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Detento é morto por colegas de cela dentro de delegacia no AM

Nove homens confessaram assassinar Aguinaldo Cenaquia Moreira, 38, por retaliação. Ele foi preso por agressão física contra a esposa, mas também era acusado de estuprar a enteada, o que não foi comprovado

Condições das celas que abrigam presos no interior do Amazonas

O crime aconteceu dentro de uma das duas celas da 36ª DIP, que estão superlotadas, segundo OAB-AM (OAB-AM)

O detento Aguinaldo Cenaquia Moreira, 38, foi morto por espancamento dentro de uma cela na 36ª Delegacia Interativa Comunitária (DIP) do município de Rio Preto da Eva, a 57 quilômetros de Manaus, na noite de segunda-feira (7). Aguinaldo havia sido preso às 16h, e cinco horas depois foi espancado até a morte por nove companheiros de cela.

Aguinaldo foi indiciado e preso por agressão física contra a esposa, que não teve o nome revelado, e também era acusado por ela de abusar sexualmente da enteada adolescente, o que não foi comprovado pela polícia. Por volta das 21h de segunda (7), a vítima foi cercada e linchada dentro da cela por nove homens, que confessaram o crime.

Ao delegado Eron Ferreira, adjunto da 36ª DIP, os suspeitos confirmaram a autoria do crime. Um décimo companheiro de cela de Aguinaldo, que seria evangélico, negou participação no assassinato, mas confirmou o envolvimento dos nove homens. Ao todo, 11 pessoas estavam na cela, sendo que a delegacia possui duas celas, sem quantidade exata de presos.

Após ser indiciado por agredir a esposa, Aguinaldo não conseguiu pagar fiança e acabou detido na cela com os dez detentos. Sabendo da agressão contra a mulher e do suposto estupro contra a enteada, os nove presos decidiram espancar Aguinaldo. Os investigadores da 36ª DIP acreditam que o crime tenha sido motivado por represália ao suposto estupro.

A assessoria da Polícia Civil negou um princípio de rebelião que tenha acontecido na delegacia. Os nove suspeitos de matarem Aguinaldo prestaram depoimento e poderão ser indiciados por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Nenhum funcionário da delegacia disse ter percebido o que estava acontecendo na cela. Os próprios policiais da 36ª DIP investigarão o caso.

Inspeção da OAB-AM

Há uma semana, na quarta (2), a Ouvidoria da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM) realizou uma visita surpresa na 36ª DIP e constatou graves violações aos direitos humanos cometidas contra 34 detentos da delegacia, como celas superlotadas e até detento algemado em um banco. A inspeção resultaria em relatório a ser enviado para órgãos de Direitos Humanos no Brasil.

Segundo os ouvidores, os então 34 presos estavam divididos em duas celas de 3m x 5m, e por não caber mais ninguém um detento havia sido algemado a um banco no corredor da delegacia. Conforme os inspetores da OAB-AM, os detentos eram supervisionados por um policial e por uma escrivã, o que deveria ser feito por um agente carcerário.