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Competitividade: do caos à produtividade

Parceria entre indústria e universidade ajudou empresa a recuperar a competitividade por meio de um sistema que leva em conta princípios da Teoria do Caos e da Complexidade

Sandrini (dir) e seu orientador no mestrado, professor Manuel Cardoso. Parceria que deu certo

Sandrini (dir) e seu orientador no mestrado, professor Manuel Cardoso. Parceria que deu certo (Lucas Silva)

Ter um problema financeiro ou na vida pessoal já é bastante complicado. Quando os obstáculos são transferidos para o campo industrial, o quadro é ainda pior, uma vez que os prejuízos são exponenciais e podem afetar diretamente os funcionários.

Nesse sentido, sair do caos de uma fábrica cujo desempenho não garantia bons resultados e retomar a lucratividade foi o grande desafio do paranaense Paulo Sandrini. À frente da diretoria industrial de uma grande fábrica de televisores do PIM, que apenas no ano passado amargou um prejuízo de R$ 370 milhões, ele uniu conhecimento acadêmico com experiência profissional e conseguiu, junto à sua equipe, virar o jogo.

A tese de mestrado que deu vida à transformação e assegurou o emprego de 1,3 mil funcionários foi defendida por Sandrini em julho deste ano e despertou o interesse de empresários locais e representantes da indústria. Em conversa com DINHEIRO, ele relembrou a trajetória percorrida rumo à recuperação.

Caos

Ele conta que o processo inteiro levou dois anos e meio. “Nossa empresa chegou a ser líder no mercado com as TVs de tubo (CRT). Com a mudança para a tela fina, nossa escolha foi pela tecnologia de plasma que em poucos meses foi substituída pelas telas de cristal líquido (LCD). Essa modificação tão rápida nos levou a um quadro de dificuldades de adaptação”, recordou.

Segundo ele, a companhia estava habituada a um mercado com tecnologias que demoravam anos para serem substituídas. Mas o mercado mudou. Os produtos passaram a ter um tempo de vida cada vez menor e os competidores se multiplicaram. “Nós demoramos a perceber essa mudança e não conseguimos lidar com a situação. Ficamos desnorteados”, avaliou.

Choque de gestão

Foi então que o executivo procurou ajuda. Sob a orientação do professor da Universidade Federal do Amazonas, Manuel Cardoso, Sandrini passou a estudar a Teoria do Caos e da Complexidade. “De forma simplificada, a teoria dá conta de que uma empresa não pode permanecer durante muito tempo na ordem, porque se acomoda e não atinge resultados melhores e nem no caos, sob risco de desaparecer devido aos prejuízos. O ideal é um equilíbrio entre os dois, para que a direção esteja sempre atenta a novas mudanças e saiba encará-las”, explicou.

Em 2012 ele começou os estudos, e passou, junto ao professor, a desenvolver uma forma de aplicar na prática, os conhecimentos obtidos. A conclusão foi que para aumentar a produtividade da empresa e torná-la novamente lucrativa era preciso mudar a percepção dos funcionários e promover uma cooperação geral para alavancar os resultados.

Medição de desempenho

Em setembro de 2013, a empresa instalou um sistema de medição de desempenho que verificou perdas de produção que não apareciam nos gráficos. “Nós achávamos que nossa eficiência produtiva era de 70% e descobrimos que na verdade ela era de apenas 50%. Ou seja, estávamos usando metade do nosso potencial”, ressaltou.

O diretor destacou que os motivos para as perdas eram conhecidos, como pausas longas dos funcionários e demora para reposição de peças. “Acontece que esse tempo não aparecia e os trabalhadores acreditavam que o nível de eficiência era bom. Tivemos que mostrar os números e alterar a percepção deles”.

Em uma semana, os índices de produtividade começaram a subir. Os funcionários se envolveram no combate às perdas e em menos de um ano a empresa alcançou resultados, como um ganho de produtividade de aproximadamente 10%. “Pretendemos encerrar este ano com estabilidade e algum incremento e em 2015 retomar mais fortemente os lucros”, concluiu.

Destaque

Para fazer a produtividade crescer, uma das ações adotadas pelo executivo foi capacitar os funcionários e exigir deles, antes de conceder o certificado, uma aplicação prática no local de trabalho do que foi ensinado no curso.