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Fabrício Lima, candidato: ‘Esporte deve ser visto como investimento, e não custo’

Em entrevista exclusiva a A CRÍTICA, o vereador e ex-secretário municipal de Esporte fala sobre os preparos para disputar uma das 24 vagas de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Amazonas

Fabrício Lima está no quarto mandato como vereador e foi secretário municipal de Esporte por duas vezes

Fabrício Lima está no quarto mandato como vereador e foi secretário municipal de Esporte por duas vezes (Euzivaldo Queiroz)

Menos de três meses depois de dizer com todas as letras que não seria candidato, o ex-secretário de Esporte de Manaus, vereador Fabrício Lima (SDD), mudou de ideia. Segundo ele, a decisão atendeu a um pedido do prefeito Artur Neto (PSDB), a quem se diz grato e fiel.

Ao A CRÍTICA, Fabrício expôs as motivações que o fazem se colocar como opção para uma das cadeiras de deputado estadual. E mesmo dizendo não ser de seu perfil alfinetar adversários, o parlamentar palpita sobre a administração da Secretaria Estadual de Esporte. A titular da pasta, Alessandra Leite (PCdoB), também é pré-candidata ao parlamento estadual. A seguir, trechos da entrevista.

Em dezembro de 2013, o senhor disse que a pedido do prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), não seria candidato. O que aconteceu para o senhor agora decidir disputar as eleições?

Na sexta-feira, um dia antes do fim do prazo para a desincompatibilização, o prefeito me chamou e conversamos durante longas horas. Chegamos à conclusão de que eu deveria participar do pleito para defender essa bandeira do esporte. Falta essa discussão chegar ao Estado. Conseguimos mudar um pouco a cara da cidade, mas falta essa problemática do esporte chegar nas calhas dos rios, no interior. Vendo essa conjuntura, nós não tínhamos um nome no nosso grupo que levantasse essa bandeira para ser candidato. E ele (Artur) me convidou para participar.

Se não houvesse o pedido do prefeito, o senhor teria saído da secretaria?

Eu fiquei muito à vontade para sair porque minha equipe toda ficou lá. Meu subsecretário virou secretário. Nosso diretor-executivo virou subsecretário. Estava preocupado que ao sair acabasse a Faixa Liberada, o Bolsa Atleta. Minha preocupação era que ficasse alguém que pudesse defender isso, e o trabalho não tivesse uma descontinuidade. Agora, se me dissesse: Fabrício, sai com todo mundo para ser candidato, com outra pessoa indo para lá e começar tudo de novo, eu pensaria duas vezes antes de sair. Para mim, o que fala mais alto é o trabalho que foi construído na secretaria.

O senhor pareceu à vontade na função de secretário. O que lhe atrai mais, o parlamento ou o posto do primeiro escalão?

São trabalhos diferentes. Mas ser secretário me ajudou a amadurecer como parlamentar. Uma coisa complementou a outra. Meu mandato de vereador ficou muito mais maduro naquilo que é minha pauta, que é o esporte, depois que eu fui para a secretaria.

Esporte dá voto?

É uma bandeira que mexe com a cidade.

Quando se investe em Esporte, está se investindo em outras áreas também?

Ele está investindo em Saúde, Segurança, Educação. Tem outra vertente que pouca gente vê, que é a econômica. Manaus cresceu assustadoramente. E você precisa ver a quantidade de academias em Manaus. Mais academias significa mais professor, mais emprego. A quantidade de faculdades de Educação Física aumentou. Imagine quantas bicicletas, patins, patinetes, roupas de malhar estão sendo vendidos a mais em Manaus... A quantidade de dinheiro que está movimentando tudo isso na cidade é grande. Não tenho dúvida de que o esporte mexe com todas as áreas da cidade. Tudo isso mostra que o investimento em esporte é importante.

Muitas das ações da secretaria que o senhor dirigiu foram voltadas para grandes eventos, envolvendo atletas e práticas esportivas já consagradas, que rendem publicidade. O que foi feito para promover a prática esportiva nas periferias?

Temos parceria com a ginástica no Eldorado. Fundamos um clube (de futebol), o Manaus Esporte Clube, que só tem categorias de base. Pagamos ano passado toda a arbitragem do Campeonato Amazonense de categoria de base, tentando revelar talentos. Veio o vôlei. Temos a Copa dos Bairros de basquete, de futebol, mexendo com toda a cidade. Temos futebol comunitário para o ano todo. Fomentamos praticamente todas as competições de corrida de rua. Fizemos parceria com o tênis de mesa e a modalidade saiu de 50 filiados para mais de 600. Temos o triátlon que há três anos tinha dez filiados e agora tem mais de 300. Criamos o Bolsa Atleta, que é para crianças a partir de 13 anos. Fizemos trabalho com o Sesi, que se chama Sesi Atleta do Futuro, visando as Olimpíadas de 2020. Ainda não está o ideal, mas a gente começou a fomentar a base agora.

