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Bioprótese de pé e tornozelo em madeira produzida no AM é mais barata que fibra de carbono

Os ganhos com a nova prótese vão além da economia financeira, afirma a pesquisadora, informando que uma prótese de fibra de carbono custa em média R$ 10 mil e a Bioprótese não passará de R$ 1 mil

Devido ao custo elevado, existem mais de 200 pacientes na fila de espera por uma prótese na rede pública de saúde no Amazonas

Devido ao custo elevado, existem mais de 200 pacientes na fila de espera por uma prótese na rede pública de saúde no Amazonas (Eduardo Gomes/CIÊNCIAemPAUTA)

A imagem das embarcações feitas em madeira ancoradas no Porto de Manaus perdurou por muito tempo no imaginário da engenheira mecânica, Marlene Araújo, que visualizou o potencial do uso da matéria prima para cargas em movimento na construção pioneira de uma prótese de pé e tornozelo com a utilização de madeiras da região amazônica.

Após muito anos dedicados a projetos para a indústria, Marlene Araújo decidiu fazer algo voltado à questão social e há mais de dez anos, a professora, pesquisadora e coordenadora do Núcleo de Tecnologia Assistiva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) começou os estudos para oferecer outra opção, além das próteses de fibra de carbono, aos pacientes protetizados, a Bioprótese de Madeira Laminada e Colada.

A professora diz ter percorrido um longo caminho de pesquisas, testes, modelagens, dimensionamento, escolha das madeiras (Rouxinho, Cumaru e Pau d’Arco), até chegar à atual fase em que se encontra o produto. Ela relembra as várias parcerias realizadas durante as fases da pesquisa citando as empresas Moto Honda da Amazônia e Showa do Brasil, além da UEA e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Ela conta que em 2007, foi a Fapeam que financiou a primeira proposta do projeto e, em 2011, por meio do Programa Estadual de Atenção à Pessoa com Deficiência – Viver Melhor/Edital de Apoio à Pesquisa para o Desenvolvimento de Tecnologia Assistiva (Viver Melhor/Pró-Assistir), liberou recursos financeiros para a execução do projeto ‘Desenvolvimento de Protótipos de Bioprótese em Madeira Laminada e Colada de Pé e Tornozelo com Avaliação Clínica com Pacientes Protetizados’, não só com a proposta de entregar o protótipo, mas com toda a análise de dimensionamento e ensaios clínicos com os pacientes.

Os ganhos com a nova prótese vão além da economia financeira, afirma a pesquisadora, informando que uma prótese de fibra de carbono custa em média R$ 10 mil e a Bioprótese não passará de R$ 1 mil. Araújo revela que, em nível nacional, apenas 3% dos pacientes amputados de pé e tornozelo têm acesso a uma prótese de fibra de carbono pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Devido ao custo elevado, existem mais de 200 pacientes na fila de espera por uma prótese na rede pública de saúde no Amazonas.

Outro benefício destacado é a diminuição da dor que pacientes protetizados sentem, isso porque a madeira é um material biológico, o que contribui para a absorção da dor. “Com a prótese de fibra de carbono o paciente anda sentindo dor, com a de madeira ele vai continuar sentindo dor, mas em menor proporção”, explicou. No campo da economia do Estado, a pesquisadora vislumbra a possibilidade na geração de emprego e renda com a produção e comercialização do produto, que requer 300 gramas de madeira na produção de cada peça.

O projeto ‘Desenvolvimento de Protótipos de Bioprótese em  Madeira Laminada e Colada de Pé e Tornozelo com  Avaliação Clínica com Pacientes Protetizados’ foi dividido  em duas fases: a primeira, com o desenvolvimento do  protótipo e, a segunda, com exames clínicos, a serem  realizados por um médico, ainda este ano, em cinco  pacientes, testes de fadiga na máquina por mais um ano e  depósito da patente. A expectativa é que o projeto para a  produção em escala esteja pronto daqui a dois anos.

Por meio do Programa Viver Melhor/Pró-Assistir, os  paciente selecionados ganharão uma prótese de fibra de  carbono, com o objetivo de comparar as duas próteses, durante os testes clínicos realizados no hospital. Com parte dos recursos recebidos foi feita a aquisição do Robô Humanoide NAO, usado para modelar o ciclo da marcha, ou seja, os passos dos pacientes.

“O robô tem um padrão de marcha humanoide não só para pé e tornozelo, como para joelho e quadril. Como nós temos interesse, no futuro, de trabalhar prótese de joelho e de quadril com outros materiais, vimos que a oportunidade de fazer a aquisição do NAO seria muito importante para o projeto”, disse Araújo.

Além do aporte tecnológico, o robô também será usado para contribuir no processo de ensino e aprendizagem das crianças especiais, seguindo modelos dos Estados Unidos e Portugal, possibilitando que UEA trabalhe de uma forma integrada com outras áreas do conhecimento, unindo a tecnologia desenvolvida na Escola Superior de Tecnologia (EST) aos projetos das áreas de pedagogia e educação física da Escola Normal Superior (ENS).

A equipe coordenada pela pesquisadora conta com a participação de professores, médicos, alunos bolsistas e voluntários dos cursos de mecatrônica e de controle e automação da UEA.

*Com informações de assessoria de comunicação