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‘Vou ganhar essa eleição e não vou devê-la a políticos’, diz Ramos

Candidato do PSB ao Governo do Amazonas, o deputado estadual Marcelo Ramos se apresenta como o nome capaz de colocar um ponto final na trajetória política do grupo que comanda o Estado há três décadas 


Para o candidato Marcelo Ramos 'A política tradicional construiu muros que não permitem que a população converse com o governador".

Para o candidato Marcelo Ramos 'A política tradicional construiu muros que não permitem que a população converse com o governador". (Bruno Kelly)

Com um discurso de “renovação verdadeira”, o deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) se apresenta como a única alternativa de mudança ao grupo que se reveza no poder há 32 anos no Estado. A candidatura de Ramos rompe um ciclo de 18 anos no PSB, no qual apenas Serafim Corrêa (PSB) saía candidato nas disputas pelo governo e pela Prefeitura de Manaus.

Ungido pela presidenciável Marina Silva (PSB-Rede), Marcelo Ramos afirma que tem a mesma identidade política da ex-senadora e diz que se for eleito vai governar sem amarras. “Eu vou ganhar essa eleição e não vou devê-la a prefeito, a governador, a prefeito do interior. Só vai ter um credor nessa nossa eleição: o povo do Estado do Amazonas”, defende. Confira trechos da entrevista.

O que o diferencia dos outros candidatos que pregam renovação na política amazonense?

Eu sou o único candidato que nunca tive laços e que não sou filho desse grupo político que governa o Amazonas há três décadas. Minha trajetória é retilínea, de quem manteve coerência na vida pública.

Foi coerente o senhor ter pedido voto para o Alfredo Nascimento em 2010?

Não foi. Tanto que depois de 2010 aprendemos a lição e nunca mais cometemos o erro de compor com alianças tradicionais. Eu sou do PSB. O partido tomou uma decisão e eu caminhei com ela. Mas aquilo ali me deu a lição de que existem valores e princípios muito maiores que a possibilidade de um mandato.

Como, numa eventual vitória, o senhor vai lidar com o parlamento estadual sem ter uma base de apoio ampla?

Sou parlamentar e tenho respeito pelos meus pares. Mesmo sendo um deputado de oposição, sou ouvido por todos. Vejo muitos valores na Assembleia. Tenho certeza que o povo vai montar uma Assembleia que tenha responsabilidade.

Isso é suficiente?

O diferencial será a capacidade de discutir com a sociedade os projetos antes que eles venham para a Assembleia. Ainda estou para ver um deputado votar contra um projeto que seja bom para o Estado e que a sociedade esteja convencida dele. Tenho certeza que vou governar com a cooperação da Assembleia.

O senhor enfrentou resistência para sair candidato dentro do PSB?

Não. Eu enfrentei um processo de debate natural. Na hora que consolidou a candidatura do Eduardo Campos com a Marina, ficou clara a necessidade que o projeto nacional se repetisse aqui no Amazonas. Não sou só eu que entendo que a eleição aqui não pode ser disputada entre dois candidatos absolutamente iguais (Eduardo Braga e José Melo).

A Marina Silva teve que peso na indicação do seu nome como candidato?

Logo que ela se filiou ao PSB veio a Manaus e numa entrevista coletiva, surpreendendo a todos, inclusive a mim e ao Serafim, ela disse que se dependesse dela eu seria candidato ao governo. Ela tem entusiasmo com a minha trajetória e vê identidade com a trajetória dela.

A Rede se consolidando é um caminho natural para o senhor?

Não. Meu caminho é o PSB. Sou militante já há algum tempo. Fiz uma opção ideológica, política pelo PSB e é nele que pretendo continuar, dando todo apoio para que a Rede se estruture.

O que deu errado na conversa com os quatro pré-candidatos que pregavam o discurso da renovação, que seguiram caminhos distintos? O senhor, a deputada Rebecca Garcia (PP), o vice-prefeito Hissa Abraão (PPS) e o deputado Chico Preto (PMN).

Eu nunca tive esperança que aquilo se tornasse uma aliança eleitoral. O que deu errado é que foi ficando claro quem realmente tinha um desejo de mudança e que não tinha laços com esses grupos políticos. Na verdade, eu estava procurando um novo caminho para o Amazonas e eles estavam tentando se valorizar nessa mesa de jogatina que virou a política tradicional.

No segundo turno da disputa pela prefeitura de Manaus, em 2012, o PSB caminhou com o PSDB. O senhor esperava ter apoio do prefeito Artur Neto na sua candidatura?

Não. Nunca procurei, nunca pedi, nunca esperei ter o apoio dele. Acho que ele tem se esforçado muito para fazer uma boa administração. Reconheço os acertos e tenho independência para criticar os erros quando os vejo e já fiz isso. Tenho diálogo com o prefeito Artur e acho que ele tem independência para tomar as decisões dele.

O senhor não tem amarras com ninguém?

Eu vou ganhar essa eleição e não vou devê-la a prefeito, a governador, a prefeito do interior. Só vai ter um credor nessa nossa eleição: o povo do Estado do Amazonas. Diferentemente deles, que se ganharem as eleições devem um pedaço do Estado para um partido, outro para um prefeito, outro para um empresário, outro para uma igreja. Infelizmente, tem sido assim. Isso não faz bem para a democracia.

