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‘No interior, sou respeitado por ser autêntico’, diz Liberman Moreno

Ex-deputado estadual, eleito por quatro mandatos consecutivos, resgata seu início de vida pública junto a auditores fiscais para ensaiar, em 2014, uma  nova candidatura para vaga na Assembleia Legislativa


Liberman Moreno passou 16 anos como Deputado Estadual pelo Amazonas

Liberman Moreno passou 16 anos como Deputado Estadual pelo Amazonas (Antônio Lima)

De volta à presidência do Sindicato dos Auditores Fiscais do Estado do Amazonas (Sindifisco) de onde saiu para ser deputado estadual na década de 90, o auditor fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) Liberman Bichara Moreno, 63, prepara voos tranquilos e seguros de volta ao parlamento estadual. Após o exercício de quatro mandatos consecutivos como deputado estadual e de perder a vaga na eleição de 2010 mesmo contabilizando mais de 21 mil votos, ele voltou à casa dos fiscais de onde, em 1994, saiu para ser eleito deputado com mais de sete mil votos. Apesar de garantir que a volta à política não estava planejada, afirma que isso vai acabar acontecendo por vontade dos colegas de classe. Filiado ao Partido Progressista Social (PPS), cujo líder é o vice-prefeito Hissa Abrahão, ele acredita que o prefeito Arthur Neto deveria repensar na promessa de não disputar o Governo do Estado. Sobre política, falou com tristeza do “desprestígio” com que foi tratado pelo ex-prefeito Amazonino Mendes, de quem foi líder durante dois mandatos na Assembleia Legislativa e da relatoria do caso Wallace, a quem, acredita ele, foi imposta uma pena dura demais quando havia responsabilidades a serem compartilhadas. Confira a entrevista:

O senhor é um político bom de votos, foi eleito quatro vezes...

Fui eleito por quatro mandatos consecutivos, o que me fez passar 16 anos como deputado. Em 1994 tive 7.135 votos, em 1998, fui eleito com 15.245 votos, em 2002 foram mais de 20 mil e 2006, 16 mil votos. Quando foi em 2010, tive 21 mil votos, minha maior votação, mas como nossa base era um chapão comandado pelo governador Omar Aziz, não consegui vaga. Fiquei como  segundo suplente e como o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) validou os votos do candidato Wilson Lisboa, do PCdoB, que estavam sub-júdice em função da Lei da Ficha Limpa, perdemos uma vaga do grupo e Washington Regis passou a ser primeiro suplente e eu voltei para segundo suplente. Quando Régis foi ser prefeito de Manacapuru, voltei à primeira suplência, mas ele renunciou a prefeitura e voltou a ser deputado, apesar de que sairá em março com a volta do titular, Wanderley Dallas.

De onde vêm essas boas votações?

Meus 21 mil votos da última campanha, assim como os demais, foram resultado do trabalho grande que tenho no interior, onde sou respeitado por ser um homem autêntico. Sou lá do Alto Solimões, do município de Jutaí, mas tenho votação boa em Autazes, Maués e Urucará porque meu trabalho nesses municípios é no sentido de valorizar as atividades de cada região. Por exemplo, tivemos atuação junto aos produtores de guaraná em Maués, no estabelecimento de um incentivo para o agricultor, que só vinha recebendo tributação.

O que o levou à política?

O Sindicato dos Auditores-Fiscais do Estado, o Sindifisco. Fui dirigente classista, participei da Federação Nacional do Fisco e como a categoria almejava participar do processo político para não ser levada por qualquer corrente, decidimos em assembleia que precisávamos ter alguém nos parlamentos para podermos discutir, com conhecimento de causa, da feitura de leis que orientam o estado. Combinamos que em todos os estados os sindicatos deveriam lançar nomes, embora não tivéssemos partido. Eu trouxe a ideia para Manaus e, para minha surpresa, meu nome foi indicado para concorrer. Eu não tinha militância política, mas conhecia muito bem o interior, a realidade do caboclo e com o compromisso de todos do sindicato, entrei na campanha.

Por qual partido?

Fui pelo PPR, do Amazonino Mendes. Na época, fui questionado porque não me candidatava por um partido pequeno, mas eu disse que queria ter êxito e graças a Deus e ajuda de muita gente, fomos eleito logo na primeira eleição, sem ter sido vereador ou ocupar nenhum cargo no legislativo.

O que marcou sua atuação da ALE?

Fui líder do governo Amazonino Mendes por dois mandatos e nunca tirei proveito próprio da política, pois sempre usava a prerrogativa de líder para poder trazer os problemas mais para perto do governador. Ele supervisionava as obras e eu o ajudava nessa tarefa.


O senhor como deputado foi relator do polêmico Caso Wallace. Como avalia o episódio?

Acho que foi um equívoco do parlamento a cassação. Acompanhei todos os passos daquele processo e diria que houve exagero naquela ação. Wallace tinha atuação vinculada a uma atividade de combate ao crime, mas nunca me detive a analisar a atuação dele nos programas policiais que tinham grande audiência pela forma como era apresentado. Mas quem garantiu isso para ele? Os governos da época deram toda condição policial, as viaturas e a permissão para acompanhar ação da polícia nas operações. De uma hora para outra “virou” bandido. Uma avalanche de problemas apareceram para que ele tivesse interceptada a sua carreira. Se Wallace de repente virou criminoso por usar a estrutura da polícia, quem era criminoso, ele ou quem permitia as ações dele?

