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Lixo e descaso avançam no Parque São Pedro em Manaus

Moradores do Parque São Pedro lamentam o descaso público com o tratamento da rede de esgoto que afeta diretamente o lago

Vias sem manutenção e a deficiência no transporte, também são alvos de reclamações

Vias sem manutenção e a deficiência no transporte, também são alvos de reclamações (Bruno Kelly)

Embora os indicadores de controle social apontem para o interior do Amazonas os piores índices em relação a saneamento básico, o Parque São Pedro, na Zona Centro-Oeste de Manaus, abriga um simbólico descaso público em relação ao tratamento da rede de esgoto. Moradores do bairro são unânimes em lamentar que todo tipo de lixo seja despejado na lagoa, que é o coração do bairro, sem nenhuma intervenção eficaz dos órgãos de fiscalização para evitar os danos ambientais.

A lagoa é famosa desde o início da organização da comunidade que teve origem numa invasão há mais de 15 anos. O local, a princípio, foi chamado de “Invasão da Carbrás”, em alusão ao antigo dono do terreno, e a lagoa foi nomeada de “Piscinão de Ramos”. O lago ganhou o apelido porque no momento em que a invasão era consolidada estava no ar na televisão, em 2001, a novela “O Clone” e um dos núcleos se passava na praia artificial instalada na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Descaso

O lago se tornou popular por ser a única opção de lazer de quem se aventurou na Carbrás por um espaço de terra para construir uma moradia. A invasão foi ampliando, assim como a união dos moradores que lutaram para formalizar o local como bairro junto à Prefeitura de Manaus e conseguir, assim, acesso à infraestrutura.

O comerciante Ademar Brito, 40 anos, tem na memória parte dessa história. Há oito anos é proprietário de um bar à beira do lago do Parque São Pedro. “Isso aqui é um dos maiores crimes ambientais da cidade de Manaus. O lago do Parque São Pedro é o coração do bairro, aqui tem vida, tem nascente. Mas virou um caixa de gordura a céu aberto”, declarou.

A comparação de Ademar Brito faz sentido e ele faz questão de mostrar a quem chega no local “as armas do crime ambiental”. O comerciante conta que quando o bairro foi urbanizado, os problemas do “piscinão” se agravaram. “Tudo foi canalizado pela prefeitura para a lagoa e sem nenhum tratamento. As águas da chuva e vem com todo tipo de lixo. Dejetos sem tratamento também vem parar aqui. Esse é um lugar bonito, tem até nascente de igarapé aqui. Acho que o lago ainda tem jeito de ser recuperado, mas ninguém se importa. A prefeitura e o governo vieram urbanizar e fizeram foi piorar as coisas para a lagoa”, disse.

Para o morador, se o descuido com o “Piscinão” piorar, outros bairros próximos e unidades de saúde estarão ameaçados. “Você imagina que isso aqui vai virar o maior criadouro de dengue da cidade, só para começar”.

Transporte público deficiente

Moradoras antigas e novas do Parque São Pedro reclamam que o transporte público oferecido a um dos bairros mais populosos da zona Oeste é deficiente de segunda a sexta e nos finais de semana piora.

A artesã Aline Melize, 25, é filha de uma das primeiras moradoras da comunidade. Ela afirmou que durante a semana passa até uma hora na parada e declara resignada com o serviço: “Mas pelo menos passa. Nos finais de semana é terrível a demora”, declamou.

A atendente Gabriela Leite, 24, também reclamou do transporte público. Elas afirmam que toda a comunidade é atendida com apenas duas linhas de ônibus que entram no bairro. Por causa disso, os moradores enfrentam longas esperas e coletivos lotados.