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Acrítica.com

Multimídia

Conhecimentos multidisciplinares é o caminho para as universidades no mundo

O tema foi debatido nesta terça-feira (29), no encerramento, do 3º Encontro de Reitores da Rede Universia, no Centro de Convenções do RioCentro, no Rio de Janeiro

Reitor da UEA, Cleinaldo Costa, considerou fantásticas as trocas de experiências trazidas pelo evento

Reitor da UEA, Cleinaldo Costa, considerou fantásticas as trocas de experiências trazidas pelo evento (Gerson Severo Dantas)

A Universidade do terceiro milênio deverá produzir conhecimentos multidisciplinares se quiser resolver graves problemas do meio ambiente, como o aquecimento global e produção na economia sustentável. O tema foi debatido ontem, no encerramento, do 3º Encontro de Reitores da Rede Universia, no Centro de Convenções do RioCentro, no Rio de Janeiro. “Esses problemas não serão resolvidos se continuarmos tratando-os, do ponto de vista científico, de modo compartimentalizado”, alertou o reitor da Universidade Federal do Ceará, Jesualdo Pereira Farias, que coordenou o debate. “É preciso ter diferentes abordagens, abordagens multidisciplinares”, afirmou.

Jesualdo citou como exemplo da nova abordagem, a experiência que teve na Universidade de Israel no trato de um assunto essencial para o País do Oriente Médio. “Num laboratório multidisciplinar, eles tinham umas 30 pessoas debatendo o tema água, eram geógrafos, filósofos, cientistas sociais e gente da área mais técnica, da hidráulica e da hidrologia”, contou. “Nesse ambiente, muitas vezes, o pesquisador de uma área distante do problema pode contribuir bastante para o entendimento do problema e chamar a atenção do pesquisador da área mesmo para coisas que ele não vê. É uma experiência enriquecedora e será a chave para as questões do meio ambiente”, completou.

Outro aspecto abordado por Jesualdo remete a burocratização da administração públicas brasileira, que obriga as universidades a terem um discurso político em defesa do meio ambiente, mas ao mesmo tempo não exercitar esse discurso. “As universidades tem de ser e dar o exemplo nas nossas próprias instalações. Se nós vamos construir um laboratório, essa obra tem de ser completamente sustentável, mas para isso teremos de gastar mais e como nós reitores temos de contratar uma obra dessa pelo menor preço, como manda uma Lei das Licitações dos anos 80, nós fazemos o laboratório de maneira convencional. Portanto, temos um discurso diferente da nossa prática”, finalizou.

Alerta

Um dos ouvintes do debate, o Embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano, ponderou que politicamente as universidades e os povos da América Latina precisam ficar atentos ao discurso fácil dos povos desenvolvidos de defesa do meio ambiente. “Temos que pensar o meio ambiente para vivermos bem, não para ouvirmos o europeu, o norte-americano chegar aqui na Amazônia e dizer: não derrubem esta árvore”, afirmou o embaixador. Justiniano considera um “atrevimento” dos países ricos querer ensinar sustentabilidade aos povos da Amazônia. “Acho mesmo um atrevimento alguém que destruiu seu meio ambiente e consumiu todos ou quase todo os seus recursos naturais de maneira voraz, agora vir aqui ensinar o homem amazônico a cuidar da Amazônia, quando ele vem fazendo isso há 10 mil anos”, afirmou.

Para o embaixador, as universidades precisam produzir ciência e tecnologia ambientalmente adequadas para garantir o bem mais precioso: “O viver bem”. “O homem é sujeito e é objeto nesse trabalho”, afirmou.

Neste ponto, tanto o embaixador quanto o reitor da UFC concordaram que a universidade tem um papel importante a cumprir no uso sustentável dos recursos naturais, mas não são as únicas instituições a terem essa missão. “É um trabalho que deve ser feito em todas as etapas da educação, deve começar na pré-escola”, afirmou Jesualdo.