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Horta ajuda reinserção de presos de Canutama (AM) na sociedade

Detentos cultivam hortaliças na delegacia e fazem do trabalho uma oportunidade de recomeçar a vida

A horta foi implantada no terreno da delegacia de Canutama, que não tem presídio

A horta foi implantada no terreno da delegacia de Canutama, que não tem presídio (Divulgação)

Presos do Município de Canutama (a 615 quilômetros de Manaus) estão cultivando uma horta dentro da delegacia, onde cumprem pena, e conseguindo a tão sonhada reinserção na sociedade e no mercado de trabalho. A venda das hortaliças também trouxe esperança para esses homens e mulheres: a possibilidade de não voltar à criminalidade.

“Eu sou agricultora, essa é minha profissão agora”, falou, com orgulho, Raline da Silva, 23 anos. Presa desde o dia 27 de abril, disse que aprendeu muito com a experiência da horta e hoje já consegue sonhar com um futuro para si mesma e sua família. “Depois de pagar tudo o que devo com a Justiça, quero ajeitar minha casinha, morar com meus filhos e continuar tirando o meu sustento da horta. Esse é meu sonho”.

Em relação à renda que consegue diariamente com a venda das hortaliças, Raline, grávida de sete meses, contou que trata-se de um meio para sobreviver e garantir comida na mesa dos três filhos – o mais velho com 6 anos, e os outros dois, com 4 e 2 anos. “De lá (da horta) que eu tiro o do pão, comprei umas bermudas para meu filho, e dá pra comprar o café”, relatou.

A iniciativa da horta aconteceu depois de uma apreensão de madeira extraída ilegalmente no município, no final de setembro de 2013. O policial militar responsável interinamente pelo 62º DIP - Delegacia de Canutama, soldado PM Raimundo Gustavo, explicou que a madeira apreendida foi encaminhada para o órgão, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. “Nós já tínhamos a intenção de desenvolver um projeto de agricultura doméstica com os presos”, disse.

Como o município não possui presídio, os presos cumprem pena na delegacia e, na época da apreensão da madeira, um dos internos tinha trabalhado como agricultor antes de ter cometido o crime e ser preso. “Ele passou todas as técnicas de cultivo para os outros detentos”, acrescentou.

Capacitação O Idam no município, segundo Raimundo Gustavo, ofereceu capacitação sobre agricultura e cultivo de hortaliças para cinco internos, no final do ano passado. “Isso se multiplicou entre os presos, despertando o interesse deles para essa profissão”, lembrou.

A partir daí, detentos e os policiais se uniram com a intenção de desenvolver o projeto da horta. A madeira foi usada nas estufas, construídas pelos próprios presos, e eles ganharam ainda uma lona transparente, para a cobertura dos pontos de cultivo. “Nós começamos com uma estufa e hoje já estamos com duas”, ressaltou Gustavo.

A grande vantagem desse projeto é que profissionaliza o preso, de acordo com Gustavo, oferecendo uma opção de trabalho e fonte de renda para quando cumprir a sua pena e voltar ao convívio da sociedade. “Estamos trabalhando também visando a ressocialização desses indivíduos”, disse, ressaltando que o perfil econômico de Canutama é voltado para a agricultura e piscicultura.

Renda é dividida entre famílias

Hoje, os presos vendem seus produtos aos moradores da sede de Canutama, além de donos de lanches e restaurantes, e faturam de R$ 30 a R$ 40 por dia, em média. O dinheiro é dividido entre os presos que trabalham na horta e é encaminhado às famílias deles.

Para dois detentos, que preferiram não ter seus nomes citados na reportagem, a experiência tem sido o sonho de uma segunda chance. “Antes de ser preso, trabalhava na roça, mas nunca com hortaliças, e aqui, todo dia a gente aprende alguma coisa nova. Quando sair daqui quero continuar a mexer com hortaliças”. O outro interno progrediu de regime e, quando foi para o semiaberto, pediu para continuar na horta.

Os detentos conseguiram as sementes, mudas e ferramentas por meio de doações de moradores, Idam e de policiais da delegacia.

Variedade

Em uma área de 500 metros, nas dependências da Delegacia de Canutama, os presos do município cultivam berinjela, maxixe, jerimum, banana, maracujá, mamão, tomate, alface, pimenta-de-cheiro, pimenta malagueta, cebolinha, coentro, couve e pepino. Só quem pode participar da iniciativa são os presos com bom comportamento e que estejam cumprindo sua pena nos regimes semiaberto e aberto.

Sem reincidência

Nenhum dos presos que vêm trabalhando na horta voltou a praticar crimes, fato considerado muito positivo pelo PM responsável interinamente pela Delegacia de Canutama. PuniçõesOs efeitos da reincidência dependem muito do tipo de crime. As consequências previstas na parte do Código Penal, por exemplo, vão desde o impedimento da concessão da suspensão condicional da execução da pena ao impedimento da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Pode provocar também a conversão da pena substitutiva em pena privativa de liberdade e impede a concessão do livramento condicional e a vários benefícios, previstos na lei.