Ao se colocar como opção para defender a bandeira do Esporte na Assembleia, o senhor deve ter ressalvas quanto às políticas do Estado. No parlamento, quais seriam suas propostas?

O Bolsa Atleta estadual. Temos Bolsa Atleta Federal e municipal, mas não existe estadual. A Vila Olímpica funciona muito bem hoje, mas ela poderia melhorar. Quando foi concebida, aquela escola Francisca Botinelli, que fica dentro da Vila Olímpica, era para atender os atletas que moravam na Vila Olímpica. Lá tem um refeitório enorme, tem um espaço maravilhoso. A ideia seria transforma aquilo ali num grande Centro de Alto Rendimento. Hoje funciona bem, mas poderia melhorar. Políticas públicas mesmo de apoio às federações. Fazer trabalho para se criar novos clubes em Manaus. A gente cobra da federação, só que a federação hoje faz o papel dos clubes. Não existem muitos clubes em Manaus. Existem os de futebol. Criar programas com início, meio e fim, principalmente no interior. Exemplos: Maués é uma potência no triátlon; e Parintins revelou grandes nomes no dardo.

E como abrir oportunidade nessa área para o interior?

Criando condições nos próprios municípios sede. Criando alternativas nos municípios polos. Revelando dois, três atletas no município, traz para a Vila Olímpica, com aquele hotel funcionando e a criança podendo estudar lá. Políticas públicas com começo, meio e fim trazem resultado a médio, longo prazo. Temos um interior aí enorme. O Estado investiu muito bem no futebol, mas faltou investimento no esporte olímpico.

Temos exemplo de atleta amazonense que foi medalhista em Panamericano e hoje sustenta a família trabalhando de segurança em casa de show em Manaus. Como evitar que isso aconteça?

O Bolsa Atleta. Vou te dar um exemplo: o Sandro Viana. É medalhista do Panamericano que recebe Bolsa Atleta. Esse atleta não precisava nem ter ganhado medalha. Esse atleta estaria com um salário de R$ 4 mil por mês, se nesse momento que ele ganhou a medalha fosse da existência do Bolso Atleta. Temos crianças com o Bolsa Atleta que ganham mais que o pai e a mãe. E se o atleta for convocado para o Pan ou para a Olimpíada, ganha R$ 1 mil a mais. O salário passa para R$ 5 mil. É importante que entre na pauta dos nossos governantes o esporte como investimento e não como custo.

O senhor diz não ter usado a secretaria para obter dividendos eleitorais. Mas concorda que a visibilidade do cargo pode ajudá-lo nas eleições?

Ah, com certeza. Não me dá vantagem. Mas mostra que quando eu tive oportunidade de fazer algo, consegui realizar. Assim como um bom parlamentar, fazendo um bom trabalho no parlamento, vai conseguir mostrar para a sociedade que merece continuar lá. Mas eu nunca usei a marca da secretaria. Você não me via entregando troféu. Fazendo discurso antes de começar os eventos. Nosso discurso era o nosso trabalho. Se você perguntar qual foi a coisa mais importante que eu fiz na secretaria, eu respondo que foi a cultura de praticar esporte em Manaus. Tentei dar o melhor de mim, e com certeza as pessoas perceberam isso.

O Solidariedade tem um pré-candidato ao governo, que é o deputado federal Henrique Oliveira. É no palanque dele que o senhor vai subir?

Sim. Estou escrevendo um trabalho para apresentar a ele de política pública de esporte para que entre no plano de governo dele. Ele é mais uma opção que estamos dando ao Governo do Estado. É um cara novo, deputado federal. Digo isso sem desmerecer nenhum outro candidato, não tenho problema com nenhum, mas meu candidato é o Henrique.

O prefeito Artur Neto, a quem o senhor diz respeitar e ser fiel, está bem próximo do ex-governador Omar Aziz e do governador José Melo. Um pedido do prefeito o faria migrar para o palanque do governador?

O Artur é um cara muito democrático. Isso não vai partir dele. Quando tomei a decisão de ir para o Solidariedade, foi apoiado por ele. O Artur sempre foi amigo do Omar, e o Omar apoiou a Vanessa (Grazziottin, nas eleições de 2012) contra o Artur. E os dois sempre se respeitaram, apesar de estarem em lados opostos. Eu sou amigo de infância do Marcelo (Ramos), estudamos na mesma escola. Mas nunca estivemos no mesmo lado. E sempre fomos grandes amigos, treinamos juntos inclusive. Mas estou num partido e vou caminhar nesse partido. Temos convicção de que o Henrique tem condições de ser governador do Estado.