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Falta de médicos no AM: Desabafo de Omar repercute

Secretário de Saúde lamenta burocracia para médicos ‘estrangeiros’ e CFM considera critérios do MEC para novas escolas ‘insuficientes’

Secretário estadual de Saúde Wilson Alecrim

Para o secretário estadual Wilson Alecrim, abrir espaço para profissionais estrangeiros é uma saída para a crise no Estado (Audimar Arruda)

Ecoou por todos os setores da Saúde a declaração do governador Omar Aziz de que, no Amazonas, morrem tantas pessoas por dia quanto em Santa Maria (RS), onde mais de 230 estudantes morreram após um incêndio na boate Kiss. Em linguagem figurada, Omar usou os efeitos da tragédia para dar uma dimensão do número de pessoas que morrem diariamente no Amazonas, por falta de atendimento médico.

O secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, confirmou a grande carência de profissionais no mercado, principalmente de especialistas. “Não existem médicos formados e especialistas em quantidade suficiente para ocupar todos os postos. E nem adianta tentar trazer de outros Estados porque esse é um problema que está afetando o Brasil inteiro”.

Para Alecrim, somente um decisão do Governo Federal, abrindo o mercado para profissionais de outros países, poderia suprir a carência de médicos. No momento, a burocracia é tamanha que, segundo ele, poucos têm a chance de conseguir liberação para trabalhar no Brasil. “Uma prova nacional, coordenada pelos conselhos regionais, aprova no máximo 10% dos profissionais que se candidatam a trabalhar no Brasil. Um médico que se forma no Brasil pode trabalhar 48 horas depois de passar pelo conselho regional, enquanto o que vem de outro país, por mais qualificado que seja, tem pouquíssimas chances de ser aceito”, disse.

Nesta quarta-feira (06), o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Vianna, anunciou que, nos próximos dias, vai promover uma audiência pública para discutir a contratação de médicos estrangeiros e a redistribuição dos profissionais no Amazonas.

De acordo com Vianna, outra questão que preocupa o sindicato é a visão distorcida de algumas autoridades, que acreditam na possibilidade de atender o interior com especialistas, sem que esses locais ofereçam a estrutura necessária. “O interior e as grandes cidades precisam de referências, atenção básica com cobertura de 70% da população e uma gestão profissional com controle social. A maioria dos municípios do Brasil não oferece condições para a atuação de um especialista”, afirmou. O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Jeferson Jesini, não quis se pronunciar por telefone. Ele estava viajando.

NOVOS HOSPITAIS

A carência de médicos também preocupa o presidente da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), Nelson Fraiji. “Neste semestre será licitada a obra do Hospital do Sangue e já estou preocupado com o corpo médico. Temos apenas 12 hematologistas no Estado”.

Na segunda-feira, Omar Aziz anunciou para este ano a construção do hospital e pronto-socorro da Zona Norte, que será, segundo ele, o maior do Amazonas. O anúncio das duas unidades abre uma “temporada de caça” a profissionais da Medicina.

Sindicato defende plano de carreira

A contratação de médicos estrangeiros para atuar no interior da região Amazônica levou o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, a agilizar a proposta de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) e na Câmara Municipal de Manaus (CMM) para discutir o assunto.

Mario Vianna lamenta que seja preciso apelar a esse tipo de recurso para resolver um problema que não tem razão de existir. “Infelizmente a saúde pública das capitais, periferias e interiores dos estados, vivem o caos e verdadeiras catástrofes diárias há mais de 20 anos. Vamos nos mobilizar por soluções concretas e definitivas, como a Carreira de Estado e Piso Nacional, de R$ 10.412,00 por 20 horas semanais de trabalho e, para dedicação exclusiva, pelo menos o dobro. Essa carreira deverá acontecer por concurso, tendo como porta de entrada exatamente as localidades de difícil provimento de médicos”, declarou Mario Vianna.

Segundo Vianna, a audiência pública é necessária para ampliar o diálogo das entidades médicas e da categoria com a classe política do Estado, que precisa conhecer o cenário de atuação do profissional.

CFM critica critérios do Ministério

O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto d’Ávila, considerou os critérios do Ministério da Educação (MEC) para a abertura de novos cursos de Medicina insuficientes para resolver o problema da desigualdade na distribuição de médicos pelo País.

Apesar de ter avaliado a medida como positiva, d'Ávila acredita que somente a criação de uma carreira de Estado para o médico no Sistema Único de Saúde (SUS) e uma política de interiorização da assistência em saúde garantem a fixação de profissionais nas áreas de difícil provimento.

“Essa é uma medida que pode ajudar, a longo prazo, mas não podemos esquecer da qualificação do corpo docente dessas escolas”.

Segundo o presidente do CFM, é muito difícil levar um corpo docente qualificado para o interior de alguns Estados e garantir o acesso dos estudantes a hospitais de ensino com infraestrutura adequada.

Segundo ele, o aspecto positivo do anúncio é que ele oferece argumentação técnica capaz de se contrapor a interesses meramente econômicos e políticos de alguns grupos, que até então têm prevalecido. “A abertura indiscriminada de cursos, especialmente privados, é uma preocupação do CFM. Não somos contrários desde que seja comprovada a necessidade social, ocorra o preenchimento de todos os critérios do MEC e exista a garantia da qualidade de ensino, com vagas para a residência médica”, concluiu.