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Cheia rende bônus eleitoral

Cenário de calamidade pode ser aproveitado para captar votos no interior, afirma o analista político Afrânio Soares


Em 2012, o rio Negro registrou a maior cheia nos últimos 100 anos. Dois anos depois, a cheia recorde pode ser no rio Madeira, segundo estimativas do CPRM

Em 2012, o rio Negro registrou a maior cheia nos últimos 100 anos. Dois anos depois, a cheia recorde pode ser no rio Madeira, segundo estimativas do CPRM (Bruno Kelly)

O analista político Afrânio Soares afirma que as ações assistencialistas em momentos de calamidade pública, como a cheia, podem, sim, ser utilizadas como arma para captar votos no interior.

“Certamente, esse cenário será aproveitado para arrecadar bônus eleitorais. Vai depender mais de como vão ser feitas as obras, as ações para resolver os problemas dos ribeirinhos. Se o trabalho for bem feito, isso pode gerar um bônus eleitoral”, disse Afrânio Soares.

Para o analista político, nesse cenário, leva vantagem quem está no Governo do Estado. Pois tem mais poder econômico para chegar às diferentes regiões do Estado. “São armas que serão usadas por cada um dos candidatos”, comentou Afrânio Soares.

Segundo Afrânio, apesar de representar 45% do eleitorado do Estado, a disposição geográfica dos municípios no Amazonas - muito dispersos - o acesso aos votos do interior acaba sendo difícil. “Então o interior tem seu pesos nas eleições, mas historicamente ele não coloca de forma massiva em apenas um candidato”, afirma o analista.

De acordo com Afrânio, um candidato que está no comando do governo ou tem seu apoio acaba ampliando seu poder de mobilização de prefeitos. O que o coloca em vantagem na briga pelo eleitorado do interior.

“Tem sido assim nas últimas eleições. A diferença esse ano é que o candidato do governo, o vice-governador José Melo (Pros), terá um adversário forte, que é o senador Eduardo Braga (PMDB)”, disse Afrânio, completando: “Isso, evidentemente, é uma carta na manga que será aproveitada por prefeitos e governo”.

O prefeito de Lábrea, Evaldo Gomes (PMDB), nega que os prefeitos se aproveitem da miséria da população para usar as ações assistencialistas como isca para manter. Para ele, pela dificuldade financeira que padecem os municípios, essa tem sido mais a prática do Governo do Estado.

“Agora, se você me perguntar se o Governo do Estado não se vale de determinada situação para segurar a política no interior, ai eu vou concordar. O Estado poderia ajudar os municípios que estão em área de risco. Mas não ajuda. Prefere deixar para cima da hora”, disse Evaldo Gomes, que está no primeiro mandato.

Localizado a 702 quilômetros de Manaus, o Município de Lábrea é um dos seis que já decretaram estado de emergência por causa da cheia. O ex-prefeito da cidade, Gean Campos de Barros, também era do PMDB.

Evaldo Gomes, Prefeito de Lábrea

“O sofrimento é grande por causa da falta de recurso. Imagina como é que um prefeito fica se ele não tiver a amizade, se ele brigar com o governo, em relação a obras no sistema viário de sua cidade? Agora, se você me perguntar se o Governo do Estado não se vale de determinada situação para segurar a política no interior, ai eu vou concordar. O Estado concentra o recurso na sua mão para ficar com o prefeito dependendo dele. O Estado poderia ajudar os municípios que estão em área de risco. Mas não ajuda. Prefere deixar para cima da hora. Aí o governador vai lá, faz a política dele, um discurso bonito, dá uma sacola de rancho, libera não sei mais o quê, manda uma aeronave. Enfim, não é prefeito que faz isso. É o Governo do Estado”.