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‘Acreditar, persistir e trabalhar muito’, diz tricampeão mundial de F1 e empresário Nelson Piquet

Há 20 anos ele resolveu encarar as pistas do mundo dos negócios e criou a Autotrac, empresa especializada em equipamentos de segurança e rastreadores pessoais. Piquet contou ao A CRÍTICA os planos de expansão

Nelson Piquet veio a Manaus divulgar o Autotrac Mini, dispositivo de rastreamento pessoal e não apenas de veículos de carga, seu novo produto

Nelson Piquet veio a Manaus divulgar o Autotrac Mini, dispositivo de rastreamento pessoal e não apenas de veículos de carga, seu novo produto (Luiz Vasconcelos)

Conhecido e aclamado por sua trajetória esportiva, o tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet, há 20 anos trocou os autódromos pelas pistas do mundo dos negócios. À frente da Autotrac, empresa especializada em equipamentos de segurança e rastreadores pessoais, o empresário tem planos de expandir ainda mais os negócios.

Em visita a Manaus, na quarta-feira, onde apresentou a empresários e investidores locais a sua nova linha de produtos, no hotel Caesar Business, o ex-piloto e acionista majoritário da Autotrac falou com exclusividade ao DINHEIRO sobre seus desafios enquanto empresário, as dificuldades de gerenciar negócios no Brasil e suas projeções para o futuro da empresa.

A sua visita faz parte do “Circuto Autotrac”, evento que pretende divulgar os novos produtos da empresa e fechar negócios. Como surgiu a ideia de incluir Manaus no roteiro?   

No final do ano passado, lançamos nossa linha de produtos 2014 e, entre eles, o Autotrac Mini, dispositivo de rastreamento pessoal e não apenas de veículos de carga. Esse produto marca a nossa passagem para o mercado de varejo e Manaus está entre as cidades escolhidas para a divulgação da nova linha, por seu tamanho e importância.      

 A estimativa da Autotrac é de que a comercialização do produto permita dobrar o faturamento da empresa nos próximos anos. Por quê?

Porque esse tipo de produto muda a forma de comercialização da empresa. Vamos fazer 21 anos em atividade e sempre trabalhamos com o rastreamento de caminhões de carga. Fomos nós que trouxemos essa cultura de rastreadores computadorizados para o país. Agora estamos visando, além deste, outros tipos de transporte como carros e motocicletas e até itens pessoais como malas, por exemplo. É uma nova cultura de rastreamento.

E qual a expectativa de ganhos com essa inovação?

Com essa mudança de foco, esperamos passar dos atuais R$ 300 milhões em faturamento anual para R$ 600 milhões, nos próximos cinco anos.

Qual a principal vantagem desses dispositivos?

Eles permitem praticidade e controle total do que se deseja rastrear. O consumidor pode, por exemplo, colocar o rastreador no carro e monitorar por telefone a localização do veículo. Mas ele permite mais. Uma pessoa pode gravar a sua rotina no rastreador. Se ela sair dessa rotina, no caso de um sequestro, o telefone manda um aviso para as pessoas cadastradas pra elas verificarem o que está ocorrendo. Uma evolução nesse setor.

Apesar de comandar a empresa há 20 anos, sua imagem ainda é lembrada por sua contribuição para a Fórmula 1. Como foi esse processo de mudança, de esportista a empresário?

Quando eu fiz 40 anos eu queria voltar para o Brasil e queria fazer alguma coisa.  Então eu descobri nos Estados Unidos essa tecnologia via satélite que permitia o rastreamento de grandes veículos de carga e o acompanhamento por meio de computadores. Lá esse sistema era usado apenas para controle logístico. Eu trouxe essa tecnologia pra cá e a transformei com minha equipe em um produto de segurança.

Qual foi o grande desafio dessa escolha?

Os primeiros anos foram difíceis justamente porque nós vendíamos uma cultura. 70% das transportadoras que eu visitei não tinham nem computador. Então eu tinha que convencê-los da importância do rastreamento em um lugar onde não havia computador  nas empresas nem para fazer a contabilidade.

O esforço foi recompensado?

Sim, hoje temos mais de 100 mil caminhões no Brasil rastreados, apenas com produtos da nossa companhia. A cultura está enraizada.

E hoje com a empresa está configurada?

A empresa começou dentro da Universidade de Brasília (UNB) e dos 10 diretores que temos hoje, nove saíram de lá. Eles começaram como estagiários e tiveram na empresa seu primeiro emprego. Hoje, são 300 colaboradores e em torno de 1.500, se contarmos as concessionárias espalhadas pelo país.

Após todos esses anos de experiência, o senhor acredita que o mercado é tão competitivo quanto a Formula 1?

Sem dúvida. Fazer negócios, ainda mais no Brasil, pode ser encarado como uma competição. Mas a minha principal disputa não é com o concorrente e sim comigo mesmo, tentando fazer, à frente da empresa, cada vez melhor.

O que o senhor trouxe da pista de corrida para os negócios da sua empresa?

A disciplina, com o estabelecimento de horários, metas e também essa competitividade de querer fazer funcionar, crescer, ver o time trabalhar bem.

Quais as dificuldades de desenvolver esse tipo de negócio no país? O modelo econômico nacional atrapalha?

O governo federal atrapalha muito. Não estou falando de governantes e sim do governo em geral. Não fossem as dificuldades oferecidas pela burocracia da máquina pública, a empresa teria o dobro do tamanho. São mudanças de regras, medidas provisórias e uma insegurança jurídica que prejudica o empresariado em geral. O problema é puramente burocrático e é sistêmico.

Se o senhor pudesse dar um conselho para os novos empreendedores que estão iniciando a carreira, qual seria?

Se for lançar algo, seja produto ou serviço, tem que ser inovador e é precisa acreditar no que está vendendo. O resto é trabalho. Também é preciso ter persistência. A Autotrac demorou sete anos para dar lucro, mas tínhamos um planejamento consolidado. Esse é o segredo.

Perfil

Nasceu no Rio de Janeiro e viveu parte de sua infância e juventude na recém-inaugurada capital Brasília. O pai, médico  Estácio Gonçalves , ex-ministro da Saúde, não aprovava sua carreira automobilística. Piquet foi tricampeão da F1. Após anos nas pistas, dedicou-se aos negócios. Criou a Autotrac, pioneira no país em monitoramento de caminhões de carga.