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Greve da Polícia Militar do Amazonas se concretiza

Centenas de policiais se concentraram em frente à Arena Amadeu Teixeira, no início da madrugada desta segunda-feira (28), para declarar o início da greve prometida há dias pelas redes sociais

Policias militares cruzaram os braços exigindo cumprimento de promessas por parte do governo

Policias militares cruzaram os braços exigindo cumprimento de promessas por parte do governo (Chico Batata)

Soldados da Polícia Militar do Amazonas cruzaram os braços desde a madrugada desta segunda-feira (28) para reivindicar melhorias na classe, especialmente nos critérios de promoção e nas escalas de trabalho adotadas pelo comando da PM. Até agora, não há informações exatas do número de policiais que estão sem trabalhar.

Um grupo que representa os grevistas deve ser recebido pelo governador do Amazonas, José Melo (Pros), na sede do governo, ainda pela manhã, para negociar o fim da paralisação. O prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB), se colocou à disposição dos grevistas para mediar o diálogo com o governo do Estado.

A concentração dos soldados iniciou a meia noite em frente a Arena Amadeu Teixeira, ao lado da Arena da Amazônia. Uma multidão de praças chegou até lá ao som de buzinaços, em carros próprios, levando esposas e filhos, mas, outros, também foram em viaturas da Polícia Militar. Alguns policiais abandonaram os plantões para se juntar à paralisação.  


“Os soldados estão paralisados”, anunciou, ainda na madrugada, o presidente da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam), Platiny Soares. Em cima de um carro de som, os policiais se revezavam em discursos contra o comando da PM e o governo do Amazonas. Não houve tumultos. Os PMs também cantaram o Hino Nacional e o hino da corporação.

Faixas e cartazes de protesto reclamavam do legado da Copa para a Polícia Militar e exigiam a Lei da Carreira, Código de Ética, vale-alimentação, adicional noturno e auxílio-moradia para soldados lotados no interior do Estado. Um cartaz afixado em um veículo dizia: “Não mereço ser estuprado pelo governo”. Os PMs também exigiam anistia para todos os soldados que participam da paralisação. 

“A partir desse momento a Polícia Militar do Amazonas cruzou os braços: todas as unidades, CPI, CPM e CPE, que corresponde ao policiamento do Estado inteiro. Temos unidades paradas no interior do Estado, na capital, e o policiamento especializado, Rocam, Choque, COE, batalhões que fazem o trabalho especial dentro da corporação. É um movimento grevista, não. É greve! Nós iniciamos a greve da Polícia Militar”, disse Gerson Feitoza, diretor jurídico da Apeam, a 1h da manhã.

Os policiais pediam a presença do governador José Melo e, na ocasião, repudiaram a iniciativa do prefeito Arthur Neto que, em nota enviada aos líderes do protesto, se colocou à disposição para se tornar um mediador do movimento. “Temos uma pauta de reivindicação que queremos mostrar para o governador. A partir do momento que ele vier aqui, e nossa pauta for atendida, voltaremos ao trabalho”, afirmou Gerson Feitoza.


“Reivindicar a carreira de promoção e uma escala de trabalho justa é uma questão de respeito”, discursou o soldado Ageu Carvalho, que deixou o plantão da 6 Cicom, no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus, para se juntar ao movimento grevista. “Um oficial me ligou ameaçando, dizendo que eu vou ser expulso da PM. Não temos medo desse tipo de ameaça”, afirmou.

“O primeiro ponto da negociação é a nossa anistia total, para que nenhum soldado possa ser repreendido através desse RD-PMAM (Regime Disciplinar da Polícia Militar do Amazonas) covarde. Queremos mostrar ao governador a realidade do policial militar. Os oficiais e o seu comando passam uma situação para ele que é totalmente diferente do que vivemos”, disse o PM Eduardo Silva.

‘Politiqueiros’

Em entrevista à rádio A Crítica FM, na manhã desta segunda-feira, o prefeito Arthur Neto voltou a afirmar que se dispõe a mediar o diálogo dos grevistas com o governo do Amazonas, mas disse que o “caos” na segurança pública só interessa a “politiqueiros”.

“Greve de policiais é terminantemente proibida conforme a constituição federal. A grande maioria (que integra o movimento de greve) é de boa fé. Uma outra tem o interesse de espalhar o caos”, afirmou Arthur Neto.

“Se há um crime, se há vandalismo, é na minha cidade, é por isso que faço um apelo: não entrem por esse caminho. Esse caminho só interessa a politiqueiros”, afirmou o prefeito.

Diálogo

Na noite deste domingo, José Melo defendeu modificações na legislação que dispõe sobre a promoção de praças. e disse que as alterações devem ser discutidas por meio de diálogo. “Nosso Estado evoluiu muito nos últimos anos e essa evolução foi feita à base do diálogo. Tem algo muito errado em relação à promoção dos praças. E não precisa ninguém querer defendê-los. Eles são minha responsabilidade, responsabilidade do governador do Estado. O meu Governo não vai permitir que se faça dentro da Polícia Militar qualquer tipo de lei que não tenha o condão de beneficiar aqueles que estão nas ruas, que são os praças. Afinal, são os praças que enfrentam de peito aberto os bandidos. Portanto, se existem falhas, vamos no diálogo corrigir essas falhas para que as promoções dos praças aconteçam da forma correta. E aqueles que mereçam essa promoção, a tenham sem interferência política”, afirmou.