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Déficit de 99% em vagas para creches em Manaus deixa 128 mil crianças sem educação básica

Número insuficiente de vagas para crianças de famílias de baixa renda expõe problema histórico na capital do Amazonas. Atual quantidade de vagas disponíveis não condiz com número populacional

Inaugurada pelo prefeito Arthur Neto na segunda-feira (14), a creche Neide Tomaz Avelino garante 120 vagas para crianças do bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste

Inaugurada pelo prefeito Arthur Neto na segunda-feira (14), a creche Neide Tomaz Avelino garante 120 vagas para crianças do bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste (Evandro Seixas)

As 808 vagas em creches públicas oferecidas hoje em Manaus não chegam a preencher nem 1% da necessidade de vagas de crianças de 0 a 3 anos de famílias de baixa renda. Os dados que expõem o histórico do poder público com políticas voltadas para a educação infantil e para as mulheres são da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Semed anunciou esta semana a inauguração de mais duas creches em zonas periféricas de Manaus. Com isso, o número de vagas oferecidas pela Prefeitura subiu para 808. Apesar da ampliação de vagas, em três décadas, ativistas dos movimentos de mulheres consideram que a criação de vagas não acompanhou o crescimento populacional em Manaus.

Segundo o Censo de 2010 do IBGE, em Manaus, havia 129 mil crianças com idade entre 0 e 3 anos em famílias cuja a renda mensal varia de R$ 2.550 até nenhuma remuneração. Ou seja, as 808 vagas alcançam apenas 0,62% das crianças. O histórico desprezo dos gestores públicos por promover justiça social na questão faz de crianças, mães e avós vítimas da omissão do Estado.

De acordo com uma das coordenadoras do Movimento de Mulheres Solidárias do Amazonas (Musa), Luzarina Varela, na década de 80 havia em Manaus a Ocre que oferecia vagas aos filhos de trabalhadoras do Distrito Industrial e o Sesi. O filho caçula, que na época tinha três anos, em 2014 completou 28 anos sem saber o que era uma creche.

 “A Ocre não existe mais e o Sesi cobra um valor incompatível com o salário das trabalhadoras. Essas 880 devem suprir a necessidade talvez de um dos bairros da Zona Leste e só”, declarou Luzarina.

A falta do serviço penaliza diariamente as mulheres que abrem mão do mercado de trabalho e de estudar por não terem onde deixar os filhos. “Outras vezes as avós é que se tornam responsáveis pela criação e sustento dos netos. Porque infelizmente, mesmos nas famílias com casais felizes, cabe à mulher o cuidado com a criação e educação dos filhos”, declarou.

A secretária executiva de Assistência Social e ex-presidente do Conselho Estadual de Direitos das Mulheres, Graça Prola, afirmou que o acesso à creche é um direito das crianças para o desenvolvimento pedagógico, motor e atenção concentrada na primeira infância. “Além do cuidado com a alimentação saudável, a higiene e o emocional. Claro que nada substituiu a família, seja ela qual for, mas o convívio na creche garante segurança emocional para as crianças e as retira de eventuais situações de risco de violência doméstica e psicológica”.