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Jesus me Deu: à espera do reconhecimento

Comunidade que surgiu de uma invasão há 14 anos quer ser reconhecida oficialmente como bairro


Comunidade recebeu obras de infra-estrutura, mas falta espaços públicos de convivência para o lazer dos moradores

Comunidade recebeu obras de infra-estrutura, mas falta espaços públicos de convivência para o lazer dos moradores (Bruno Kelly)

A comunidade Jesus Me Deu, localizada na Zona Norte, é fruto de uma invasão nos limites da comunidade Santa Marta, no bairro Novo Israel, com acesso pela avenida Torquato Tapajós. Pouco mais de 14 anos depois que os primeiros moradores ocuparam irregularmente a área verde que se transformou em comunidade em meio a conflitos, a população daquela área sonha em ter o título de bairro.

A comunidade é cheia de ladeiras e de casas simples onde é possível atar uma rede na frente da residência e dormir sem preocupação como afirma da doméstica Maria de Fátima, 45. Hábito que há anos muitas pessoas deixaram de fazer por conta da violência. “Mesmo com algumas reclamações aqui é bom para morar”, destacou.

Ao contrário de bairros oficiais que ainda são carentes de serviços públicos, a comunidade Jesus Me Deu recebeu ao longo da última década pavimentação asfáltica, rede de abastecimento de água e energia elétrica, além de escolas municipais e estaduais e uma unidade básica de saúde (UBS).

Embora os serviços existam, a dona de casa Arinelza Oliveira Costa, 35, conta que alguns deixam a desejam, principalmente, o de abastecimento de água. “Tem dias que passamos até três dias sem água da torneira porque existem muitas ladeiras e a água não tem pressão”, disse. Arinelza e outros pagam R$ 30 por mês para um morador que tem poço artesiano e fornece o bem por meio de mangueiras e canos expostos na rua que vão para as casas.

O marmorista Norberto Coelho, 50, é um dos primeiros moradores da comunidade e explicou que o nome Jesus Me Deu surgiu em meio aos conflitos de reintegração de posse na área. “O povo invadiu e bateu o pé que não iria sair e passou a dizer que para essa área foi Jesus que me deu e ficou”, disse. Ele lembra que o terreno era tomado por verde que foi sendo substituídos por barracos e atualmente tem o mesmo aspecto que qualquer outro bairro com construções de alvenaria e madeira.

A queixa mais comum entre os moradores é que não existe nenhuma praça ou espaço de lazer na comunidade, o que faz com que a “criançada” utilize as pistas de asfalto para jogos de futebol e brincadeiras.

Oficial

Existem 63 bairros em Manaus reconhecidos pela prefeitura, além de várias comunidades consideradas integrantes de outros bairros. Em 2010, a lei nº 1.401, criou sete novos bairros na cidade (Nova Cidade, Cidade de Deus, Novo Aleixo, Gilberto Mestrinho, Lago Azul, Tarumã-Açu e Distrito Industrial II).