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De volta às origens: Professor apresenta trabalho de mestrado na escola onde estudou

Mestre escolhe apresentar dissertação durante o centenário da escola em que estudou para mostrar como é possível sonhar alto tendo vindo de escola pública

Um dos motivos que levou o pesquisador a voltar à escola estadual Antônio Bittencourt foi para mostrar aos alunos que é possível estudar em escola pública e conquistar o sonho do doutorado

Um dos motivos que levou o pesquisador a voltar à escola estadual Antônio Bittencourt foi para mostrar aos alunos que é possível estudar em escola pública e conquistar o sonho do doutorado (Luiz Vasconcelos)

O pesquisador Paulo Victor de Sousa Viana, 28, nasceu em Belém e, filho de uma dona de casa com um caminhoneiro, veio para Manaus com seis anos. Em solo baré, com os irmãos, foi criado no bairro de Santo Antonio, Zona Oeste. A trajetória humilde, contudo, não limitou os sonhos e hoje, após defender uma dissertação de mestrado na Fiocruz, no Rio de Janeiro, foi aprovado num dos cursos de Doutorado mais difíceis da instituição e seguirá com as pesquisas dele sobre tuberculose.

Bolsista do Fundo de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), Paulo Victor tinha a obrigação de apresentar o resultado do trabalho em sessão aberta numa instituição pública. A maioria dos pesquisadores opta por se apresentar para os próprios pares em institutos de pesquisas ou universidades. Ele, contudo, tomou outro caminho e escolheu divulgar os resultados da pesquisa na escola pública em que estudou: o colégio Antônio Bittencourt, no bairro da Glória, Zona Oeste, e que em 2014 completa 100 anos de fundação.

O pesquisador, graduado em Enfermagem pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), foi professor na Escola de Enfermagem de Manaus em 2011, mas desde 2012 estudava Epidemiologia em Saúde Pública na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), no Rio de Janeiro. A dissertação “Tuberculose no Brasil: Uma análise dos dados de notificação, segundo macro-região e raça/cor” foi defendida no início do ano e abriu o caminho para o doutorado na mesma instituição.

Marcando essa trajetória, Paulo Victor retornou ao Antônio Bittencourt para incentivar os novos alunos a buscarem sonhos e objetivos. Para ele, a principal motivação era fazer com que a nova geração desperte o talento científico. “Voltei para demonstrar que é possível um aluno de escola pública chegar à universidade pública e até mesmo concluir um mestrado fora do Amazonas. Além disso, outra motivação foi prestar contas à sociedade, pois boa parte dos trabalhos científicos é financiada por agências de fomento governamentais, como a Fapeam”, explica. “Portanto, é uma forma de devolver à sociedade parte daquilo que ela me ajudou a produzir”, completou.

“Indiozinhos”

A pesquisa apontou que a tuberculose no Brasil atinge predominantemente homens, entre 20 a 44 anos em todas as macrorregiões. Segundo Paulo Victor, o que chamou atenção foi a elevada proporção de casos entre crianças indígenas menores de 10 anos em todas as macrorregiões, sendo proporcionalmente até seis vezes maior quando comparado ao adoecimento de crianças das outras categorias de raça/cor. O adoecimento em crianças é um indicador de transmissão ativa na comunidade, decorrente de contato com adultos e sugere a existência de falhas na vigilância dos contatos nas aldeias.

Segundo dados do Inquérito Nacional de Saúde Indígena, realizado em 123 aldeias do País, entre 2008 e 2009, mais de 40% das crianças indígenas se apresentavam cronicamente desnutridas e mais da metade sofria de anemia. Em conjunto, esses agravos podem comprometer o estado geral de saúde das crianças, favorecendo o adoecimento por tuberculose nas aldeias.

Tuberculose segue forte em grupos vulneráveis

Em sua pesquisa do mestrado Paulo, afirmou que “Apesar da incidência e da mortalidade por tuberculose no Brasil terem reduzido entre 20% e 30% nos últimos 20 anos, ainda são notificados em média 80 mil casos e 4 mil óbitos anualmente no país.

Ainda segundo Viana, a pesquisa ressaltou que há maior concentração de casos nas regiões mais pobres e em alguns grupos vulneráveis, como moradores de rua, pessoas privadas de liberdade, povos indígenas e profissionais de saúde, considerados como populações especiais pelo Programa Nacional de Controle da TB (PNCT).

Em relação à oferta de exames de diagnóstico, em seus estudos Paulo observou grandes diferenças na realização desses exames por macrorregiões, assim como, uma subutilização desses recursos diagnósticos em alguns grupos de raça/cor. Os indígenas apresentaram os maiores percentuais de realização de exames de diagnóstico, tais como baciloscopia (investigação de um bacilo num órgão) e cultura de escarro, radiografias de tórax e teste tuberculínico. Em contrapartida, os doentes autodeclarados pretos apresentaram os piores percentuais de realização destes exames nas regiões analisadas.

Segundo raça/cor, as taxas revelam que os indígenas apresentaram as maiores incidências, registrando-se aumento de 95,4/100 mil em 2008 para 104/100 mil em 2011, um incremento de aproximadamente 10%.