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Fábrica denunciada por dano ambiental no município de Iranduba (AM)

Moradores relatam ruídos, mau cheiro e despejo de resíduos na mata que estaria afetando, inclusive, o lago do Ariauzinho, reserva ambiental

Moradores relatam ruídos, mau cheiro e despejo de resíduos na mata que estaria afetando o lago do Ariauzinho, reserva ambiental

Moradores relatam ruídos, mau cheiro e despejo de resíduos na mata que estaria afetando o lago do Ariauzinho, reserva ambiental (J. Renato Queiroz)

Moradores das comunidades Calderão e Jandira, pertencentes ao Município de Iranduba, estão denunciando a empresa Solimões Indústria e Comércio de Óleos e Proteínas Ltda, instalada no quilômetro 7 da estrada do Calderão, de contaminar a região com mau cheiro e resíduos, que estariam afetando, inclusive, o lago do Ariauzinho, reserva ambiental onde há criação de pirarucu.

O agricultor Francisco  Conceição, 26, levou A CRITICA a uma das cabeceiras do lago, onde é possível sentir um odor diferente. “Tem resto de coisas, que a gente não sabe o que é, mas que fede muito e é jogado perto daqui. Nos fundos do terreno deles, na mata, é uma verdadeira podridão”.

Líder comunitário e delegado do Sindicato Rural, Elson Lopes, 55, confessa que ainda não viu a contaminação mas, que sente, literalmente, algo contaminador no ar. Ele revela que os comunitários de Jandira o procuraram para interceder junto às autoridades. “Nós estamos preparando um documento. Um rapaz que trabalha lá disse que eles não usam luva nem máscaras. Minha casa é longe, mas tem dias que a gente sente o fedor”, revela.

A agente ambiental voluntária do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Auxiliadora Frazão, é uma das mais entusiastas pela solução do problema. “É muita mosca  e fedentina, que antes da fábrica não tinha aqui. Instalaram essa fábrica pensando que não ia prejudicar a comunidade, mas hoje está insuportável”.

O agricultor Raimundo Olegário, 42, que mora na margem do lago Ariauzinho, foi um dos poucos que diz ter enfrentado a mata fechada que fica nos fundos da fábrica e visto resíduos em decomposição. “É tipo uma gosma fedorenta que é jogada. Eu já fui lá e senti fedor de carniça, quase eu vomito. Em casa, até 21h, não tem quem suporte”.

Empresário da construção civil, José Raimundo Flores, 60, tem residência numa das margens do lago do Ariauzinho e foi o primeiro a denunciar o problema. “Há três meses começou a infestação de mosca varejeira. Em seguida um odor insuportável e o barulho à noite. Parece que estavam queimando restos de animais”, relata.

Órgãos não constataram problema

Procurado pela reportagem, o gerente do Departamento de Vigilância Sanitária, na área de produtos da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Jackson Ângelo, informou que, na quinta-feira passada, inspecionou a fábrica Solimões, atendendo denúncia dos moradores.

“Estávamos em grupo com outros órgãos. Não percebi odor forte, apenas a necessidade de isolar o interior da fábrica com uma barreira de proteção contra pragas para evitar a proliferação de moscas”.

Já o Ipaam divulgou nota informando que, na terça-feira, enviou dois analistas do Instituto ao local. “Eles percorreram todas as dependências internas e externas da empresa, inclusive pedindo para que todo o maquinário fosse colocado em funcionamento para avaliarem o ruído. Percorreram também a área de floresta no entorno da empresa, mas não identificaram qualquer irregularidade. Conversaram com moradores próximos que disseram que os ruídos e odores existiram somente quando a fábrica começou a funcionar. A empresa tem uma atividade ambientalmente muito importante, pois, sem ela, os resíduos de matadouros estariam sendo jogados na natureza”, relata a nota.