Por que o senhor considera a cassação equivocada?

Foi uma página triste que o parlamento do Estado escreveu, pois muitos mudaram de pensamento e votaram pela cassação diante da pressão. Minha ideia era fazer uma pena que desse a resposta à sociedade, mas a cassação foi muito drástica. Ele merecia punição por ter deixado as acusações terem ido longe demais, por ter exposto o parlamento, mas a defesa dele deixou as denúncias irem longe demais enquanto ficava apontando só erros de procedimentos. Fui o único a prestar solidariedade a ele.

Esse gesto não prejudicou o senhor?

Não fui prejudicado pelo gesto humanitário diante de um trapo humano.  Ele dizia para mim que pensasse muito no que fariam com ele. Disse-me que se achassem que era hora de cassá-lo, deviam saber que estavam decretando a pena de morte, porque se ele fosse preso seria mandado para junto de muitos bandidos que estavam lá com ajuda dele e iam querer se vingar. Mas se não fosse para a cadeia, iria morrer com o problema crônico no fígado porque com o salário de policial não poderia custear os gastos com o tratamento. Falei para ele que estavam se defendendo de maneira errada, mostrando erros do processo e não se defendendo das acusações. Ele não tinha direito de expor o parlamento do ponto de vista moral. Por ocasião do processo apareceram testemunhas não ouvidas pelo Ministério Público, cujas versões poderiam amenizar as acusações, mas no caso dele o castigo já estava encomendado.

Como é sua relação com Amazonino Mendes?

Faz um ano que não vou na casa dele. Não gostaria de falar sobre isso porque quando a gente se dedica a alguém de forma integral, se sou amigo sou amigo em todos os aspectos, o que se espera de amizade é reconhecimento em qualquer situação. Mas em 2011, após perder o mandato de deputado, o Amazonino eleito prefeito me deixou de fora da administração. Me senti desprestigiado, pois entramos na campanha dele de corpo e alma, mas na vitória não fui lembrado, pois ele prestigiou outros políticos, inclusive de maneira equivocada. Eu esperei reconhecimento de parceiros, mas não tive privilégio de ser merecedor de uma ação desse tipo.

O senhor está filiado a algum partido?

Sou filiado ao Partido Progressista Social (PPS), cujo líder é o vice-prefeito Hissa Abrahão. Não vou ao palanque de José Melo, pois fiquei muito aborrecido com a forma como o PHS tratou uma mudança no Estado, achei que houve um equívoco, mas a direção nacional do partido tomou outra decisão. São coisas que passam, pois o mundo gira e rápido. Estou feliz porque depois de mim, muitos se desfiliaram do PHS. Tenho um grande carinho pelo Melo, mas vejo com mais simpatia a obstinação responsável do Hissa. Ele tem carinho pelo Arthur, por isso foi para o lado dele, acreditando nele, como eu fui. Nosso desejo é que o Arthur, em função da aliança toda, possa oferecer uma contribuição ao Estado como candidato ou se una a alguém ou decida apoiar o próprio Hissa.

Mas ele não é novo demais para concorrer ao governo?

O sonho do Hissa é que Arthur concorra ao governo e abra caminhos para ele prosseguir na sua caminhada. Ele vive um dilema, pois precisa de espaço e saber do lado de quem pode caminhar e depende da posição que o prefeito vai tomar.

O senhor não acha que a promessa dele de completar o mandato atrapalharia a campanha?

Diria que o Arthur seria um bom candidato ao governo, pois está em processo de crescimento na capital. O grande problema do governante hoje é o prazo curto para terminar obras e um administrador não aceita a continuidade das obra iniciadas pelo anterior. Um exemplo é o Mercado Adolpho Lisboa, que demorou anos para ser concluído. Se o prefeito se comprometeu em concluir o mandato, pode mudar, como tantos e tantos mudaram. 

Trabalho pela união da categoria

A decisão de concorrer ao Sindifisco, Liberman Moreno justifica com o apelo dos colegas para trabalhar pela união da categoria. Antes da eleição, ocorrida no último mês de novembro, ele sugeriu a realização de um fórum de debates para apurar as ideias que deveriam ser enfrentadas pela nova diretoria e um nome de consenso para selar a união proposta. “Participei das discussões e na hora de definir o nome, fui indicado. Saí do fórum pensando em aclamação, mas surgiram duas outras chapas, o que me entristeceu, mas para honrar os que indicaram meu nome não recuei, apesar de não querer fissura para não prejudicar minha candidatura em 2014, se ela acontecer”, contou.

Após uma vitória tranquila, com 49% dos votos de 315 auditores fiscais, ele já contabiliza o apoio dos concorrentes, que já o cumprimentaram e manifestar apoio à eventual candidatura ao parlamento. “O sindicato hoje não pode ser mais de mera reivindicação. O nosso patrão é o governo e temos que ter propositura, dizer o que queremos para melhorar a arrecadação do estado, que deve crescer este ano 12% em termos nominais e 7% em termos reais, graças às atividades de todo o corpo da Sefaz (Secretaria da Fazenda), incluindo auditores e fiscais. Hoje,  temos que trabalhar permanentemente preocupados com o crescimento e manutenção dessa arrecadação”, finalizou. 

Liberman Moreno

Idade: 63

Nome: Liberman Bichara Moreno

Estudos: Contabilista formado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Experiência: Natural de Jutaí, é casado, pai três filhas, formadas em Direito. e auditor fiscal concursado da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e foi deputado por quatro mandatos consecutivos.