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Combate à corrupção está mais forte, acreditam amazonenses ouvidos por A CRÍTICA

Servidores e ativistas que atuam no enfrentamento ao desvio de recursos públicos falam dos avanços no processo de fiscalização

Protesto [Corrupção]

Nos meses de junho, julho e setembro deste ano milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades brasileiras protestando, dentre outras coisas, contra a corrupção (Divulgação/Internet)

Os corruptos ainda estão em vantagem no placar do combate à corrupção no Brasil. Mas as motivações para a sociedade brasileira insistir nessa luta nunca foram tão fortes como são hoje. A conclusão é de servidores federais, políticos e membros do Ministério Público ouvidos nesta quinta (5) por A CRÍTICA.

Hoje, às 9h, no auditório Eulálio Chaves, no Mini Campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Controladoria Geral da União (CGU) realiza evento para marcar a passagem do Dia Internacional contra a Corrupção (celebrado no dia 9 de dezembro, segunda-feira).

Segundo o chefe do Núcleo de Ações de Prevenção da Corrupção da CGU no Amazonas, Rafael Oliveira Novo, o evento vai servir para divulgar os instrumentos que o órgão federal tem à disposição da sociedade no enfrentamento à corrupção.

Para Rafael Novo, a luta contra a corrupção ainda está desequilibrada porque o desconhecimento dos instrumentos de fiscalização e controle ainda é grande. “Muitas vezes, as pessoas não sabem a quem recorrer. Quando vou às universidades e mostro o Portal da Transparência, por exemplo, onde é possível obter informações, as pessoas ficam assustados. Dizem: nossa, posso fazer isso. E é em um ambiente onde há pessoas esclarecidas”, disse Rafael.

O promotor Fábio Monteiro, que comanda o Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (Caocrimo), afirma que os corruptos estão vencendo o combate porque foram muitos os anos de impunidade. “Em virtude de terem passado anos e anos se apropriando e desviando recursos públicos sem punição, essa prática passou a ser disseminada. Quem fazia, continuou, e outros passaram a se espelhar neles. O Estado Brasileiro demorou muito para ver que precisava agir com mais rigor”, diz Monteiro.

Foi graças a uma ferramenta criada pela CGU, o Portal da Transparência, que moradores comuns do Município de Maués, organizadas em um conselho, descobriram que a cidade tinha recebido recursos para uma fábrica de rede que nunca foi construída.

Denunciado pelo Conselho de Cidadãos de Maués (Concima), o prefeito, à época, Sidney Leite (Pros), foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e entrou na lista de políticos inelegíveis publicada pelo órgão em 2012. “Depois desse caso, ficamos mais motivados do que antes. afirma o servidor público federal e membro do Concima, Antônio Fonseca.

Os políticos estão desacreditados
Político há 15 anos, o deputado estadual Marcos Rotta diz que não entrou na vida pública para tirar vantagens pessoais, embora essa seja a imagem geral que a população tem dos políticos no País. “Cabe a mim e aos demais políticos, mostrar que isso não é regra”, afirma Marcos Rotta.

Segundo o deputado, hoje, são muitas as formas de acompanhar o comportamento de um homem público. E o político que insistir em ilícitos, não ficará impune. “O político que não perceber esse momento, não vai progredir”, diz Marcos Rotta, que está no quarto mandato.

Para Marcos Rotta, a pecha de País da Impunidade ainda cabe ao Brasil, mas aos poucos essa falha é corrigida. Ele cita o julgamento do Mensalão como um exemplo dessa mudança.

“O Brasil vinha num passo lento de mudança. O Mensalão vai ser um divisor de águas. A gente vinha num processo de cobrança da sociedade, depois disso, as coisas vão mudar. Ou procura utilizar a política em favor do coletivo, ou vai ser fadado ao insucesso. A tendência agora é que as demais cortes se espelhem na maior corte do País (STF). Foi um julgamento polêmico, mas foi um resultado contundente”, disse.

Data lembra convenção internacional
O dia 9 de dezembro foi instituído como Dia Internacional contra a Corrupção em referência à data de assinatura da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, firmada em 2003, no México.

Nesta data, a Controladoria Geral da União (CGU) comemora seus 10 anos de criação. E em todo o País realiza eventos apresentando as principais ações desenvolvidas pelo órgão no combate à corrupção e os resultados alcançados ao longo destes anos.

No Amazonas, o Núcleo de Ações de Prevenção da Corrupção (NAP) trabalha realizando atividades educativas junto à administração pública e à sociedade em geral.

Para o chefe do NAP, Rafael de Oliveira Novo, a procura pelos serviços da Controladoria Geral da União poderia ser maior se as pessoas tivessem mais informações sobre eles. Mas garante que o momento é de otimismo. “Vivemos um momento de muita coletividade. A prova disso são as manifestações de junho. Hoje a população tem mais a acreditar no trabalho da CGU e de outros órgãos do que de desacreditar. Caminhamos a passos curtos, mas caminhamos”, declarou Rafael Oliveira.