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Dentista dá dicas de como abrir clínica própria

Vinte anos depois de desembarcar em Manaus, o mineiro Ricardo Andrade Melo montou seu próprio negócio, cujas maiores complicações foram com a burocracia

Ricardo Andrade Melo decidiu empreender e não arredou o pé de seu objetivo. Enfrentou dificuldades com a burocracia, mas, sete anos depois, começa a colher os frutos de seu suor e trabalho

Ricardo Andrade Melo decidiu empreender e não arredou o pé de seu objetivo. Enfrentou dificuldades com a burocracia, mas, sete anos depois, começa a colher os frutos de seu suor e trabalho (Lucas Silva)

Ser dono do próprio negócio é o sonho da maioria dos trabalhadores brasileiros. Não é à toa que, ano após ano, o número de pessoas que deixam de lado a carteira assinada para aplicar suas economias em um empreendimento “para chamar de seu” não para de crescer.

Mas independente da categoria ou do tamanho do negócio que se deseja abrir, o futuro administrador precisa ter em mente que empreender não é brincadeira. A tarefa exige dedicação, perfil para os negócios e muita paciência para driblar a burocracia.

O cirurgião dentista e proprietário da Integrata Odontologia Ricardo Andrade Melo, de 43 anos, é um dos muitos empreendedores que demorou anos até concretizar seu sonho. Em entrevista ao DINHEIRO, ele falou sobre seus sete anos de caminhada em busca da autonomia e de todos os percalços espalhados pelo caminho.

A experiência

Com vinte anos de profissão, ele conta que passou 15 trabalhando de forma autônoma eu uma casa com quatro consultórios no conjunto Bervely Hills, na Avenida Djalma Batista. “Cada profissional alugava um espaço e tínhamos em comum a recepção e a sala de espera. Eu trabalhei muitos anos nesse formato, quando comecei a pensar em ter meu próprio negócio. Os planos surgiram em 2008”, relembra.

Desde esse período foram sete longos anos até a inauguração do prédio no início deste mês. Os desafios precisaram ser superados um a um. “Primeiro eu comprei uma casa para instalar o consultório e só depois fiz as contas e verifiquei que a reforma estava fora do orçamento. Tive que vender o imóvel para comprar um terreno e começar as obras do zero. Só aí foram dois anos”, conta.

Mas os problemas nem haviam começado. Com o projeto arquitetônico pronto, Ricardo foi em busca da liberação para construir. Entre idas e vindas em órgãos como Implurb passou-se um ano para a expedição do documento. “O processo roda em várias secretarias, vai para a Secretaria do Meio Ambiente, volta, vai para a Seminf; é preciso providenciar certidão de bombeiro, vigilância sanitária, enfim, uma verdadeira maratona”, detalha

Burocracia

No meio do percurso, o novo empreendedor resolveu buscar financiamento junto ao Banco da Amazônia e precisou dar início ao procedimento de abertura da empresa. Foram mais cinco meses, que, após nova rodada de idas e vindas entre órgãos, culminou na desistência do financiamento.

Ele lembra que o nível de estresse para a abertura de uma empresa foi alto. “E depois de tudo ainda precisei enfrentar uma outra saga para conseguir instalar serviços básicos como energia elétrica e telefone. Foi um longo processo”, avalia.

Ricardo conta que hoje não se arrepende. Admite, porém, que, em muitos momentos, a burocracia o fez pensar em desistir. “O processo poderia ser facilitado e menos doloroso”, aponta.

Saiba mais

Mais de 8 mil micro e pequenos empreendedores individuais (MEIs) abriram empresas entre maio de 2013 e maio deste ano, mostrando o interesse dos amazonense em ter sue próprio negócio. Mas é preciso ficar atento e planejar com calma. Um percentual de 40% das micro e pequenas empresas fecha em menos de três anos, conforme dados do Sebrae.

Aprendizagem e sugestões

Do momento em que teve a ideia até a inauguração do prédio, o cirurgião dentista passou por diversos obstáculos e tirou lições importantes da experiência.

Uma delas foi avaliar que, apesar dos planos, quem quer investir tem que levar em consideração a burocracia e saber que seus planos vão demorar mais do que o planejado para se realizarem.

Outra dica para quem quer investir é ter paciência. “Antes de tudo é preciso avaliar se você tem perfil para administrar porque será necessário tocar sua atividade profissional atual e destinar um tempo extra para abrir o negócio. Ter o próprio negócio é um sonho, mas o caminho é árduo”, ressalta.

Mas para ele, o planejamento é a palavra chave, tanto da obra quanto das finanças e, aliado a isso, uma intensa pesquisa de mercado para que depois de todo o esforço o negócio colha os frutos esperados. “Uma boa dica para quem tiver recursos disponíveis é contratar uma consultoria para auxiliar na abertura da empresa. Como marinheiro de primeira viagem, fiz tudo sozinho, mas hoje acho válido”, aponta.

Após todo o percurso, no entanto, ele avalia a experiência como positiva. “Aprendi coisas sobre obras e burocracia que eu jamais imaginei. Sei, contudo, que sem persistência não seria possível”, conclui.