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Jornalista resolve limpar parada de ônibus que foi pichada menos de 24 horas após ser inaugurada

O bairrismo e a indignação de George Guerreiro falaram mais alto quando ele se deparou com uma imagem da nova Ponta Negra, reaberta no último domingo (22), já alvo de vandalismo: a revolta o levou ao local munido de produtos de limpeza e amparado pelo apoio de pessoas que presenciavam a cena

George Guerreiro demorou uma hora e 45 minutos para limpar por completo uma parte da para de ônibus recém-inaugurada na Ponta Negra

George Guerreiro demorou uma hora e 45 minutos para limpar por completo uma parte da para de ônibus recém-inaugurada na Ponta Negra (Arquivo Pessoal)

Na semana do Natal, é natural que os corações das pessoas estejam sensibilizados em ajudar quem precisa. Mas não foi só o clima de festas que mexeu com o jornalista George Guerreiro ao se deparar, nesta segunda-feira (23), com uma cena que ele considerou absurda. E quem precisou de ajuda, desta vez, não foi uma pessoa, e sim a cidade. Indignado com a nova parada de ônibus que amanheceu pichada no recém-inaugurado Complexo Turístico da Ponta Negra, na Zona Oeste de Manaus, em menos de 24 horas, o repórter do programa esportivo Craque na TV, da TV A Crítica, resolveu limpar o local ele mesmo. "Não podia ver aquilo e ficar parado", conta.

Auto-denominado bairrista ferrenho, foi a paixão por Manaus que comoveu George, de 24 anos. "Quando vi uma publicação (na rede social Facebook) que mostrava a parada da nova Ponta Negra já pichada, achei um absurdo e pensei que alguém teria que tomar uma providência", afirma o repórter. Foi quando ele teve a ideia de convidar alguns amigos para irem juntos ao local e promover uma limpeza rápida e coletiva. Porém, ao chegar lá no horário combinado, às 18h de segunda mesmo, não apareceu ninguém.

George diz que, já que estava lá, não ia ficar sem fazer nada. Num mercadinho do bairro Santo Agostinho, ele comprou alvejante, esponja de aço, um sabão em pó pequeno e uma jarra d´água, que ele encheu com água do Rio Negro. "Desci até o rio três vezes para poder pegar água suficiente para lavar a parada", lembra o jornalista, que afirma não ter tido vergonha da experiência: "Foi interessante e cumpri meu objetivo, que era chamar atenção da população". 

As frases de apoio de famílias - adultos e crianças - que passavam pelo local durante a limpeza foram motivações suficientes para fazer com que George aguentasse uma hora e 45 minutos de "trabalho". "As pessoas passavam, elogiavam a ação e até aplaudiam. Algumas pessoas me ofereciam água, mas apenas um rapaz parou realmente para me ajudar a jogar água, mas foi bem rápido", acrescenta. 

Declarado manauara fanático, George ficou incomodado com a falta de educação e respeito demonstrado "por algum marginal que não deve ter um pingo de senso de cidadania", como ele classificou, em zelar por um patrimônio público que tinha acabado de ser aberto para a população. "Nessa situação, tenho certeza que a parada ia ficar daquele jeito por um bom tempo se ninguém tomasse uma providência. Eu, enquanto cidadão, não consegui ficar parado", relata, dizendo que poderia muito bem ter feito a ação anonimamente, mas preferiu mostrar a cara, numa espécie de reprovação a atos de criminalidades contra patrimônios públicos e particulares. "Estava no meu direito, mesmo sabendo que era perigoso", completa.

Após a limpeza, George postou algumas fotos e uma mensagem em seu perfil do Facebook, que logo foi curtido, comentado e compartilhado por diversas pessoas e páginas locais, principalmente as que se referem a Manaus. Ele afirma que não imaginou as proporções que isso tomariam, mas fica feliz pelo reconhecimento - inclusive o do prefeito Artur Neto, que o convidou até seu gabinete para uma conversa. "Fico feliz, também, por conseguir chamar atenção da população para esta atitude, que deveria ser mais difundida. Confesso que gostei de servir como exemplo".

Em sua postagem, o jornalista lembrou do custo total da revitalização da Ponta Negra (R$ 27,5 milhões, que saiu "de cada contribuinte manauense"). "Fiz minha parte como cidadão e (...) não compactuo com esse ato criminoso", escreveu, dizendo que sua própria casa havia sido pichada no começo deste ano. "Eu sei que essa minha atitude não resolveu nem 0,01% do vandalismo que tem em toda nossa cidade, mas que sirva de exemplo pra muita gente. Passe a diante", finalizou.