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Dados do censo escolar revelam falta de infraestrutura na rede pública do Amazonas

Os dados foram compilados e publicados pelo Portal QEdu (www.qedu.org.br), certificado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para dar maior transparência ao Censo Escolar e à Prova Brasil

Educação do Estado em alerta

Educação do Estado em alerta (Arte de Heli Mascarenhas em foto de Márcio Silva )

Mais de 40% das escolas públicas municipais no Amazonas funcionam com precária infraestrutura: sem bibliotecas, fornecimento de água filtrada, acesso à Internet, sanitário dentro da unidade educacional e acessibilidade (estrutura que facilita o acesso ao prédio por pessoas com dificuldade de locomoção).

Os dados foram compilados e publicados pelo Portal QEdu (www.qedu.org.br), certificado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para dar maior transparência ao Censo Escolar e à Prova Brasil.

De acordo com informações compiladas pelo Portal, no Amazonas, 40% das 4.576 escolas municipais (ou seja, 1.827 unidades) não fornecem aos alunos água filtrada. Nas escolas estaduais, 92% das 692 unidades fornecem água filtrada aos estudantes. No entanto, 84 unidades não contam com o mesmo tratamento.

Segundo o censo escolar, todas as escolas da rede pública do Amazonas oferecem aos estudantes merenda escolar. Ocorre que em 94 unidades (14%) estaduais não há cozinhas - espaço adequado à produção dos alimentos servidos aos alunos. Na rede municipal, 33% das escolas não contam com cozinhas.

Quando o item considerado é sanitário dentro da escola, o censo informa que no Amazonas 63% das unidades da rede municipal não contam com esse tipo de espaço. Na rede estadual, 84 escolas (12%) não contam com sanitário dentro da unidade.

A quadra de esporte e o acesso a pessoas com dificuldades de locomoção são dois itens que apresentam altos índices de deficiência em toda a rede pública do Estado: 96% das escolas municipais e 49% das escolas estaduais não têm quadra de esporte. Na acessibilidade, 84% das unidades estaduais e 98% das municipais estão despreparadas para receber este público.

Em relação ao acesso à tecnologia, o censo escolar informa que no Amazonas os estudantes de 88% das escolas municipais estão fora do mundo virtual, sendo que em 74% das unidades não têm sequer uma impressora. Na rede estadual, 18% das unidades não contam com acesso à Internet e 27% delas não têm laboratório de informática.

Qedu

O QEdu é um ferramenta disponibilizada na Internet, pela empresa Meritt e Fundação Lemann, para ampliar o acesso aos dados do censo escolar. Segundo o assistente de projetos da Fundação Lemann, José Gilberto Boari, os dados são do Inep, de 2013. “O que o QEdu fez foi pegar as bases de dados e facilitar o acesso. O objetivo da plataforma é oferecer dados, principalmente aos gestores públicos, que possibilitem uma reflexão e decisões mais acertadas para a Educação”.

“Escolas são restaurantes”

A veterinária Sabrina Moreira, 33, se deparou nos últimos meses com uma inevitável comparação entre o ensino público e o particular.

Sabrina, que tem um filho de 9 anos cursando o 5º ano numa escola particular, passou a ser a responsável pela educação de uma sobrinha com a idade de 11 anos e que está cursando o 4º ano numa escola municipal do Tarumã. A veterinária conta que se assustou ao entrar em contato com a desestrutura da escola e a falta de preparo dos professores. “O que eu percebi é um contexto de precariedade do ensino público, com profissionais que estão ali para ensinar as crianças, mas que não sabem nem falar o português corretamente. As crianças não vão para a escola, vão para um restaurante, porque a principal motivação é a alimentação. A minha sobrinha, além de estar atrasada em um ano, não sabe ler. Ela só lê sílabas simples, se entrar um dígrafo ela não consegue”, declarou.

Análise – Jacob Paiva, Prof. da Faculdade de Educação da Ufam

‘Discurso é falácia’

As práticas revelam o quanto esse discurso de valorização da Educação como grande saída para os nossos problemas sociais e ambientais são uma falácia, porque não se pode priorizar a Educação enquanto se improvisar sala de aula para desenvolver a formação humana. Na verdade, há muitas diretrizes na Educação, mas não há base. A estrutura das escolas muitas vezes parece depósito de crianças ou presídios - inadequadas para a formação integral do aluno. MEC, Seduc e Semed estabelecem diretrizes no papel e devem pensar que elas são auto-executáveis. Há um conjunto de fatores que envolvem esses dados, além da falta de estrutura, baixos salários aos professores e quantidade excessiva de crianças na sala de aula.

Blog - Jair Souto, Secretário-geral da CNM

“Quando fui prefeito em Manaquiri fizemos esses mesmo diagnóstico na rede municipal e, a partir de um pacto pela educação, firmado com os profissionais, com o Executivo e com a sociedade, conseguimos melhorar o quadro. No interior, as escolas são isoladas, literalmente. Até para construção e manutenção há dificuldade de logística. O trabalho é desafiador para os municípios, sobretudo porque o Estado tem recursos muito maiores. No entanto, o maior número de escolas e as unidades que atendem nos locais mais distantes são de responsabilidade dos municípios, com menores recursos. Muitas vezes, o próprio Estado usa a estrutura das prefeituras”.