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Após acidente, eletricista usa primeira mão biônica comercializada em Manaus

Equipamento usado por Magno Pinheiro de Souza custou R$ 85 mil. O aparelho foi garantido pelo empregador do eletricista após acidente de trabalho

Magno Pinheiro de Souza, 22, estampa a felicidade no rosto e brinca com sua nova mão: ‘Já consegue pegar copo d’água’

Magno Pinheiro de Souza, 22, estampa a felicidade no rosto e brinca com sua nova mão: ‘Já consegue pegar copo d’água’ (Márcio Silva)

Depois de passar o último dia de Natal sem as duas mãos e sem dois dedos do pé, devido um acidente de trabalho, o eletricista Magno Pinheiro de Souza, 22, tem motivos de sobra para comemorar: ele recebeu, no mês passado, o que pode ser a primeira mão biônica comercializada em Manaus.

Segundo Magno, que viajou para passar as festas de final de ano com a família em um município do interior do Estado, o Natal foi bem diferente e com muito mais alegria. “No Natal de 2012, eu já estava em casa, mas estávamos todos tristes pelo que tinha acontecido. De lá pra cá muita coisa mudou e posso dizer que estou muito feliz”.

CONFIRA AQUI A GALERIA DE IMAGENS DE MAGNO COM A MÃO BIÔNICA

Magno, agora aposentado, trabalhava em uma empresa de engenharia e tinha ido ao município de Nova Olinda do Norte, a 135 quilômetros da capital, realizar um serviço de manutenção na rede elétrica.

Ele informou que o acidente aconteceu por volta das 13h do dia 19 de outubro de 2012 e que ficou pendurado no poste. Segundo ele, mesmo utilizando os equipamentos de segurança, bota, cinto, capacete, luvas, não teve como evitar.

“Eu tinha subido no poste e estava utilizando os equipamentos de segurança, mas, por um descuido meu, coloquei as mãos na rede de alta tensão, que ainda estava ligada. A partir daí eu não lembro mais de nada”, disse.

Magno informou que foi socorrido por colegas de trabalho e encaminhado ao pronto-socorro do município, onde recebeu os primeiros atendimentos.

“Meus amigos me levaram ao pronto-socorro e no outro dia meu chefe fretou um avião para me trazer a Manaus. Fiquei internado por quase dois meses e a única solução era cortar o que tinha sido afetado”, revelou.

Decisão
Para o eletricista, o dia mais difícil foi quando os médicos informaram que teriam que amputar as duas mãos.

“Foi uma decisão muito difícil de ser tomada por mim e pela minha família, mas os médicos disseram que se não fizesse isso eu poderia morrer. Passei alguns meses muito triste e pensando o que ia ser da minha vida, mas com a ajuda da minha família e do meu patrão, isso está mudando”, declarou.

Nova etapa
Passado o susto e a decepção de perder as duas partes do corpo que ele mais usava para trabalhar, ele revelou que, em menos de duas semanas utilizando a mão biônica, muita coisa havia mudado em sua vida.

“Já comecei a me adaptar e comecei a fazer alguns movimentos. Até consigo pegar um copo para beber água; também já consigo abrir a porta e até mesmo voltei a escrever”, disse com alegria. Segundo Magno, seu objetivo agora é voltar a estudar. “Sei que vou conseguir”, afirmou.


Viagem a São Paulo

Responsável por intermediar a compra e confeccionar o encaixe da mão biônica, o protesista Marcos Francisco da Silva Campos (foto), 37, teve que viajar para São Paulo e passar por um curso oferecido pelos fabricantes do equipamento.

“O patrão dele me procurou, fizemos contato com essa empresa, que fica em Sorocaba e conseguimos um preço abaixo das outras. Fizemos todo o processo de compra e depois precisei viajar para participar de um curso durante uma semana, para poder conhecer o equipamento”, disse.

Marcos informou também que já tinha trabalhado com modelos inferiores e acredita na possibilidade dessa ser a primeira do tipo, adquirida em Manaus, até mesmo pelo custo elevado. “Como eu já tinha trabalhado com a Mil Elétrica, que é um modelo inferior, não tive tanta dificuldade. Mas que eu saiba, essa é a primeira mão biônica desse tipo adquirida por uma empresa local, pois custa muito caro”, declarou.

Além da mão biônica, também foi confeccionada uma luva especial que chegou no final do ano passado. “Mandamos confeccionar uma luva especialmente pra ele, porque a luva é da cor da pele e a intenção é que fique bem próximo do real”, concluiu.

Segundo Magno Pinheiro de Souza, ele teve que ser acompanhado por um psicólogo para poder enfrentar a situação. “Agora é começar a me adaptar e procurar levar uma vida normal, afinal, Deus me deu a oportunidade de viver novamente”, disse o eletricista.

Procurado para comentar o assunto e falar sobre a assistência prestada ao funcionário, o representante da empresa de engenharia, que preferiu não ter o nome revelado, limitou-se a dizer que Magno está recebendo toda assistência necessária.

“A empresa fez e está fazendo tudo para devolver a ele uma vida normal. O que nós queremos é ver a felicidade dele e para isso, vamos continuar trabalhando”, disse.