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O voto dos rincões

Às vésperas do processo eleitoral, políticos transformam em espetáculo a entrega de equipamentos a produtores rurais. Para o sociólogo Ademir Ramos, a lógica seguida pelos governantes é a da política como espetáculo. Cabe à população perceber o que é visto e o que é feito de fato

Implementos agrícolas foram distribuídos a produtores rurais de Urucará pelo governador Omar Aziz e o vice José Melo no dia 21 desse mês

Implementos agrícolas foram distribuídos a produtores rurais de Urucará pelo governador Omar Aziz e o vice José Melo no dia 21 desse mês (Jornal A Crítica)

Inaugurada pelo ex-governador Amazonino Mendes (PDT), a distribuição de implementos agrícolas a caboclos do interior às vésperas do processo eleitoral se mantém há três décadas. Amazonino começou entregando motosserras e motores equipados com rabeta. Terminou doando até ranchos.

O ex-governador e hoje senador Eduardo Braga (PMDB) seguiu a lição de Amazonino - seu padrinho político. Em março de 2010, por exemplo, prestes a passar o cargo ao vice Omar Aziz (PSD), distribuiu a ribeirinhos de Manacapuru, 400 motores com rabeta, kits de casa de farinha, de pesca e grupo geradores.

A cinco dias de deixar o cargo para concorrer ao Senado, o atual governador Omar Aziz, ao lado do vice José Melo (Pros), que é pré-candidato ao governo, também se mostra como  redentor do caboclo amazonense em eventos de entrega de implementos agrícolas pelo interior.

No dia 21 desse mês, por exemplo, Omar en- tregou, a 451 famílias da zona rural de Urucará, 970 motores equipados com rabeta, 40 kits de casas de farinha, 50 kits de ferramentas, 60 kits para pescador e 2 grupos geradores.

Da motosserra a cesta básica

Amazonino Mendes foi três vezes governador do Amazonas. No primeiro mandato, de 1987 a 1990, o político, natural de Eirunepé (a 1.245 quilômetros de Manaus), anunciou que daria uma motosserra para cada caboclo do interior.

A ideia de distribuir motoserras foi criticada e interpretada como apologia ao crime ambiental. Calcula-se que 2 mil aparelhos ainda chegaram a ser distribuídos.

No segundo mandato como governador (1995-1998), Amazonino Mendes lança o que ele chamou de “Terceiro Ciclo”. O programa, vendido como a base para alavancar a economia no interior, consistia em distribuir implementos agrícolas e incentivar a agricultura em larga escala no Sul do Estado.


Antes de serem enviados ao interior, os implementos agrícolas eram exibidos por Amazonino Mendes nas calçadas do antigo Vivaldo Lima, hoje Arena da Amazônia, em Manaus.

Ainda no segundo mandato, Amazonino Mendes lançou um programa de combate à fome. O Estado fornecia ranchos (cestas básicas) a milhares de famílias carentes. A ação foi realizada durante todo o governo.

O ex-governador posava para os fotógrafos em meio aos sacos de rancho, nas embarcações que partiam de Manaus para o interior.

Análise: “política como espetáculo”

“É um rito. O princípio é a política como espetáculo. É o que norteia a conduta dos governantes. É um trabalho para a massa. É uma grande arena. A questão dos implementos agrícolas é uma parte minúscula do processo. A parte maior é o espetáculo que se faz em cima da mídia. O próprio sistema favorece isso. Os governantes só têm quatro anos. E qual é a regra do jogo? No primeiro ano se provoca as ações impactantes. Aí você acumula para o último ano de governo. Às vésperas do processo eleitoral, o que estão fazendo? Correndo atrás de inauguração. Vai o vice pra cá, o governador pra lá. Correm o Estado todo. O objetivo é visibilidade e a afirmação do seu nome. Isso acontece em todo o Brasil. Compete ao cidadão analisar o que é visto e o que é feito. Porque não é a política que faz o ladrão. É o seu voto que faz o ladrão”, Ademir Ramos, Sociólogo e professor da Ufam.