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A missa de Natal

Homilia vai tratar da dignidade humana, na esteira do tema da Campanha da Fraternidade de 2014: combate ao tráfico de pessoas


Arcebispo reza sua primeira missa de Natal à frente da Arquidiocese e revela preocupação com o sentido da festa

Arcebispo reza sua primeira missa de Natal à frente da Arquidiocese e revela preocupação com o sentido da festa (Luiz Vasconcelos)

De modos simples e fala mansa, ele lembra que o pregador deve ajudar as pessoas a descobrir o Deus que está ao lado delas, que se manifesta na brisa suave e que jamais abandona a humanidade. E quando se descobre isso, então se enxerga um mundo de solidariedade, de Deus encarnado, que é o mistério fundamental do Natal. Essa é a mensagem que o arcebispo metropolitano de Manaus, dom Sérgio Eduardo Castriani, pretende passar durante a homilia de sua primeira celebração de Natal à frente da Arquidiocese de Manaus, marcada para iniciar às 20h de hoje, na Catedral Metropolitana, Centro.

Embora os escritos sagrados sejam leituras contumazes, os preparativos para o discurso da noite são muitos e seguem um ritual, atualizado pelo papa Francisco ainda no início do ano: leitura, oração, reflexão, correlação com o momento vivenciado pela sociedade e valorização da fé.

“Primeiro, você tem que ler o texto sagrado porque há uma tentação muito grande de se falar aquilo que a gente quer dizer sobre Deus, então, é preciso estudar muito para ver de fato o que a Bíblia diz,  os discursos que já foram feitos, as leituras e comentários sobre o tema. Depois, a gente tem que rezar a palavra de Deus. Pregador tem que se perguntar o que a palavra de Deus diz para ele, e depois para os outros. Essa é a segunda tentação de quem prega: tirar a mensagem para os outros, mas a mensagem é para quem vai pregar, para poder repassar aos outros”, disse Castriani. Para isso, ele utiliza o método da leitura orante, onde se lê e reza os escritos sagrados.

“Além disso é preciso fazer a ponte com a realidade vivida pela sociedade. O papa Francisco sempre diz que o pastor tem que ter o cheiro das ovelhas”, afirmou. Outro fato observado por ele na elaboração do texto da homilia é o de não adotar um tom moralista, de “culpabilização das pessoas”. Isso foge à mensagem de Cristo, segundo ele, que é a de “ressaltar a chama que ainda fumega e não acabar de quebrar o caniço (cana rachada)”.  “Todos temos fraturas interiores; o ser humano é um ser que tem feridas na alma, ora, você quer mexer, aprofundar essas feridas ou quer curá-las?”.

Para dom Sérgio, quando damos nosso testemunho de que Deus se fez carne com o nascimento de Jesus, alteramos a compreensão que temos do mundo e das relações humanas, uma vez que isso significa que Deus partilha da natureza humana, tanto que fez o homem à imagem e semelhança dele. Assim sendo, de alguma forma, ela também se diviniza e todo o ser humano partilha dessa dignidade. “É por isso que ninguém pode ser seus direitos desrespeitados. A grande luta da igreja pelos direitos humanos, pela dignidade, vem daí, da fé, não é uma questão estratégica ou politica. E é por isso que não devemos aceitar violência, exclusão porque isso fere a dignidade”, disse.

Arcebispo pede mais sobriedade

No interior, onde passou os 15 últimos Natais, até o ano passado, dom Sérgio revezou as celebrações entre as dez paróquias que compõem a prelazia de Tefé, para que todas pudesse ter a missa de Natal, mesmo onde não havia padre, entre elas as comunidade dos municípios de Uarini Itamarati, Carauari, Jutaí, Fonte Boa. “O lado positivo é que em alguns lugares há uma cultura popular muito bonita: em Alvarães e Tefé, as pessoas dançam as Pastorinhas (representação regional do nascimento de Cristo), mas infelizmente, é um momento de muita bebedeira, e isso é deprimente. Parecia até que era uma obrigação beber. O álcool tira a dignidade humana no Natal, que é quando ela é elevada ao seu mais alto grau”. Dom Sérgio acredita que em Manaus não seja muito diferente e faz um pedido: para que todos se engajem em uma grande campanha de sobriedade. “Acaba sendo uma noite de excessos, de comida, mas sobretudo, de bebida”, disse. 

Mas onde o arcebispo vai fazer a ceia de Natal? “Ainda não sei. São muitos convites de famílias. A gente normalmente vai pra casa de alguma. No interior, tem muita gente que faz ceia comunitária, na rua mesmo e também tem aqueles que fazem com moradores de rua. Talvez eu volte pra casa e durma mais cedo para celebrar a missa do dia 25, às 7h30”, disse sorrindo.