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Fundador da TVLar, José Azevedo diz: ‘Estamos trabalhando para mais 50 anos’

Fundador do Grupo TV Lar, que este mês completa 50 anos e emprega atualmente três mil colaboradores, revela como  preparou a empresa para enfrentar os desafios de um mercado em ebulição


José Azevedo é casado com Zuila Azevedo, tem quatro filhos e sete netos

José Azevedo é casado com Zuila Azevedo, tem quatro filhos e sete netos (Winnetou Almeida)

Meio século. Tempo suficiente para construir um império e preparar a mão-de-obra para tomar conta de um legado que já tem muitas histórias para contar. Esse é apenas mais um dos desafios do empresário José dos Santos da Silva Azevedo, 81, dono do Grupo TV Lar, que este mês comemorou 50 anos de existência. O segredo  para um negócio como esse perdurar por tanto tempo, Azevedo conta nesta entrevista ao jornal A Crítica.

Nascido em Portugal, mas brasileiro por opção, José Azevedo é uma figura representativa no meio comercial manaura. Filho de um brasileiro com uma portuguesa, o empresário chegou ao Amazonas com pouco mais de um ano, em 1934. Mas os dias por aqui não foram tão fáceis. Aos três anos, ficou órfão de mãe e foi criado pela avó paterna, pois o pai optou por construir uma nova família, em Nhamundá.

“Aquela foi uma época de muita luta. Minha avó criou  eu e minha irmã com muito esforço, porque meu pai foi embora e pouco aparecia. Ela também ficou viúva muito jovem, então teve que lavar roupa  para nos educar. Apesar disso, nunca passamos fome”, conta.

Azevedo lembrou ainda que várias vezes chegou a andar descalço pelas ruas do centro para entregar as roupas que a avó lavava para a clientela. Mas o falta de recursos, em nenhum momento, foi empecilho para ele sonhar com dias melhores. “Minha avó trabalhou até o último dia de vida dela porque queria nos dar o melhor. Nunca estudamos em escola pública, por exemplo, porque ela fazia questão que estudássemos em colégio particular, porque ela achava que o ensino era melhor”, destacou.

 Para ele, a educação rígida dada pela avó foi um dos pilares que o fez chegar mais longe. Confira os principais trechos da entrevista:

O senhor perdeu a mãe muito cedo e foi criado com uma das avós, longe do pai.  Apesar de todas as dificuldades, o que faz do senhor um empresário de sucesso?

Fui criado com muita rigidez. Essa formação, a educação de casa e da escola forjaram o meu caráter. Eu aprendi que o saber, o conhecimento, não ocupa lugar e o que está na nossa cabeça, ninguém pode tirar. Isso foi muito importante para o desenvolvimento da a minha vida empresarial.

O grupo TV Lar já virou uma marca registrada no comércio local. Este ano completam 50 anos. Como essa história começou? É verdade que o senhor abriu mão de uma indenização para começar o seu próprio negócio?

Verdade. Eu comecei com 14 anos, fazendo serviços de casa, como pinturas  de parede, trabalhos com cimento. Com 17 anos, fiz um curso de eletrônica e fui trabalhar na oficina do seu Antônio M. Henriques, consertando rádios. Nessa época eu estudava contabilidade e depois de três anos, pedi uma oportunidade para trabalhar no escritório da oficina, mas o seu M. Henriques não autorizou.  Depois de sete anos, a oficina fechou porque ele quis investir em outra área, mas eu preferi receber a minha indenização em ferramentas, no valor correspondente, e assim tive a oportunidade de abrir o meu primeiro negócio. Depois disso, nunca mais fui empregado.  

Em que momento da sua vida o senhor descobriu esse talento para o empreendedorismo? Existe algum segredo para se manter tanto tempo no mercado?

Eu sempre tive o olhar empreendedor e de liderança, mesmo quando criança. Exemplo disso foi que cheguei a participar e liderar o grupo de Teatro  Juvenil dos Capuchinhos, por sete anos, durante a adolescência.

O grupo TV Lar possui 28 lojas, sendo cinco delas no interior do estado, além do Manaus Plaza Shopping e a parceria com a Yamaha. O que mais a empresa está preparando para os próximos anos?

