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Bisneto planeja mudar de casa legislativa nesta eleição

Após três mandatos consecutivos como deputado estadual, Bisneto diz que pode levar até Brasília o legado do avô e do pai

O parlamentar agora sonha com voos mais altos, ciente, segundo ele, dos riscos e das consequências

O parlamentar agora sonha com voos mais altos, ciente, segundo ele, dos riscos e das consequências (Clóvis Miranda)

Com pouco mais de 20 anos de idade Arthur Bisneto (PSDB) assumia, pela primeira vez, um cargo eletivo, na Câmara Municipal de Manaus (CMM). De lá para cá já se passaram 13 anos. Depois do Legislativo Municipal, e com a experiência que conseguiu em seguida na Assembleia Legislativa do Estado (ALE/AM), o parlamentar agora sonha com voos mais altos, ciente, segundo ele, dos riscos e das consequências. Herdeiro da inteligência, oratória e até dos gestos do pai, o prefeito Artur Neto, Arturzinho diz estar pronto para o desafio. Confira trechos da entrevista concedida ao jornal  A CRÍTICA:

Como o senhor avalia o desempenho do seu mandato na Assembleia?

Já estou no meu quarto mandato. Passei dois anos como vereador antes de me eleger deputado. A maturidade vem vindo, a gente vai crescendo e alguns erros que você comete no passado não são mais repetidos. Acho que estou com um mandato mais completo. Sempre tive uma produção parlamentar grande, com número de projetos e requerimentos. Vejo que é um mandato mais produtivo. Estou numa crescente. Viajei muito para o interior, nunca fui de me prender somente na capital. Então, foi muito proveitoso, para mim e para as pessoas que eu possa ter ajudado através de alguma ação nesses últimos anos.

Qual a maior mudança do Bisneto do primeiro mandato para este?

De vinte para trinta e quatro anos de idade! Iniciei na política muito jovem. Graças a Deus não tenho nada que segure meu pulso. Passei por diversas situações. Fui oposição por muito tempo e agora sou da bancada do governador... Não houve nada que me macule politicamente. Tenho o exemplo de casa que é muito claro no que diz respeito a questão pública e às pessoas.

Existe uma preocupação sua em manter a tradição política de sua família imaculada?

Este é o tipo de questão que encaro com tranquilidade. Ser filho e neto de quem sou já me pesou um pouco no passado, mas hoje eu tiro de letra. Quando escolhi entrar na vida pública o prefeito (pai do deputado, o prefeito Artur Neto) foi um pouco reticente com relação a minha idade e a falta de experiência. Mas foi uma decisão que tomei quando ainda morava nos Estados Unidos. O bom de ter entrado na política cedo é que hoje, aos 34 anos, já possuo 13 anos de experiência na vida pública com quatro mandatos consecutivos.

Como define sua atuação na Câmara Municipal e na Assembleia ao longo dos anos?

Fui sempre um opositor leal quando tive a oportunidade. E não deixo de ser crítico deste governo que hoje defendo. Acho que não se pode perder a personalidade. E destaco que não existe um ato meu que não tenha sido pensando nos outros. Eu não fiz política em nenhum momento para benefício próprio e se fizesse algo em benefício próprio seria fora dela. Existe muita confusão em relação as atribuições de cada esfera do poder. Não é papel de um parlamentar, por exemplo, fazer uma obra ou executar orçamento. Isto cabe ao Executivo. Este tipo de situação precisa ser esclarecida para a população. A mistura de quando um parlamentar finge que faz ‘as vezes’ do

Executivo, além de confundir a cabeça das pessoas, só serve de arma eleitoral. Este não deve ser o principal ponto de atuação de ninguém.

O senhor está decidido a disputar eleição para a Câmara Federal?

Em 2006 tive a oportunidade de vislumbrar uma candidatura à deputado federal, mas  não era a hora. Naquele ano eu teria menos a contribuir como agora, em 2014. Já tenho uma relação muito estreita no meu partido. Seja com o presidente Aécio Neves ou seja com diversas outras lideranças. Não tenho dificuldade nenhuma em me postar dentro do meu partido, pois é uma coisa que carrego, esta bagagem de conhecer como funcionam as relações internas e no Congresso Nacional. Eu encaro com bastante naturalidade. Na vida nós precisamos sempre pensar um passo à frente. Eu acho que teria uma eleição para deputado estadual bem tranquila, como foi minha última. No sentido do fortalecimento do nosso partido, no bom desempenho do prefeito e do bom mandato que acho que faço. Agora, como falei, a gente às

vezes tem que olhar para frente. Não adianta a gente ficar na mesma.

O que lhe fez tomar esta decisão?

Primeiro, a vontade de contribuir. Acho que tenho muito mais a dar na Câmara federal que na Assembleia. É uma eleição diferente, de 24 vagas para 8, e as relações na Assembleia durante a eleição são muito mais fáceis lidando com adversários que na Câmara Federal. Isso é notório, todos sabem como funciona isso. Há uma briga por espaço, enfim... é o tipo de coisa que eu procuro não tratar. Existe o desafio pessoal, talvez, mas, mais ainda a vontade de contribuir. Eu sempre rodei muito o interior do Estado, e por eu não ser um corpo estranho, por tratar com lideranças e pelas pessoas me conhecerem, não tive nenhuma dificuldade em formar um grupo de pessoas interessantes no interior. Uma base de apoio das maiores entre os pré-candidatos e como eu te disse, não digo que é um desafio pessoal meu, é mais a possibilidade de um crescimento político meu e de poder contribuir

da forma que eu puder em

Brasília.

