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Deputados pedem intervenção em Coari após novas denúncias de exploração sexual

Encontro com cidadãos e empresários do município levou parlamentares a pedir, mais uma vez, o afastamento da cúpula administrativa e a nomeação de um interventor para a Prefeitura

Deputados da CPI da Pedofilia colhem depoimentos de vítimas da rede de exploração sexual em Coari

Deputados da CPI da Pedofilia colhem depoimentos de vítimas da rede de exploração sexual em Coari (Divulgação)

Dez deputados estaduais, membros da CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), entraram, na manhã desta quarta-feira (11), com um novo pedido de intervenção no município de Coari, a 363 km de Manaus. A solicitação foi dirigida ao Ministério Público Estadual (MP-AM), após o recebimento de novas denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes pelos parlamentares.

Na terça (10), o Foro Social Permanente de Coari, constituído por representantes de entidades não governamentais, esteve na ALE-AM para relatar o clima de violência e coação que, de acordo com eles, impera no município mesmo após a prisão do prefeito Adail Pinheiro, acusado de chefiar uma rede de prostituição de menores que alimentava a cúpula da administração municipal.

A comerciante Raimunda Socorro Lima de Moura, 53, denunciou que há cerca de seis meses teve a banca de revistas arrancada por funcionários da Prefeitura de Coari, por comercializar uma edição do jornal A CRÍTICA contendo denúncias contra Adail. 

“Estou aqui hoje pedindo socorro, porque o que eu estou vivendo em Coari ser humano nenhum consegue suportar. Eu tinha a minha banca de revistas há 17 anos, mas agora, o jornal que vem pra cidade falando alguma coisa a respeito da vida do prefeito ou dos atos dele você não pode vender. Existe uma ditadura em Coari, e as coisas pioraram depois da prisão dele (Adail Pinheiro)”, disse Socorro.

Outra das denúncias relatadas no encontro foi a de uma servidora do município, cuja filha foi vítima da rede, e que, por ter denunciado a situação, passou a sofrer perseguição política e intimidação da Prefeitura, tendo seus subsídios cortados, embora os documentos atestassem o pagamento.

Situação extrema

Empresários de Coari também denunciaram a corrupção e o coronelismo da administração. Embora seja um dos municípios mais ricos do Amazonas, dono de jazidas de petróleo e gás natural, as escolas de Coari sofrem com a falta de merendas, os hospitais estão com falta de medicamentos, e comerciantes vêm fechando estabelecimentos por conta da escalada de violência e roubos na cidade.

 
Movimentos sociais de Coari fazem protesto contra a exploração sexual e a corrupção no município, nesta quarta (Divulgação)

A Prefeitura de Coari, em nota, contesta o que chama de “informações equivocadas e deturpadas que têm sido divulgadas pelo deputado Luiz Castro (PPS, membro da CPI da Pedofilia) com a intenção de fomentar imagem de instabilidade e corrupção na administração municipal, visando induzir órgãos federais e estaduais a promoverem uma intervenção no município.

O primeiro pedido de intervenção em Coari foi feito em fevereiro deste ano pelo procurador Francisco Cruz. A intervenção do Estado nos municípios é um ato de exceção, só admitido em casos excepcionais expressamente previstos nas Constituições federal e estadual. É um recurso extremo, visando sobretudo a manutenção do Estado Democrático de Direito e a proteção da administração e dos administrados em face de atos abusivos e ilegais dos governantes locais. Nela, o governador do Estado pode afastar o gestor municipal e nomear um interventor para restaurar a normalidade administrativa.

Ainda na manhã desta quarta-feira (11), movimentos sociais e inclusive alguns parlamentares que compõem a CPI da Pedofilia da ALE-AM participaram de um protesto contra a exploração sexual e a corrupção pelas ruas do Centro de Manaus.

* Com informações da repórter Janaína Andrade