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Em Manaus, comunidade Tikuna celebra Natal com culto e ceia

Convertida ao cristianismo, comunidade Tikuna, que vive há 20 anos em Manaus, comemora Natal sem adotar o Papai Noel


Vice-cacique Bernardino Pereira diz que haverá troca de presentes para comemorar nascimento de Jesus Cristo

Vice-cacique Bernardino Pereira diz que haverá troca de presentes para comemorar nascimento de Jesus Cristo (Bruno Kelly)

A noite de Natal da comunidade indígena Tikuna, moradora do bairro Cidade de Deus, na Zona Leste de Manaus, será de oração em agradecimento a Deus pelo nascimento de Jesus Cristo e depois disso, haverá troca de presentes e momentos destinados a alimentação. Convertida ao cristianismo, a comunidade vive em Manaus há cerca de 20 anos e a exemplo de outras na capital, adotou os costumes e os hábitos dos brancos. Não há, no entanto, espaço para o Papai Noel, que não é adotado pelos indígenas para presentear as crianças, mas estas não ficam isoladas. São estimuladas a brincar e a participar de jogos.

A Associação comunidade Wotchimaucu, formada por 10 famílias e cerca de 120 pessoas, está instalada próxima à reserva Ducke, uma área verde que vem sendo preservada por estar demarcada como reserva ambiental. Isso é considerado bom pelos indigenas, que há muito abandonaram as comunidades e aldeias na zona rural do Estado, onde havia a oportunidade de viver mais próximo da natureza. Em Manaus, foram obrigados a mudar de costumes, sem deixar de valorizar as raízes. A língua é repassada às crianças, numa tentativa de fazer com que elas não percam o vínculo com as aldeias. Elas aprendem ainda as brincadeiras praticadas nas comunidades do interior, conta o vice-cacique Bernardino Almeida Pereira, 51.

Conversão

A adoção da fé evangélica representou mudanças significativas na vida e cultura daquele povo. “Como somos convertidos à igreja cristã, fazemos um culto de agradecimento a Deus pelo nascimento de Jesus Cristo e pelo novo ano”, disse Bernardino, reconhecendo as diferenças das festas tradicionais do seu povo e as realizadas atualmente. Para ele, no entanto, não há o que reclamar, afinal a vida mudou e é preciso viver este momento. “Nós estamos muito bem e felizes com a nossa igreja”, assegura. Na comunidade, onde eles buscam manter costumes como a produção de artesanato para geração de renda, atividade levada adiante principalmente pelas mulheres.

As celebrações do Natal serão simples, assim como os alimentos a serem consumidos. “Nada de luxo, nem de requinte, mas apenas um momento especial para se lembrar daquilo que marca o Dia de Natal, que é o nascimento de Jesus”, explica. Haverá a troca de presentes, mas sempre buscando entregar coisas simples, que não demandem muito dinheiro. O importante, segundo o cacique é comemorar o dono da festa e para isso, não precisa luxo, mas simplicidade e oração.

Saterés farão ceia de Natal e brincadeiras

O Natal da comunidade I’apyrehy’t, da etnia Sateré-Maué, instalada há 18 anos no Conjunto Santos Dumont, bairro da Redenção, Zona Centro-Oeste, será de ceia à meia noite com troca de presentes e a conhecida brincadeira de amigo oculto. Papai Noel não tem lugar entre a comunidade sateré, que prefere não usar essa figura estilizada dos brancos.

Como a ceia, que é composta de alimentos comuns, e a troca de dos presentes vai acontecer no Natal, André diz que a comunidade se prepara para celebrar junto o Ano Novo e nesse momento, serão realizadas várias atividades. “Vamos reunir as nossas crianças e jovens para fazer brincadeiras, jogos e muita diversão”, contou André, que destaca o fato de muitas diversões serem inventadas ou originárias das aldeias. A busca pelo que é nativo revigora a comunidade e só assim, o Natal será uma grande festa”, acredita.