Acha que o Amazonas está precisando de gente nova na Câmara Federal?

Eu não vou tocar em ações dos outros, até porque é uma coisa que eu procuro não praticar. Mas Brasilia é diferente. A Câmara Federal é diferente. Costumo às vezes brincar que o Senado Federal é um pouco Assembleia [ALE]: cada um tem seu microfone, às vezes você excede um pouco seu tempo porque o número de pessoas para falar não é tão grande, as relações são mais próximas até pelo pequeno número de pessoas, enfim, pela forma com que as pessoas se tratam, poucas comissões e pouca briga por espaço. Já a Câmara Federal é meio a Câmara Municipal: um número maior de pessoas, o tempo é restrito, um vereador para falar mais que 5 minutos em um dia é raro. Na Câmara Federal as vezes você passa semanas sem se pronunciar.

Não é uma vida fácil...

Eu nasci e cresci ali na Câmara do Congresso. Eu sei como funciona e conheço a grande parte dos jornalistas. Não é uma casa fácil. Lá existe até briga por telefone para conseguir um aparte. Portanto, sei bem como funciona Brasília.  Todo parlamentar tem o seu primeiro discurso, eu já tenho essa facilidade com o nome, como teve ACM Neto (Antônio Carlos Magalhães Neto, atual prefeito de Salvador e ex-parlamentar federal) e como teve meu pai, o próprio prefeito de Manaus já carregava um nome. Então existe uma atenção especial a alguém que carregue uma tradição. Todos os jornalistas prestam atenção no primeiro discurso e pontuam. Eles assistem, eles ouvem e prestam atenção no discurso de todo mundo, se eles não gostarem a pessoa pode se desdobrar por quatro anos que ela vai ser só mais uma dentro de um processo.

As manifestações da população no ano passado mostraram um descontentamento grande com a classe política. As pessoas parecerem estar desacreditadas com os políticos. Elas têm razão?

Sim, tem. Primeiro nessa confusão que muitos entes políticos fazem entre o público e o privado. Tem gente que acha que dinheiro público é dinheiro do próprio bolso. E essas confusões... escândalo na Petrobrás e a falta de credibilidade dos poderes, tudo leva a descrença e acabou nas manifestações. Eu entendo que fora aquelas figuras que usavam máscaras, depredavam e agrediam nas ruas, além de bonito, é legítimo as pessoas poderem se manifestar. Quando você vê uma manifestação que tenha alguém segurando uma placa pedindo mais segurança, saúde, educação, e alguém que vai só para gritar mesmo, dão legitimidade e dá um sentimento de povo. Eu acho que o povo se beliscou.

Como assim?

As pessoas começaram a olhar o que tinha em volta delas. Nós passamos alguns anos no Brasil com uma certa comodidade das pessoas em relação ao que acontecia. O Fernando Henrique deixou um país muito organizado economicamente para o seu sucessor. Houve o boom da classe média e com ela esta acomodação das pessoas, que achavam que aquela maravilha que elas viveram por alguns anos seria eterna. E a gente viu que aquilo não era verdade. As pessoas voltaram a observar a questão da corrupção, e hoje as pessoas não estão mais aceitando os escândalos como aceitavam a cinco ou seis anos atrás. Se tivesse acontecido aquele escândalo do Mensalão hoje, não tinha presidente em pé, quem quer que seja. 

As pessoas estão mais críticas?

Voltaram a olhar no que gira em torno de sua responsabilidade como eleitores. Acredito que elas vão continuar durante a Copa do Mundo. Nós não vimos nenhuma obra estruturante decente. Foi muita promessa, de gente querendo ser pai de um filho que não levou benefício nenhum à população. Pouco me importa os jogos que vão passar em Manaus ou se o estádio é um dos mais bonitos. O importante seria que o governo tivesse investido em obras de transporte, de mobilidade urbana, de melhoramento dos hospitais, investimento em educação e curso de línguas. Eu esperava que a Copa deixasse esse legado. E o que a gente está vendo que vai ficar para a gente da Copa do Mundo é um estádio. O prefeito Arthur não recebeu apoio nenhum. O asfaltamento das principais vias, a recuperação do Centro de Manaus estão sendo feitas com dinheiro próprio. Na hora de você criar aquela festa de Copa do Mundo no Brasil, é bonito o discurso, mas a realidade para nós é dura. Manaus teve a sorte de pegar alguns dos melhores jogos das cidades-sede, mas é pouco diante do que nós poderíamos ganhar com a realização da Copa aqui, e as pessoas têm todo o direito de protestar por isso.

Teve algum conselho do seu pai na sua nova empreitada?

Não digo conselho direto. Tenho um pai muito mais amigo do que qualquer outra coisa, desde as questões pessoais e da participação na família. É muito bom você seguir o exemplo. As vezes não precisa sair da boca dele, basta seguir suas atitudes, basta olhar a atuação dele na prefeitura, a bela carreira política que ele tem e os exemplos que ele passa. Essa relação de proximidade que temos engrandece a mim, a ele, a nossa família e me dá um norte do que é ser um político que cumpre o seu papel.