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Após realocação de camelôs, história de Manaus vem à tona

Arquitetura da cidade pode ser observada sem as 650 bancas de vendedores ambulantes na avenida Eduardo Ribeiro e na Praça da Matriz. Prédios como o da antiga Drogaria Rosa e dos Correios refletem passado suntuoso 

O prédio da antiga Drogaria Rosa, na esquina da rua Quintino Bocaiúva, é um dos mais antigos do Centro da cidade

O prédio da antiga Drogaria Rosa, na esquina da rua Quintino Bocaiúva, é um dos mais antigos do Centro da cidade (Winnetou Almeida)

Bastou a saída de apenas 650, das 2.030 barracas de camelôs do Centro de Manaus, para que começasse a se rasgar o negro véu que encobria parte do patrimônio histórico da cidade. Retratos de um período glamoroso, instituído quando a capital amazonense era sede do maior pólo produtor mundial de borracha (entre 1880 e 1910). Fachadas de prédios de estilo colonial e seus azulejos importados da Europa agora podem ser revistos na avenida Eduardo Ribeiro e a Praça da Matriz.

Ainda falta muito, mas desde o início da revitalização do Centro, com o resgate histórico das praças e do entorno do Teatro Amazonas, pelo Governo do Estado, começou o elo de ligação memorial com a saudosa Manaus Belle Epóque.

Apesar do isolamento por tapumes, já é possível vislumbrar, de longe, a suntuosa fachada da Catedral Metropolitana de Manaus (construída, originalmente, em 1786). Voltada para o Rio Negro, era nossa principal recepcionista de visitantes curiosos, interesseiros e aventureiros. Se completadas as obras, prepare-se para admirar, sem obstrução, a velha fonte fabricada por escoceses e instalada no entorno da Matriz em 1898, e a via sacra, descrita em azulejos portugueses.

O fim da poluição visual libertou da quase obscuridade o Relógio Municipal, relíquia encomendada a uma relojoaria suíça em 1930, pelo intendente José Francisco Araújo de Lima. Feliz da vida está Fausto Sado, 57, representante da família que, há 67 anos cuida do patrimônio. “Agora, este patrimônio, que estava escondido, vai chamar mais a atenção dos turistas”, destaca Sado.

Na continuação da avenida Eduardo Ribeiro, próximo ao relógio, dois dos prédios erguidos no início do século, agora podem “mostrar a cara”: o dos Correios, nas esquinas com as ruas Theodoro Souto e Marechal Deodoro, e a antiga Drogaria Rosa, esquina com a rua Quintino Bocaiúva, hoje uma loja de confecções. Aliás, os dois prédios convivem com duas realidades diferentes. Nas laterais dos mesmos nada mudou: os camelôs continuam e só vão ser retirados na segunda fase do projeto.

O prédio dos Correios é outro que ganhou destaque com a retirada dos camelôs

Outra relíquia “descoberta” são algumas luminárias seculares na avenida Sete de Setembro, que pensava-se que só tinham sido resgatadas as do entorno do Teatro Amazonas. Lembrança concreta dos tempos em que Manaus se marcou como a primeira cidade brasileira a ter rede de energia elétrica e construir um sistema de bondes.

Abandono

A riqueza gerada pelos bons tempos da exploração da borracha era refletida na construção de imponentes casarões e monumentos na pequena mas altiva Manaus. Sem falar nas grandes companhias de teatro e de musicais franceses que chegavam aqui, sem escala. Infelizmente a farra acabou. Veio a derrocada da economia cabocla que, até então, havia surpreendido a indústria automobilística européia.

Não demorou a se conviver com fachadas descaracterizadas, excesso de cartazes e placas, além de camelôs por todos os lados. E deu no deu. Manaus acabou entrando no “bondinho” de todas as demais capitais portuárias do Brasil. Os moradores não resistiram à modernidade sócio-econômica e trocaram os centros históricos, por espaços comerciais mais rentáveis, e moradias mais seguras.

O Centro ficou abandonado e perigoso, com a presença de quem não tinha qualquer compromisso com o patrimônio. Nos últimos anos, grande parte dessa perda tem sido resgatada pelo Governo do Estado. Vários logradouros centenários foram completamente restaurados e abertos ao público.