centro, a Aglavam defende que “o condutor não é obrigado a pagar nenhum valor para o flanelinha e, se o faz, é uma ação voluntária com a quantia que achar justa”. Porém, na rua, a realidade é diferente, uma vez que não é o condutor, e sim o flanelinha que determina o “preço” para estacionar em local público. Caso se recuse, ou sofre ameaça ou tem o veículo danificado, principalmente com arranhões.

A única cobrança que pode ser feita, conforme a associação, é quando o condutor pede que o guardador lave o veículo.