O senhor fala em ampliar o diálogo com a população. Como fará isso?

A política tradicional construiu muros que não permitem que a população converse com o governador. Nós vamos derrubar esses muros criando espaços de diálogo, com o governador passando a ser um homem simples. O governador hoje é um cara que você não vê em canto nenhum, parece que ele mora na Lua. 

Dê um exemplo.

Não é justo que quem decida onde vai ser aplicada parte do recurso de investimento que está destinada a Pauiní seja um burocrata lá na sala da Secretaria de Planejamento. O povo de Pauiní tem que ser ouvido em assembleia.

Qual vai ser o critério para a escolha do secretariado?

Competência e cumprimento de metas. Só isso.

Quanto aos cargos comissionados, qual vai ser o tratamento?

É preciso enxugar o número de secretarias, isso não tem discussão. O Amazonas tem mais órgãos com status de secretarias do que o Brasil tem de ministérios. E olha que o Brasil tem muito ministério. Em relação aos comissionados, é obvio que há um exagero. Mas, não é isso que vai trazer as contas públicas com equilíbrio. O que vai equilibrar é diminuir o gasto com custeio, e cargo comissionado é custeio, mas, principalmente, estabelecer um governo de metas, que não desperdiça dinheiro.

Quais são as primeiras ações que os eleitores podem esperar do seu governo?

O primeiro projeto de lei que nós vamos encaminhar à Assembleia será o de autonomia da UEA. A primeira medida de governo será reunir com os 62 prefeitos do Amazonas. Vou dizer que do dia que tomei posse em diante não serei governador dos meus eleitores e que serei o governador de todo o povo do Amazonas. E que, portanto, não importa quem me apoiou ou não. Todos serão tratados numa relação republicana, pensando nas pessoas.

***

Propostas

Independência para a UEA

“Vamos depositar todos os recursos do fundo da UEA na conta da instituição para que sejam geridos pela própria administração da universidade, possibilitando que a UEA possa melhorar os acervos de biblioteca, equipar laboratórios, fazer concurso para professor e ampliar a oferta de cursos de bacharelado e licenciatura na capital e no interior. Em relação ao ensino médio, teremos uma política de valorização profissional. Daremos  uma maior ênfase no ensino de português e matemática, com formação continuada do quadro, requalificação dos professores da rede, estimulando bacharelado nessas disciplinas. Uma inovação é a Escola para a Vida. Aproveitaremos as escolas de tempo integral para no contraturno oferecer cursos técnicos e profissionalizantes em parceria com entidades representativas como a CDL, a ACA e a Fieam. No interior, formaremos os filhos dos produtores rurais como técnicos naquela vocação que tem aquela localidade”.

Resgatar o setor primário

“Na capital, a geração passa pelo Polo Industrial de Manaus. Nós vamos executar nos próximos quatro anos as tarefas que eles tiveram 47 anos e não fizeram porque se deitaram nas redes dos benefícios fiscais do polo. Não existe uma política industrial sustentável no mundo moderno fundada única e exclusivamente em incentivos fiscais. É preciso inaugurar, e nós faremos, a criação de infraestrutura logística para o polo. Teremos obsessão por criar uma estrutura portuária decente, ágil, moderna e barata, tirando o Amazonas do atraso. Faremos investimentos pesados nas nossas hidrovias, balizando, sinalizando, dragando. No interior, três vetores são fundamentais para criar uma nova economia. O primeiro é resgatar o setor primeiro, que tem a ver com regularização fundiária, agilização de planos de manejo, assistência técnica, financiamento e um plano estadual de vicinais, priorizando as de maior produção”.

Atendimento ambulatorial

“O Amazonas abandonou nos últimos anos o atendimento ambulatorial. Vamos remontar esse atendimento e a estrutura de consultas com especialistas. Pretendemos melhorar o atendimento de cirurgias eletivas, que hoje estão concentradas no Adriano Jorge, que já não suporta. A nossa sugestão é que a antiga Santa Casa de Misericórdia seja o novo hospital de apoio, já que possui estrutura. Se hoje uma mulher chega a uma maternidade com oito centímetros de dilatação e não tiver leito manda ela de volta para o carro. Vamos criar o programa Mãe, que vai dar atenção, se responsabilizar com as mães e a Central Vida, que será uma central de monitoramento em que saberemos em tempo real qual maternidade têm leito vago, com deslocamento de uma unidade a outra feito pelo Estado. No interior, passou da hora de se ter um hospital de média complexidade nas cidades polos, por calha de rio”.

Perfil

Nome: Marcelo Ramos Rodrigues

Idade: 41 anos

Estudos: Formado em Direito pela Ufam

Experiência: Advogado trabalhista. Foi subsecretário municipal de Esportes em 2005. Em 2006, trabalhou no Ministério do Esporte. Foi eleito suplente de vereador em 2004, assumindo em 2007. Presidente do IMTU. Eleito deputado estadual em 2010.