Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Falso intérprete em cerimônia fúnebre de Nelson Mandela confessa sofrer de esquizofrenia

Foi levantada a suspeita de que o "intérprete" Thamsaqa Jantjies, o centro da discussão, era, na verdade, um impostor. Ele confessou que toma medicação para esquizofrenia

Thamsaqa Jantjies "traduziu" discursos do presidente-norte-americano Barack Obama e da presidente do Brasil Dilma Rousseff

Thamsaqa Jantjies "traduziu" discursos do presidente-norte-americano Barack Obama e da presidente do Brasil Dilma Rousseff (Reprodução/Internet)

Antes mesmo de encerrar a cerimônia em homenagem ao ex-presidente sul-africano Nelson Mandela no Estádio Soccer City, em Joanesburgo, na segunda-feira (10), uma polêmica em torno do intérprete de sinais que traduziu os discursos de autoridades ganhou as redes sociais e acabou forçando uma investigação do governo da África do Sul para apurar o caso.

Foi levantada a suspeita de que O "intérprete" Thamsaqa Jantjies, o centro da discussão, era, na verdade, um impostor. Durante a solenidade, ele fez gestos com as mãos como se estivesse traduzindo discursos da presidente do Brasil Dilma Rousseff, do presidente-norte-americano Barack Obama, e de personalidades africanas.

A deputada sul-africana Wilma Newhoudt, vice-presidente da Federação Mundial de Surdos, mostrou sua indignação ainda durante o tributo, por meio do microblog Twitter.

Na rede social, ela pediu para que tirassem o intérprete ainda durante o evento e o criticou duramente. "Que vergonha esse homem que se chama intérprete no palco. O que ele está sinalizando? Ele sabe que surdos não [conseguem] vaiá-lo", escreveu.

Nesta quarta-feira (11), o governo informou que estava apurando o caso do “falso” intérprete. Nesta quinta-feira (12), porém, após ser acusado de falsário e de ter simulado gestos, sem nenhuma proximidade com a linguagem de sinais, Jantjies concedeu entrevista a um repórter local se justificando.

Ele disse que, durante o memorial com a presença de quase 100 chefes de Estado, sofreu um “episódio esquizofrênico”. Segundo Jantjies, de repente, começou a ter alucinações e ouvir vozes. Ele disse que toma medicação para esquizofrenia e não sabe o que levou ao surto, se a magnitude do trabalho que estava fazendo, e pediu desculpa.

“Não tinha nada que eu poderia fazer. Estava sozinho em situação muito perigosa. Tentei me controlar e não mostrar ao mundo o que estava acontecendo. Eu sinto muito”.

O intérprete disse que, quando a empresa que lhe emprega disse que trabalharia no memorial, ele se sentiu honrado por fazer parte do momento histórico. Jantjies receberia o equivalente a R$ 200.

Apesar das alucinações, que prejudicaram seu trabalho em um dos momentos mais importantes da despedida ao maior líder de seu país e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1993, ele disse não podia sair do local e, então, continuou a fazer gestos sem sentido.

“Esta doença é injusta. Qualquer um que não entenda essa doença vai pensar que eu estou inventando tudo”, desabafou ele, que dividiu com o presidente sul-africano Jacob Zuma, várias vezes vaiado durante a cerimônia, o foco das críticas nos últimos dias.

O jornal que fez a entrevista informou que o homem, de 34 anos, mostrou documentos que comprovam seu trabalho como intérprete, incluindo fotos ao lado de autoridades em grandes eventos.