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Alface que cresce na água

Cultivo do produto hidropônico aumenta em Manaus e ganha mercado garantindo abastecimento contínuo e qualidade

Funcionária da Viva Hidropônica faz a colheita da alface no empreendimento, que conta com 3.700 metros quadrados de área produtiva

Funcionária da Viva Hidropônica faz a colheita da alface no empreendimento, que conta com 3.700 metros quadrados de área produtiva (Clóvis Miranda)

Até pouco tempo atrás, era comum ouvir que todas as hortaliças consumidas em Manaus vinham do Sul e do Sudeste. A afirmação ainda é verdadeira para a maioria das verduras, mas não para a alface, cuja produção cresce a passos largos a partir da técnica da hidroponia (cultivo na água). Grandes hortas já registram vendas expressivas na cidade, em áreas do bairro Jorge Teixeira e Puraquequara, na Zona Leste. Veja o desenvolvimento da cultura nesta galeria de fotos.

Um dos locais que concentra essas “fazendas urbanas” é a rua Marapatá (antigo ramal do Ipiranga), no Jorge Teixeira. Lá estão, por exemplo, as hortas Viva Hidropônica e Hidroverde.

De acordo com a gerente de produção da Viva Hidropônica, Isabel Pimentel, a empresa possui dois empreendimentos na Zona Leste, que vendem dez toneladas de alface hidropônica por semana. Os principais clientes da empresa são os supermercados da rede DB e Carrefour, cozinhas que fornecem refeições para o Polo Industrial de Manaus (PIM), lanchonetes e restaurantes.

“A vantagem da hidroponia é que a produção não para por causa das condições climáticas, ao contrário do que ocorre com o plantio no solo. Além de o produto não faltar no mercado, ele é bem mais crocante e saudável”, diz Isabel.

O ciclo de produção da alface hidropônica dura, em média, 45 dias, e pode ser feita sobre telhas ou canos abastecidos por reservatórios de água. Nesses reservatórios é inserida uma solução nutritiva, que circula por toda a produção. “O custo é menor porque o adubo que colocamos na água é reaproveitado pelos galpões. Já no solo o adubo é absorvido e não retorna mais”, explica a gerente.

O presidente da Federação da Agricultura do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, afirma que vários produtores de alface hidropônica já conseguem uma produtividade 30% superior em relação à produtividade obtida a partir do solo. “A hidroponia ainda está crescendo e tende a ser uma a prática alternativa e cada vez mais consolidada, pois pode-se  produzir grande quantidade de alimentos em pequenas áreas”, ressalta.

Nos supermercados


Em alguns supermercados, já é possível notar a exposição da alface com o mesmo sistema usado nas hortas, ou seja, com canos alimentados por água. Um desses estabelecimentos é o Hiper DB da avenida Jornalista Umberto Calderaro Filho (antiga Paraíba). “Temos alface hidropônica em quase todas as lojas e as vendas têm crescido. O custo dos produtores é mais adequado ao mercado local”, diz o gerente de marketing do grupo DB, Guto Corbett.

Guto explica que depender da produção do Sudeste eleva o preço final dos alimentos, que antes só podiam chegar por meio do transporte aéreo, e ainda traz o risco do desabastecimento em períodos de chuva no Sudeste - fator que também encarece os hortifrutis.

Experiências com agrião e manjericão


A hidroponia também é aplicada para a produção de outras verduras, como o agrião e o manjericão, que são cultivados na Viva Hidropônica. No entanto, até agora a alface é o principal produto das hortas.

Na empresa Hidroverde, onde são realizados testes com agrião, a alface é o unico alimento cultivado em grande escala. Por semana, o empreendimento vende aproximadamente dez toneladas para empresas como Carrefour, Habib’s e cozinhas industriais. “Antigamente atendíamos o consumidor aqui na porta, mas a produção cresceu nos últimos anos. Estamos fechando contrato com outras redes de supermercado”, conta a gerente Cilene Lopes.

A Viva Hidropônica e a Hidroverde produzem diversas espécies de alface. Dentre elas estão a roxa, a mimosa e a americana. “Estamos estudando quais espécies se adaptam melhor ao clima”, afirma Isabel.

Carência de mão de obra

Uma das dificuldades enfrentadas por este setor em expansão é a carência de técnicos agrícolas com conhecimento em hidroponia. De acordo com Cilene, a empresa já tentou contratar profissionais mas não conseguiu. “O proprietário da empresa, Paulo Hamada, já tinha conhecimento técnico e foi se aperfeiçoando ao longo dos anos. É ele que faz o monitoramento da produção”, diz.

Outro gargalo é o preço dos insumos nas lojas locais. Cilene explica que é mais barato trazê-los de São Paulo do que comprar os nutrientes em Manaus.