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Diretora-presidente do Tropical avalia os 40 anos da fundação

Médica especialista em doenças tropicais faz avaliação histórica das pesquisas realizadas na área, nos últimos 40 anos , e diz que depois da malária foco é controlar o vírus HIV sem tirar o olho das doenças agudas

Maria das Graças Alecrim, diretora da FMT-AM

Maria das Graças Alecrim, diretora da FMT-AM (Érica Melo)

Ao completar 40 anos, no próximo dia 31 de março, a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) se consolida como um dos centros de referência nacional e internacional em pesquisa nas áreas de diagnóstico e tratamento das doenças tropicais e infectoparasitárias. Com o mesmo tempo de casa, a diretora-presidente da FMT-HVD, Maria das Graças Alecrim, 65 anos, entrou na fundação ainda como residente. Ela conta com saudosismo os primeiros momentos na instituição e adianta novidades para a festa de comemoração de 40 anos, no decorrer de 2014. Dentre as conquistas da Fundação de Medicina Tropical, Graça Alecrim exalta os avanços em pesquisas para combater a malária vivax, a mais comum na região amazônica, entre outros estudos pioneiros no Brasil. A seguir, trechos da entrevista que a ela concedeu para A CRÍTICA:

A Fundação de Medicina Tropical completará 40 anos e você está na instituição desde de o início. Faça um resumo desse período.

Essa instituição teve seu início com os dois professores da Faculdade de Medicina do Amazonas, (Heitor) Dourado e (Carlos) Borborema, no então Hospital e Pronto Socorro Getúlio Vargas, com apenas 10 leitos. Em 1974 inauguramos o Hospital de Moléstias Tropicais, na época um hospital pré-fabricado da Inglaterra. Depois evoluiu para Instituto de Medicina Tropical de Manaus, depois Instituto de Medicina Tropical do Amazonas, Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, e hoje Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), um dos fundadores. Naquela época, na década de 70, tínhamos as doenças tropicais, infecciosas e transmissíveis no Brasil como um todo, principalmente aqui. Havia dificuldades de tratar algumas doenças, pois não tínhamos vacinas para a maioria, como varicela, sarampo, difteria. Então era necessário ter uma instituição que cuidasse dessas doenças tropicais, dentre as quais a malária, leishmaniose, entre outras. Hoje somos referências na pesquisa e tratamentos de várias doenças tropicais e infectocontagiosas.

Quais as dificuldades, na época, para a senhora e outros profissionais?

Na época, Manaus não tinha curso de pós-graduação, nem residência e doutorado da área da saúde. Tinha que sair de Manaus e se especializar em outros lugares. Logo criamos a Residência de Doenças Infecciosas e Parasitais, melhorando a área hospitalar. A partir daí o residente passou a trabalhar dentro da instituição. Durante esses 40 anos, tivemos várias contribuições na área da pesquisa para a Amazônia. Podemos citar os trabalhos de hepatite; descobrimos agentes etiológicos da famosa “febre negra” que é a associação do vírus B com o vírus Delta. Tivemos estudos para o caso da hepatite. Nós apresentamos o estudo das drogas antimaláricas no Brasil e na Amazônia contra o plasmoduim falsifica, mudando a política de terapêutica da malária no Brasil. Hoje nos temos uma pesquisa consolidada na área de doenças infecciosa, como a Doença de Chagas. Em 1994 não tínhamos Doença de Chagas no Amazonas, só em outros Estados do Brasil.

O que os pacientes e funcionários podem esperar de novidades para este ano?

Os ambulatórios estão totalmente informatizados. Estamos ampliando o nosso ambulatório e construindo a parte do primeiro piso. Vamos inaugurar este mês, em comemoração aos 40 anos, uma enfermaria e isolamento para pesquisa clínica em tuberculose. Também estamos construindo uma UTI pediátrica para melhorar a nossa atenção aos nossos pacientes.

Como está o estudo e a pesquisa sobre a malária?

Na década de 60 parecia que a malária estava controlada no Brasil. Daí, em 1970 ela explode com mais de 600 mil casos em virtude da migração dos sem-terras do Sul do país para a Região Norte, com projetos de colonização do Amazonas, com menor intensidade e depois em Roraima. Hoje a malária está controlada na Região Amazônica. Dentro desse contexto entrou a Aids. A instituição vai se moldando dentro deste contexto das doenças. Hoje temos uma clientela substancial com o vírus HIV e também as doenças agudas (malária e dengue).

Por muitos anos o Amazonas não tinha casos de Doença de Chagas, mas nos últimos tempos esse quadro tem mudado.

Realmente, antes não tínhamos a doença de Chagas. Era uma doença muito forte no Nordeste. Aqui temos alguns casos diferentes no contexto epidemiológico, diferente daquele no Nordeste. Lá, os barbeiros viviam dentro das casas das pessoas de pau a pique. O nosso transmissor vive nas palmeiras. As maiores transmissões são ingestas.

Em relação às doenças sazonais, quais são e o período em que elas atuam?

As doenças sazonais atuam no período das chuvas e o período das estiagens. Na chuva temos a dengue, mas graças a Deus esse ano não temos epidemia e o número de casos está controlado. Entretanto, nesse período de chuva o número de casos de acidentes por animais peçonhentos aumenta porque existe alagação e as cobras saem. As leptospiroses também aumentam. Na estiagem há uma crescente nos casos de malária.

Atualmente como está o quadro de profissionais e o avanço nas pesquisas de doenças tropicais?

Este ano temos residentes em pediatria, hepatologia e multiprofissional, o que antes só existia na Ufam. Hoje estamos formando na residência médica outros profissionais que não são médicos, como psicólogos, farmacêuticos, bioquímicos, fisioterapeuta e enfermeiro. Nos cursos de residência médica temos 49 residentes na Fundação e mais de 100 projetos. A nossa visão holística é que nós não vivemos só formando médico.

Qual foi a maior contribuição ou as maiores contribuições da instituição na área da saúde?

A maior contribuição na saúde pública foi o tratamento da malaria falsiparum. Outro estudo pioneiro no Brasil foi a cultura do plasmodium falsiparum e o estudo de drogas resistente in vitro. Os estudos contribuíram para diminuir a incidência dos casos. Hoje, na Amazônia, a malaria vivax tem maior incidência. Um grupo de pesquisadores como o doutor Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda (Doutorado em Medicina Tropical), está estudando uma nova droga para tratar a malária vivax.

Perfil

Idade: 65
Nome:Maria das Graças Alecrim
Função: Diretora-Presidente da Fundação de MedicinaTropical Doutor Heitor Vieira Dourado
Formação: Médica formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam); fez Residêcia em Clínica Médica, Mestrado e Doutorado na Universidade de Brasília.experiência: Fez residência na instituição em 1970 e foi gerente do laboratório de malária. Ajudou a implantar a pesquisa da malária na Fundação e no estado do Amazonas. Foi diretora de assistência médica, de ensino e pesquisa.