O afastamento de Hugo Chávez da condução política da Venezuela, em função do tratamento contra o câncer a que está sendo submetido, abre espaço para que tanto aliados como opositores ganhem destaque na disputa pelo poder. A avaliação foi feita nesta sexta-feira (4) pelo professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas.
Ele acredita que sairá fortalecido, após o momento de incertezas sobre os rumos da política interna venezuelana, quem tiver mais influência sobre o Poder Judiciário, que vai decidir as regras para uma possível substituição de Chávez na presidência do país. “Neste momento, a oposição argumenta que sem tomar posse, ele não é presidente. Já os aliados defendem que a posse é simbólica, que, na verdade, ele continua no poder e se trata de uma recondução, e que cabe naturalmente ao vice-presidente [assumir o cargo]”disse.
“Vai haver uma disputa pelo poder e aquele que controlar o sistema Judiciário, que é quem vai dar a decisão final, vai chegar ao poder”, acrescentou.
A posse do presidente Hugo Chávez, que foi reeleito em outubro, está marcada para a próxima semana, no dia 10. Caso ele não possa assumir, a Constituição prevê que haja nova eleição para a Presidência da República em um prazo de até 30 dias. Interinamente, o país deve ficar sob o comando do presidente da Assembleia Nacional (Parlamento) Venezuelana, Diosdato Cabello. Atualmente, o posto de presidente interino é ocupado pelo vice-presidente, Nicolás Maduro.