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Indústria da enchente produz bolsão de votos

Seis municípios do interior do Estado já decretaram estado de emergência e outros sete já estão em estado de alerta


Seis municípios afetados pela cheia já estavam livres para firmar contratos sem licitação e receber ações assistencialistas do Governo do Estado e Federal

Seis municípios afetados pela cheia já estavam livres para firmar contratos sem licitação e receber ações assistencialistas do Governo do Estado e Federal (Gráfico)

A enxurrada de decretos de emergência ou de situação anormal que brota a quatro meses da campanha eleitoral reedita o cenário histórico de captação de votos com programas de assistência aos ribeirinhos. Decisivo nas disputas eleitorais, os municípios do interior concentram 45% do eleitorado do Amazonas.

Até sexta-feira (28) seis municípios afetados pela cheia já estavam livres para firmar contratos sem licitação e receber ações assistencialistas do Governo do Estado e Federal: Boca do Acre, Lábrea, Envira, Guajará, Humaitá e Pauini, segundo a Defesa Civil do Estado. Todos decretaram estado de emergência.

Com o decreto de emergência, entre outras coisas, as prefeituras desses seis municípios ficam livres para realizar contratos sem licitação. E esse número pode aumentar. De acordo com  a Associação Amazonense de Municípios (AAM), mais sete cidades (Ipixuna, Canutama, Carauari, Apuí, Borba, Manicoré e Novo Aripuanã) estão em estado de alerta.

O subsecretário da Defesa Civil do Estado do Amazonas, Hermógenes Rabelo, contabilizava, até esta semana, o total de 25 mil famílias atingidas pela cheia nos seis municípios mais castigados.

Quase 100 mil eleitores

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as seis cidades administradas sob decretos de emergência concentram 175,7 mil habitantes. Desse total, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), 93,6 mil são eleitores.

Em 2012, quando o Amazonas registrou a maior cheia em 110 anos, o Governo do Estado distribuiu em cinco meses quase 50 mil cartões Amazonas Solidário, que davam a cada família o direito de sacar R$ 400.

Além do Amazonas Solidário, as famílias atingidas pela cheia em 2012 também receberam cestas básicas e implementos agrícolas. Em alguns municípios, a ajuda chegava diretamente pelas mãos do governador Omar Aziz (PSD), do vice-governador José Melo (Pros) e da primeira-dama e presidente do Fundo de Promoção Social (FPS) Nejmi Aziz (PSD).



Agora, Omar é pré-candidato a senador. Melo já se lançou na disputa pelo Governo, colocando Nejmi entre o rol de prováveis vice na sua chapa. A primeira-dama também é cotada para disputar uma vaga de deputada federal.

Ainda não há distribuição de dinheiro por meio de cartão no interior este ano. Mas, segundo o subsecretário estadual da Defesa Civil, o assunto está sendo avaliado. “O governador ainda está estudando uso do cartão”, declarou Hermógenes Rabelo.

‘Não dá para prever extensão’

O diretor executivo da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), Luiz Antônio Araújo, afirma que apesar de o fenômeno ser previsível, não dá para saber a extensão da cheia. Por isso, os municípios precisam recorrer aos decretos e às ajudas dos governos.

“Os prefeitos se preparam, sim. Até chegar ajuda do Estado, é o município que entra. Todo o pessoal que faz retirada das famílias, que  distribui mantimentos, é do município. A estrutura é toda do município. O primeiro que entra logo é o município. E eventualmente o Governo Federal”, comentou Luiz Antônio Araújo.

Segundo o diretor, a AAM prepara para depois do Carnaval um encontro com representantes dos municípios afetados pela cheia. Luiz Antônio disse que a reunião é para, entre outras coisas, orientar os administradores em como ter acesso a recursos e ações que o Governo Federal oferece as cidades em situação de emergência ou calamidade pública, via Ministério da Integração.

“Depois que o Estado homologa o decreto, o município pode solicitar do ministério o recurso. Os sete estão no processo para solicitar o recurso do Governo Federal”, declarou Luiz Antônio.