Estamos trabalhando para mais 50 anos! Temos aqui dentro três gerações: a minha, quando comecei sozinho, com apenas uma portinha. Naquela época, eu não tinha apoio de ninguém, a minha esposa cuidava só da casa e os meu filhos ainda eram muito pequenos. A segunda geração começa quando os meus filhos vieram trabalhar comigo. Os preparei para isso e eles nunca precisaram pedir emprego de ninguém. Já a terceira é a que está começando agora, com a minha neta mais nova, a Bárbara Azevedo, de 19 anos (com o avô e a mãe, Rosa Azevedo, na foto acima). É ela quem vai incentivar os outros netos a virem para cá também. O primeiro passo já foi dado.

O grupo ainda vai crescer?

Sim, sem dúvida. Para você ter uma ideia, hoje temos lojas em Manacapuru, Codajás, Presidente Figueiredo e Coari e já estamos estudando o mercado para ampliar a nossa marca, o nosso compromisso com a comunidade. Mas isso ainda estamos estudando com calma. Como falei, estamos trabalhando para mais 50 anos, 100 anos. A ideia é que a nome permaneça.

Quantos empregos estão sendo gerados pelo grupo TV Lar? 

As lojas TV Lar possuem,  hoje, cerca de 950 funcionários diretos. Mas além das lojas, também temos a representação da Yamaha, o Manaus Plaza Shopping e uma fábrica de colchões. Ao todo, são mais de três mil famílias beneficiadas e que dependem desse negócio.

Qual a sua aposta de negócio para a Copa do Mundo? Vai ter alguma novidade?

Não. Qual é o produto de maior interesse nessa época? A televisão é claro. E são tevês  50  ou 60 polegadas, porque todo mundo quer  assistir em grupos, com a família.

É muito difícil manter uma empresa familiar viva por muito tempo, principalmente numa época em que a economia não anda “bem das pernas”. Mas o senhor fez a sua aposta, que deu certo até hoje. Qual foi o diferencial?

Nós temos um compromisso com a comunidade e o erro da maior parte dos empresários é não preparar os seus sucessores. Se o dono morre, a empresa morre também. É importante ter alguém que possa dar continuidade a um trabalho que levou uma vida para ser construído. O nosso diferencial foi esse, preparamos e estamos preparando aqueles que vão dar continuidade ao trabalho por mais um século.

Falando em dificuldades econômicas, o senhor acredita que é possível a economia amazonense se reinventar, diante das constantes ameaças e o impasse de prorrogação que a Zona France tem sofrido?

A economia não está bem. O nosso gerador de recursos, que é o Distrito Industrial, só tem mais nove anos de vida.  Nenhuma indústria que venha, para cá e que tenha que fazer investimentos, vai se aventurar se  não houver prorrogação. Porque com nove anos não dá para tirar o investimento. A coisa está parada. A presidenta (Dilma Rousseff)  prometeu na inauguração na ponte Rio Negro,  mais 50 anos, porém  o projeto ficou parado. Independente disso, a guerra fiscal é outro problema, porque se não houver  vantagens comparativas, a sobrevivência da Zona Franca vai ficar muito difícil, porque nosso custo de logística é muito caro. Todo mundo está preocupado.

Na sua opinião, falta interesse político para de investir também no interior do Estado?

Precisamos de mudança. Hoje, todos nós dependemos do Distrito. Nós desprezamos o interior, lamentavelmente e ele está abandonado, já que as pessoas migraram  para a capital. O que não estamos vendo é que não se criou alternativas econômicas autosustentáveis e essas alternativas estão no interior do estado, em cima da nossa biodiversidade, das nossas matérias-primas. Temos que criar o produto para criar riqueza.

O senhor é muito ativo. Cônsul e Comendador de Portugal, membro de associações comerciais, vice-presidente Federação de Agricultura (Faea), além, é claro, dos compromissos das empresas do grupo. Como o senhor dar conta de tudo isso?

O homem tem que estar motivado. Quando ele perde a motivação, perde para morrer porque ele se sente inútil.  A motivação é importante para realizar algo na vida. E é isso que me mantém. Estou aqui todos os dias, religiosamente e faço questão porque é o meu compromisso.

O senhor é um empreendedor nato. Qual o conselho que o senhor pode dar para os jovens que desejam começar o seu próprio negócio?

Riqueza não se faz da noite paro dia. Tem que haver estudo, investimento. Tem que preparar o homem.